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Londres 2012: Entrevista com a mesatenista Lígia Silva

Entre um treino e outro, a amazonense conversou com a reportagem de A CRÍTICA e falou um pouco sobre as expectativas em relação aos Jogos Olímpicos de Londres e do Rio de Janeiro e desabafou: “A gente precisa mudar nossa mentalidade para melhorar”, disse 31/07/2012 às 14:26
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Mesatenista Lígia Santos
Leandro Prazeres ---

Londres - Quando entrar na área de competições do complexo esportivo ExCel, em Londres, na próxima sexta-feira (3), a manauara Lígia Silva, 31, saberá que as chances da equipe brasileira de tênis de mesa de superar a equipe adversária serão pequenas. O time brasileiro composto por Lígia, Gui Lin, 18, e Caroline Kumahara, vai enfrentar a equipe da Coréia do Sul, considerada a terceira maior potência do mundo na modalidade. Entre um treino e outro, Lígia conversou com a reportagem de A CRÍTICA e falou um pouco sobre as expectativas em relação aos Jogos Olímpicos de Londres e do Rio de Janeiro e desabafou: “A gente precisa mudar nossa mentalidade para melhorar”, disse amazonense.

 Você foi desclassificada na competição individual, mas ainda está na disputa por equipes. Quais as reais chances do Brasil nessa Olimpíada?

As chances são difíceis. A gente vai pegar, eu creio, a terceira maior potência nesse esporte que é a Coreia do Sul, então é complicado. Mas a gente sabia que era isso aí mesmo e acho que a gente tem que chegar na mesa e cada um dar o melhor de si.

Como você avalia o nível técnico das atletas neste ano em relação à competições anteriores?

Em 2008, eu não fui a Pequim, mas lá havia uma favorita, que inclusive já se aposentou (Zhang Yining). Neste ano, a competição individual está mais aberta, mas as favoritas continuam sendo as chinesas. O mesmo acontece na competição por time.

 Essa supremacia chinesa, mas que também se estende para outros países orientais, na sua opinião, é fruto de algo inato a esses povos ou é apenas resultado de uma maior quantidade de treino?

 Acho que é a cultura deles. A cultura deles favorece muito o desempenho deles nesse esporte. Na China por exemplo, tem muita gente jogando, é um esporte popular. O centro de treinamento deles, por exemplo, tem gente treinando, estudando, comendo lá dentro. Os atletas ficam lá direito e isso ajuda muito. Aqui no Brasil a gente não tem isso. Vira e mexe tem que sair para pagar uma conta ali, outra lá. Isso tira o foco.

Há algum tempo que o Brasil tem o domínio do tênis de mesa na América do Sul. O que falta para que o País ganhe mais projeção?

Acho que temos que mudar nossa mentalidade de atleta. Tem muito atleta que não está preocupado em subir... não que não tenha objetivos, mas é questão de ser mais profissional mesmo. Precisamos rever nossos conceitos como atleta.

O que você ganha como atleta é suficiente para as suas despesas?

Hoje não, mas não significa que a gente não possa conseguir isso lá na frente.

Você já foi para três Olimpíadas, acha que chegará ao Rio de Janeiro, em 2016?

A gente sempre joga como se fosse última, mas eu tenho objetivos na minha carreira. E o Rio de Janeiro é um deles.