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Empresa que começou como 'startup' planeja reaproveitar telas de LCD, reduzindo custos de produção

Em breve, isso ocorrerá com a implantação da Inove Solutions, uma indústria de semicondutores, cujas operações começaram como “start up” tecnológica.  13/10/2013 às 14:38
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Projeto foi iniciado ainda em 2006
cinthia Guimarães Manaus (AM)

A tela de cristal líquido de um televisor, tablet, celular ou câmera fotográfica representa em torno de 45% do custo de produção total de um aparelho eletrônico. Imagine se isso puder ser reaproveitado, de modo a reduzir os custos operacionais das fabricantes, vender o bem final por um preço mais competitivo e poupar o meio ambiente da poluição por materiais pesados?

Isso tudo deve acontecer em breve com a implantação da Inove Solutions, uma indústria de semicondutores que fará remanufatura e reparo de dispositivos de cristal líquido para fabricantes de eletroeletrônicos do Polo Industrial de Manaus (PIM).

A empresa, que venceu o Salão de Negócios Criativos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), está começando suas operações como “startup” tecnológica, o que despertou o interesse de investidores em bancar o projeto.

Gestado

O projeto de pesquisa vem sendo gestado desde 2006, dentro do Núcleo de Desenvolvimento de Sensores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e do Programa de Pós-Graduação em Microeletrônica. A coordenação técnica está a cargo do professor Waltair Machado, doutor em Física de materiais semicondutores, enquanto direção-executiva está com o engenheiro de produção José Saraiva, que possui larga experiência na direção de empresas de tecnologia.

A ideia consiste em reciclar apenas a parte do vidro das telas de LCD, que é composta por cinco camadas de lâminas de competentes eletrônicos, reduzindo assim a dependência do Brasil na importação deste insumo. Hoje os dispositivos de LCD inutilizados são descartados pelos usuários e pelas assistências técnicas em aterros sanitários, inclusive contaminando os lençóis freáticos.

A reciclagem se justifica pelo alto custo de produção das telas, que são produzidas sob encomenda por apenas quatro fábricas de insumos do mundo, que abastecem as marcas de eletroeletrônicos de todos os continentes.

Para a implantação do projeto, os resíduos serão recolhidos em pontos de coleta instalados em Manaus. Esse trabalho será desenvolvido mediante parceria que envolverá fabricantes de eletroeletrônicos, assistências técnicas, redes do varejo e usuários, explica José Saraiva. Qualquer pessoa que tiver um dispositivo de LCD que não sirva mais, como um celular ou um notebook, poderá entregá-lo em um ponto de coleta, onde ganhará um selo verde que valerá como desconto para aquisição de um produto novo da mesma marca.

“Reaproveitamento não significa que o produto será de segunda linha. As telas serão entregues com características de produtos novos e vamos inclusive repor a tecnologia contida nelas, como o caso das telas LED (telas mas finais e com maior qualidade de luz)”, disse o professor Waltair Machado.

“Quando você reaproveita, você está economizando energia do planeta”, completa.

Incubadora do CIDE

O projeto industrial da Inove Solutions já foi aprovado na 245ª reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado (Codam). A empresa iniciou suas operações recentemente dentro da incubadora do Cide.

As fabricantes de eletroeletrônicos do PIM, como Semp Toshiba e Samsung, já se mostraram interessadas pela ideia. Por isso a Inove está estruturando seu plano de negócios para começar sua escala produtiva de uma forma tímida, fabricando 10 mil telas no primeiro ano de atuação.

No ano passado foram vendidos US$ 300 bilhões em telas de cristal líquido no mundo. Só o PIM encomenda cerca de 15 milhões de telas por ano, que demoram 60 dias para desembarcarem no Brasil. O tempo de espera e custo produtivo poderá ser reduzido consideravelmente com o funcionamento da indústria de semicondutores em Manaus.