Publicidade
Especiais
Especiais

Fundadores dos bumbás são reverenciados na ilha, mas família nem tanto

Os bumbás Garantido e Caprichoso conseguiram uma grande projeção pelo mundo, algo que talvez seus fundadores – respectivamente Lindolfo Monteverde e Roque Cid – nunca tenham imaginado 01/07/2012 às 15:28
Show 1
Os Monteverde são numerosos e têm muito orgulhoso da herança cultural
Rafael Seixas Parintins (AM)

Os bumbás Garantido e Caprichoso conseguiram uma grande projeção pelo mundo, algo que talvez seus fundadores – respectivamente Lindolfo Monteverde e Roque Cid – nunca tenham imaginado. Apesar da trajetória sólida de ambos, como são vistos os herdeiros dos criadores? São respeitados, contam com algum benefício?

A família Monteverde tem aproximadamente 200 membros, tendo apenas dois filhos de Lindolfo vivos: Maria do Carmo e João Batista. De acordo com Maria, muitas pessoas pensam, pelo fato dela ser filha de Monteverde, que é da elite, cheia de dinheiro. “Têm pessoas que conversam comigo e dizem assim: ‘você é uma pessoa muito importante, não é?’. Falam isso porque o Garantido traz milhões à cidade, mas não ganhamos nada, fomos rejeitados até pelas diretorias que já passaram. O atual presidente (Telo Pinto) foi o único que olhou por nós. Muitas coisas aconteceram depois de sua entrada e somos gratos”.

Avó

Segundo Raimundo, neto de Monteverde, outra pessoa de extrema importância para o Garantido foi sua avó, Antônia Colares, esposa de Lindolfo, que mesmo com sua deficiência visual ajudou muito o boi da Baixa do São José. “A minha avó foi um esteio dentro do boi, mas muitas vezes nós a esquecemos. Ela apoiava e se desfazia de algumas coisas que o meu avô fazia. Às vezes, ela passava por cima de decisões dele para fazer o bem”.

Mais respeito

Já Marilane, neta, não se sente muito honrada em ter um parentesco com Lindolfo, porque sua mãe (Maria) vem lutando por ser filha, mas, de acordo com ela, o tratamento nunca foi bom com os herdeiros. “Falta respeito com o meu avô e com os filhos que estão vivos”.

Estrela

Do lado azul e branco, o grupo familiar, formado por quase 150 pessoas, diz ser visto como pessoas normais, porém que o sobrenome gera um certo peso, pois se trata do criador do Caprichoso. “O meu sogro era uma pessoa muito legal, era pedreiro e também o dono do boi”, disse Julita do Amaral Cid, nora de Roque Cid, que informou que é reconhecida como a matriarca do boi da Francesa e que todos os presidentes (ex e atual) do Caprichoso sempre ligam para ela.

“Tenho orgulho de ser parintinense, de fazer parte da família Cid. Não tive a honra de conhecer meu bisavô, mas só de meus tios e minha avó falarem dele, eu fico feliz”, falou Patrícia Cid da Silva (bisneta). “Todos são diferenciados por ter o sobrenome, só que não somos diferentes das demais famílias. A única diferença é que nosso patriarca fundou o Caprichoso”, complementou.  Nenhum filho biológico de Cid se encontra vivo.

Avaliação

E ela como herdeira, diz ainda ficar feliz com o trabalho feito pela presidente do bumbá, Márcia Baranda, pois com ela a nação azul e branca vestiu, literalmente, suas cores. “Somos vistos com bons olhos em Parintins. Nossa família é tradicional, tanto a Cid como a Amaral (respectivamente do meu pai e mãe). (...) Em termo de festival, o fluxo de turistas na nossa cidade é muito grande e não se preparou para isso”, expressou Raimundo, neto de Roque Cid. Ambos os herdeiros dos bois de Parintins concordam que tanto Monteverde como Cid não tinham ideia que uma brincadeira se tornaria algo tão grandioso e a maior expressão cultural do município.