Publicidade
Especiais
Especiais

FHC faz 'mea' culpa durante Forúm de Sustentabilidade no Amazonas

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que melhorou o Brasil, mas poderia ter feito mais pela causa do meio ambiente 24/03/2012 às 09:52
Show 1
Fernando Henrique fez uma das conferências mais esperadas do Fórum
Elaize Farias e Leandro Prazeres Manaus

“Não salvamos o Brasil, mas melhoramos o Brasil”. A frase é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que participou ontem do segundo dia do 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade. Em tom de “mea culpa”, FHC disse que ele poderia ter feito mais pela causa ambiental durante seus oito anos de governo, mas disse que as prioridades emergenciais da época o levaram a se concentrar em outras áreas.

Depois dele, foi a vez do ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin defender a criação de uma agência global para o meio ambiente. Fernando Henrique lembrou que foi durante seu governo que se sancionou a Lei de Crimes Ambientais e que foi aumentado o porcentual de reserva legal de propriedades na Amazônia de 50% para 80%, mas admitiu que, se pudesse, teria feito mais.

“Sinais foram dados... houve certos avanços, mas eu não tive o chicote para que o governo avançasse mais”, disse. FHC criticou a visão de que os incentivos fiscais do Polo Industrial de Manaus (PIM) sejam vistos como a única forma de desenvolver a Amazônia. “Não acredito que o desenvolvimento de um País possa ser feito apenas na base dos incentivos, porque incentivos geram distorções, sobretudo porque privilegia um setor em detrimento de outro, agora, em si mesmo, em tese, incentivar a preservação da floresta é válido, tudo depende de como se faz essa política. Acho que em si mesmo o incentivo é algo que precisa ser afastado”, disse o ex-presidente.

Para Villepin é fundamental que uma agência sobre meio ambiente seja criada. “Os organismos atuais não cuidam do meio ambiente de forma global o tempo todo. São comitês e reuniões que acontecem de tempos em tempos. Precisamos de um órgão que cuide disso o tempo todo”, afirmou. Villepin disse que alguns países da Europa já começam a enxergar as possibilidades econômicas que podem surgir diante da migração para uma economia verde.

“Há uma grande perspectiva de crescimento. O fato de países como a Alemanha estarem procurando uma forma de colocar de lado energia nuclear e investindo em energias alternativas é uma mostra disso”, explicou.

Duas visões de floresta

O diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, defendeu em Manaus o desmatamento zero, atual campanha da organização não governamental no País, a produção alternativa de energia e alertou para os riscos da aprovação de mudanças no Código Florestal brasileiro.

Também citou outro assunto controvertido da política brasileira: a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. “Precisamos encontrar meios de desenvolver energia solar, eólica, biocombustível. Vocês (brasileiros) não precisam de tanta destruição”, observou.

A participação de Naidoo no 3º Fórum de Desenvolvimento Sustentável, em Manaus, teve contraponto a palestra do ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues, que manifestou apoio ao projeto de lei do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), atualmente ministro do Esporte.

Irreverente em toda sua apresentação, Rodrigues destacou a importância da segurança alimentar e da economia verde, mas fez, com dados estatísticos, o seu próprio alerta: a necessidade do Brasil conseguir aumentar em 40% a capacidade de produzir alimentos.

“O Brasil tem um importante papel. Pode ser o catalizador mundial desta produção”, disse. Roberto Rodrigues apresentou um de seus principais projetos, a perspectiva de produzir agricultura de baixo carbono do Brasil e citou como exemplo o plantio de palha direto na terra.

O ex-ministro destacou ainda que é possível desenvolver uma “agricultura sustentável. Kumi Naidoo resgatou historicamente a preocupação do brasileiro com a devastação ambiental, relembrando desde José Bonifácio (1763-1838), intelectual e líder político, ao padre Cícero (1844-1934), religioso nordestino. “Eles apontaram vários níveis de devastação e já falaram que isto poderiam provocar acidentes”, disse Naidoo.