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Cotidiano, Parintins 2012, Festival Folclórico de Parintins 2012, Boi Garantido, Maria ângela Faria, Paulinho Faria

Coração que chora agora em verde e branco

A casa de Maria Ângela Albuquerque Faria, 89, eternizada por ter até a piscina pintada de vermelho, está mudando de cor 24/06/2012 às 16:59
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Processo de mudança de cor da casa que sempre foi ponto turístico na cidade iniciou há cinco meses e ainda não terminou
Paulo André Nunes Parintins

Um dos maiores símbolos do Boi Garantido e de Parintins, a tradicional e mística residência vermelha e branca de dona Maria Ângela Albuquerque Faria, 89, onde até a piscina era totalmente rubra, deixou as cores antigas e está sendo pintada de verde e branco. A decisão da “Madrinha do Garantido”, como ela é conhecida, é uma forma de protesto contra a diretoria da associação folclórica ao qual ela tanto elevou o nome, inclusive internacionalmente.

A “gota d’água” ocorreu em setembro do ano passado, após a morte de Omar de Albuquerque Faria, seu filho, assassinado com 27 facadas na casa onde morava, que ficava nos fundos da residência da mãe, próximo à área conhecida como Comunas. O autor do crime nunca foi identificado e o homicídio continua sem solução.


No Festival Folclórico de Parintins do ano passado, ela já havia ficado profundamente “desgostosa” com a recusa, por parte de um dos membros da diretoria do Garantido, de uma vaga no camarote para ela e alguns familiares.

Piscina sem água
Na casa de Maria Ângela, que também é mãe do ex-apresentador do Garantido, Paulinho Faria, até a piscina era vermelha, e sua proprietária não a enchia de água para não lembrar do azul, cor do Boi Caprichoso, rival do Boi da Baixa do São José.

O local é um dos mais famosos pontos turísticos de Parintins, sendo constantemente visitado por populares, artistas e celebridades como prefeitos e governadores.


Retaliação
A retirada do “vermelho” das paredes da casa e da piscina começou há cinco meses e ainda não está completa, diz Maria Ângela Faria.

“O problema não é com o Boi Garantido, mas sim com a diretoria da associação folclórica. Estou pela falta de consideração. Nas vezes que eu pedi algo, nunca ajudaram nem a mim e nem ao meu filho Paulo (Paulinho Faria). No enterro do meu filho Omar, por exemplo, só compareceram membros do Caprichoso, e nenhum do Garantido”, desabafou ela que se desfez de várias roupas, fotos e de quase tudo que lembrasse o vermelho do Garantido.

Como num misto de saudosismo e lamento, ela recebeu a equipe de A Crítica vestida com uma camisa florida de vermelho e branco e um vestido branco. Devagar como a pintura de sua casa, Maria Ângela diz estar esquecendo aos poucos o “Boi do Coração”.

“Ainda não esqueci totalmente pois são várias lembranças do passado. A velha guarda é esquecida pelos dois bois”, frisou.