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Ex-primeira ministra da Noruega elogia avanços socioambientais brasileiros nos últimos 25 anos

Gro Harlem Brundtland, que visitou o Brasil pela primeira vez em 1985, disse ter ficado "feliz" com as mudanças que encontrou nesta nova visita  22/03/2012 às 14:48
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Ex-primeira Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland
Monica Prestes Manaus

Em entrevista coletiva concedida no final da manhã desta quinta-feira, na abertura do 3º  Fórum Mundial de Sustentabilidade, a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland elogiou os avanços obtidos pelo Brasil no âmbito do meio ambiente e desenvolvimento sustentável nos últimos 27 anos, desde sua primeira visita ao País. 

Brundtland lembrou que visitou os estados de São Paulo e do Amazonas quando presidia uma comissão internacional que tinha como objetivo diagnosticar os problemas ambientais e sociais que afetavam o mundo, àquela época, e que o que viu em 1985 era bem diferente do que ela encontrou nas visitas mais recentes ao Brasil. 

"Fiquei contente ao ver as mudanças ocorridas no Brasil nos últimos 25 anos. Os olhares do mundo, desde aquela época, já estavam voltados para a Amazônia e os riscos que ela enfrenta. A visita que fizemos à cidade de Cubatão, que 27 anos atrás era um terrível modelo de poluição industrial, destaca um exemplo de que podemos mudar as coisas com políticas ambientais e tecnologia. Cubatão está diferente."

A ex-primeira ministra falou sobre outras conferências sobre meio ambiente e mudanças climáticas realizadas no mundo, como a de Copenhagen, do México e de Durban, ocasiões em que foram registrados apenas avanços pontuais, e disse esperar que a conferência Rio+20, que acontece em junho deste ano, no Rio de Janeiro, possa atender expectativas não alcançadas nas anteriores.

"O mundo precisa superar as dificuldades de negociação em bloco durante a Rio+20. A agenda da conferência do Rio é muito mais ampla e os países estão investindo em negociações mais próximas, olho a olho. O Brasil tem a responsabilidade pela Rio+20, mas vamos ajudar o Rio a identificar os problemas ambientais e sociais que são relevantes para todo o mundo", declarou. 

Desafios

A escassez de água e comida e a universalização da energia são listados por Gro Harlem como os maiores desafios mundiais. A ex-primeira ministra da Noruega, que guiou o País nórdico a um patamar "invejado"de desenvolvimento sustentável, demonstrou preocupação com a previsão de que a população mundial deve atingir a marca de nove bilhões de pessoas em 2040. 

"Até lá, a situação vai estar entre 30% e 50% pior do que hoje. Essa situação demonstra que o mundo não pode continuar seguindo o modelo econômico que temos hoje, ou não vamos conseguir atender nossas necessidades básicas como água, comida, energia e agricultura. Temos usado mal nossos recursos naturais. Precisamos promover as mudanças necessárias para evitar o que temos hoje como tendência, e isso deve ser discutido na Rio+20", alertou. 

Sustentabilidade

Sustentabilidade está na moda. A palavra sustentabilidade também, mas Gro Harlem lembra que, fora do conceito de desenvolvimento sustentável proposto por ela há mais de duas décadas, ela passa a ser apenas uma palavra sem significado, ambiental e socialmente falando. 

"Sustentabilidade é uma palavra que pode ser vazia ou significar a busca pela erradicação da pobreza, pela igualdade social e o respeito ao meio ambiente. Tudo isso faz parte do conceito de desenvolvimento sustentável. Precisamos observar o que as pessoas estão fazendo nesse conceito, e não as palavras que elas estão usando. 

Pré-sal e exploração mineral

Ao ser perguntada por um dos participantes do Fórum sobre a exploração mineral na Amazônia, Gro Harlem mostrou não ter conhecimento atualizado sobre as práticas atuais de mineração e exploração de petróleo e gás natural na região amazônica, mas declarou que a gestão dos recursos naturais brasileiros cabe ao governo brasileiro. 

"Mas, a partir do momento em que essas práticas afetam o planeta, surgem o interesse e a preocupação internacionais. As partes deveriam trabalhar em conjunto para evitar danos ambientais que podem prejudicar não apenas o Brasil e suas gerações futuras, mas o mundo todo", disse.

Ela citou a exploração de petróleo em águas abertas como um exemplo de prática que levou danos ambientais pela forma como foi conduzida na Noruega, e que pode ser evitada pelo Brasil, que hoje vive a expectativa do pré-sal.

"A sugestão que deixo ao governo brasileiro é fazer avaliações sobre os recursos envolvidos antes do início das perfurações, para evitar danos ambientais. Uma das coisas que o Brasil pode fazer é consultar outros países que fizeram esse mesmo tipo de perfuração em águas profundas, para absorver experiências negativas e positivas. A Noruega é um desses países."