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Eles fazem o Festival de Parintins acontecer

Apaixonados pelos seus bois, milhares de pessoas “largam tudo” para se dedicar durante parte do ano ao trabalho de confecção das alegorias de Garantido e Caprichoso 28/06/2012 às 14:01
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Apaixonados pelos seus bois, milhares de pessoas largam tudo para se dedicar durante parte do ano ao trabalho de confecção das alegorias de Garantido e Caprichoso
Mariana Lima Parintins (AM)

Os itens dos bois bumbás Garantido e Caprichoso são famosos por levar a cultura de Parintins a diversas cidades do mundo inteiro. Por trás do Festival Folclórico, no entanto, há nomes e rostos desconhecidos que por amor largam até seus empregos em busca da vitória no festival. Essas pessoas passam meses trabalhando longe de suas famílias, mas garantem que a emoção de ver seu trabalho na arena vale todo o sacrifício e que são eles os reais responsáveis pelo festival.

Josiel Mendes Brandão não consegue calcular quantas horas passa por dia nos arredores do Bumbódromo de Parintins onde participa da confecção das alegorias do boi Garantido. O mototaxista, que há mais de dez anos larga a sua moto por três meses para atuar como soldador de alegorias do boi vermelho e branco, conta que foi aos 12 anos, no galpão Garantido, que aprendeu a nova profissão: “Quando eu comecei a trabalhar no boi vermelho tinha uns 12 anos eu não sabia nada. Ficava apenas ajudando na colagem, carregando ferro. Foi aqui que eu aprendi a ser soldador, é devido ao Garantido que tenho evoluído profissionalmente. Atualmente trabalho no Carnaval em outras cidades como Florianópolis e ano que vem já está quase tudo certo para ir a São Paulo”, conta o mototaxista que há 20 anos trabalha nos galpões do boi.

O apaixonado pelo boi vermelho afirma que dificilmente trabalha como mototaxista durante o festival: “Quando não estou muito cansado ou quando a grana está curta eu saio como mototáxi durante o festival para arrecadar um extra”, afirma.

Mesmo após trabalhar dias e noites nas alegorias do Garantido, Josiel afirma que quase nunca ver o festival, pois também é responsável pela movimentação das alegorias. Segundo ele, mesmo sem vê as suas alegorias agindo na Arena é impossível não se emocionar. “A maioria das vezes nós não assistimos, mas quando temos uma folga e conseguimos ver a galera do Garantido é só emoção. Nós passamos pelo sufoco, pelo trabalho, mas no fundo nos sentimos muito bem em participar desse espetáculo”, afirma.

Do lado azul da ilha outra história emocionante. A decoradora Cirene Prestes de 50 anos trabalha há 35 anos no boi Caprichoso e já passou por diversas áreas de preparação do festival. “Comecei confeccionando palminhas para a Marujada, depois comecei a auxiliar na confecção das roupas e ainda das alegorias”, afirma Cirene que atualmente é responsável pelos detalhes das alegorias do boi azul.

Há cinco anos morando com a família em São Paulo, onde trabalha na Escola de Samba Águias de Ouro, Cirene afirma que nem a realização do sonho de trabalhar em uma grande Escola de Samba a deixa largar sua participação no boi. “Eu falei pro presidente da Escola que para conseguir a energia positiva para fazer um bom trabalho é necessário eu vir trabalhar no boi todos os anos, e ele sempre me libera”.

Cirene afirma que não consegue mais viver sem ser o “quebra galho” do Caprichoso. “Quando vejo as minhas alegorias prontas eu penso que é mais um filho meu indo fazer sucesso. Toda vez que fazemos é com amor e é muito emocionante a gente entrar na Arena e ver que tudo o que está lá tem um toque nosso”, conclui.