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Cultura de inovação no PIM

Empresas que apostam no talento inovador dos funcionários vêm obtendo ganhos expressivos em economia, eficiência e comprometimento de seus colaboradores 30/09/2012 às 20:39
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Equipe Panasert, da Panasonic - economia de R$ 500 mil com mudanças no processo de inserção de componentes em placas de circuitos
Joubert Lima / Jornal A Crítica Manaus

A Panasonic economizou R$ 500 mil aprimorando o processo de inserção de componentes em placas de áudio. A Yamaha obteve um retorno econômico de R$ 163 mil ao otimizar o consumo de água na fábrica. A HTA, empresa do Grupo Honda, melhorou a ergonomia no processo de soldagem de dois modelos. Além de gerar benefícios em diversos níveis, essas inovações têm algo mais em comum: foram desenvolvidas e implantadas pelos próprios funcionários para resolver problemas que eles mesmos identificaram.

Esse modelo de inovação direcionado a resultados é adotado por muitas empresas da Zona Franca e, frequentemente, resulta em soluções que, avaliadas pelas matrizes das multinacionais, são implementadas em outras plantas pelo mundo.

Cada empresa tem seus próprios procedimentos, mas eles são, basicamente, os seguintes: funcionários se organizam em grupos para, diante de um problema, desenvolver uma solução. A empresa estabelece horários durante o expediente para que os grupos possam se reunir e elaborar sua estratégia de trabalho. As propostas são avaliadas e, se forem viáveis, são implementadas na fábrica.

Foi assim que o grupo “Os Cinco Furiosos”, da HTA, conseguiu emplacar seu projeto para melhorar a ergonomia no processo de soldagem dos modelos CB300R e XRE300. No procedimento antigo, o pino do chassi das motocicletas tinha que ser removido manualmente, exigindo esforço dos operários, o que causava dores nos dedos e risco de lesão. A equipe criou um sistema de cilindros pneumáticos acionado por botões. Além de reduzir o esforço repetitivo, a novidade deu maior velocidade ao processo, que passou de 48 para 40 segundos.

“Eles desenvolveram e implantaram em seis meses”, diz o gerente geral de engenharia industrial da HTA, Newton Kinosita. O envolvimento dos colaboradores é maciço. Na Honda, mais de mil grupos são organizados todos os anos.

A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Amazonas (ABRH/AM), Elaine Jinkings, pondera que práticas como essa têm um efeito motivacional enorme em todo o quadro de funcionários. Qualquer trabalhador sente que é capaz de fazer a diferença e ser reconhecido por isso.  São pessoas como Lincoln Machado, ferramenteiro; e Francisco Marcos Bezerra da Silva, do Controle de Qualidade da HTA.

A empresa só tem a ganhar. E não apenas do ponto de vista econômico, também há ganhos ambientais e maior comprometimento dos trabalhadores dentro e fora da fábrica. Na Yamaha, por exemplo, o projeto do grupo “Inochi” (Vida) reduziu o volume de água consumida na fabricação de uma moto em 30%; de 156 litros para 109,3 litros.

Isso foi possível com ações integradas como aproveitamento da água gerada pelo vapor das caldeiras, que antes era descartada; condensação nas “casas de ar” e aproveitamento de água da chuva. Além disso, os funcionários também foram sensibilizados sobre o uso consciente da água nos banheiros e na limpeza da fábrica.

Panasert

A Panasonic também obteve ganhos ambientais e econômicos com o projeto do grupo de funcionários “Panasert”. Eles desenvolveram um novo sistema para inserção de componentes na placa main de áudio. Havia irregularidade na quantidade e tamanho de adesivo liberado automaticamente nas placas. Isso gerava defeitos, pois o adesivo é o material responsável pela “colagem” dos componentes na placa.

O projeto do grupo garante a inserção de adesivos na quantidade exata para cada componente. Resultado: 41% de redução do uso de adesivos, 80% na redução de sucatas e 87% de redução em horas extras. Somando tudo, os ganhos superam R$ 500 mil para a empresa.

O coordenador da equipe, Fábio Nogueira, ressalta que o projeto está sendo analisado no Japão e pode ser implantado em outras fábricas da Panasonic. Além do reconhecimento por conquistar o concurso interno da fábrica, os membros do Panasert também foram premiados com equipamentos Panasonic.

Nogueira destaca que o resultado não é de uma só pessoa, mas do trabalho árduo de uma equipe inteira.