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Faltam profissionais de engenharia preparados para os canteiros

Com o surgimento de obras da Copa, do PAC e do mercado imobiliário, a construção civil se deparou com a escassez desses profissionais 21/10/2012 às 14:39
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Formada em Engenharia Civil, Cristiane Travessos veio do Rio de Janeiro para atuar no controle de custos das obras da Arena da Amazônia
Priscila Mesquita Manaus (AM)

Em todo o País, a construção civil enfrenta a escassez de profissionais de engenharia preparados para atuar nos canteiros de obras. O gargalo, já estudado por entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), gerou uma forte concorrência por essa mão de obra especializada, que agora dispõe de maiores salários e pode optar por um amplo leque de cargos.

A engenheira civil Cristiane Travassos Nunes é um exemplo de que a área é promissora para quem deseja ter uma rápida e sólida ascensão profissional. No ano 2000, quando cursava o quinto período na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela começou a estagiar na Andrade Gutierrez, com 19 anos. Depois de trabalhar em projetos como o Metrô de Copacabana, ela foi transferida para Manaus em 2010 para atuar na obra da Arena da Amazônia, onde exerce o cargo de gerente de engenharia econômica.

 Em linhas gerais, Cristiane faz o controle de custos e atua também na contratação de serviços terceirizados. “Estou muito feliz e realizada. Quando estamos na graduação não temos ideia das oportunidades que o mercado oferece e da remuneração que podemos ter já no início da carreira”, diz.

Segundo dados do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-AM), a remuneração mínima de um engenheiro que trabalha oito horas/dia é de R$ 5.598. Já o que trabalha seis horas/dia deve receber a partir de R$ 3.732, conforme a Lei 4.950-A/66.

Migração e formação

Para solucionar o problema da falta de engenheiros em Manaus, as construtoras passaram a contratar profissionais de outros Estados e a implementar estratégias próprias, como a formação de universitários e engenheiros recém-formados.

Na obra da Arena da Amazônia, por exemplo, a maioria dos 18 engenheiros contratados pela Andrade Gutierrez veio de Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará e Espírito Santo. Nesse time, estão engenheiros eletricistas, civis, ambientais, de segurança e mecânica.

 A Direcional Engenharia, que possui 20  engenheiros civis “da terra” e oito de outros Estados em Manaus, resolveu criar este ano o projeto “Escola de Engenharia”, voltado à formação de estudantes que cursam o quarto e quinto períodos da faculdade. De acordo com a responsável pelo setor de Recursos Humanos da empresa mineira, Ana Carolina Huss, outra ação que visa suprir a demanda é o programa de trainee realizado na sede, em Belo Horizonte, com profissionais recém-formados. “Eles vão passar por todas as áreas da empresa e depois serão enviados para as cidades onde temos operação”, afirma. 

De acordo com Ana, a escassez de engenheiros acontece porque as universidades não formam os alunos na velocidade que o mercado precisa.

Déficit nacional

Segundo dados da CNI, o Brasil possui 600 mil engenheiros formados e um déficit de 150 mil profissionais. Em 2011, o estudo “Radar n° 12” do Ipea apontou que até 2020 o Brasil precisará formar de 600 mil a 1,15 milhão de engenheiros para atender à crescente demanda.

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