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Muita oferta para pouca procura no setor hoteleiro de Manaus

A chegada de novos hotéis a Manaus aumentou de forma significativa a oferta, mas ela não é acompanhada pelo crescimento do número de turistas e de executivos 13/05/2012 às 15:21
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Hotel Tropical teve taxa de ocupação de 60% no primeiro quadrimestre de 2012
Priscila Mesquita ---

A chegada de novos hotéis a Manaus, que se intensificou nos últimos três anos, aumentou de forma significativa a oferta de apartamentos na cidade. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-Amazonas), a quantidade de Unidades Habitacionais (UHs) disponíveis saltou de 3,2 mil, em 2009, para as atuais 5 mil, número que continuará crescendo com a instalação de novos empreendimentos.

Mas, apesar dos atrativos naturais do Estado, as empresas do setor afirmam que a ampliação dessa oferta (e da concorrência) não é acompanhada pelo crescimento do número de turistas e de executivos que desembarcam aqui para negócios. A retração no turismo corporativo em 2012 já é apontada por alguns estabelecimentos como a causa para a queda na receita e na taxa de ocupação.

É o caso da rede Atlantica Hotels, que administra cinco hotéis na cidade, das bandeiras Park Suites, Comfort, Sleep In, Go Inn e Quality. A gerente regional de vendas da Atlantica, Michele Tavares, afirma que a receita da rede apresentou baixa de 8% entre janeiro e abril, na comparação com o primeiro quadrimestre de 2011.

Depois de crescer 15% no ano passado, a rede esperava manter os bons resultados. “Em geral, a ocupação está baixa. Encerramos os quatro primeiros meses de 2012 sem ter atingido nenhuma das metas de vendas. As fábricas sentiram o impacto da crise econômica na Europa, nos Estados Unidos e os fenômenos naturais na Ásia. Tem fábrica de motos que parou de funcionar às segundas-feiras”, explica.

Mesmo diante do cenário atual, a Atlantica confirma que terá mais dois hotéis em Manaus. Mas tanto a rede como os investidores ainda não divulgam a localização nem quando as obras começam.

Segundo o presidente da ABIH-AM, Roberto Bulbol, as taxas de ocupação de dezembro e janeiro (meses de baixa estação) se prolongaram até abril, ficando entre 32% e 38%. Mas ele afirma que houve uma pequena melhora na segunda quinzena de abril, quando a ocupação ficou entre 48% e 52% no mercado. “As taxas aumentaram, mas ainda assim estamos abaixo de 2011. Em abril do ano passado, estávamos com uma ocupação média de 56%”, ressalta o presidente da entidade, que possui 45 associados.

De acordo com estimativa da ABIH-AM, o turismo corporativo responde por até 90% da receita de um hotel, dependendo da localização da empresa. Por esse motivo, a maioria dos novos empreendimentos é focada no público de negócios. “Os estrangeiros não estão vindo ao Brasil neste ano. A crise na Europa já impactou as filiais em Manaus. As indústrias de motos estão todas em crise”, frisa Bulbol.

A retração mencionada por Bulbol é confirmada pela Associação das Fabricantes de Motos (Abraciclo), que aponta queda de 18,4% na produção de abril, ante a igual mês de 2011. A redução nas fábricas é resultado da dificuldade que o consumidor brasileiro vem encontrando para financiar os veículos junto às instituições financeiras.

 Setor pede melhorias

 Para a diretora-executiva do Amazonas Convention Bureau (entidade que busca captar eventos para o Estado), Adriana Papa, o excesso de oferta de apartamentos vai se agravar até 2014, com a instalação de novas bandeiras e empreendimentos. Para Adriana, esse crescimento requer que o poder público dialogue mais com a iniciativa privada, a fim de tornar o Estado mais atrativo para a realização de eventos.

“Precisamos de uma campanha de incentivo ao turismo, que não se limite à divulgação. Precisamos de um centro de convenções, com pelo menos 4 mil assentos, e de um aeroporto adequado, com mais voos nacionais e internacionais. A ampliação em curso no aeroporto ainda não será suficiente”, avaliou.

Sobre a atração de turistas, a presidente da Amazonastur, Oreni Braga, destaca que o Amazonas participa de todas as principais feiras nacionais e internacionais do setor. “Nesses eventos, levamos o ritmo do Amazonas (toadas/boi-bumbá), o que marca ainda mais nossas participações, além de um material de promoção do Estado. O resultado é visto no aumento contínuo do fluxo de turistas no Amazonas, que em 2012 deve crescer 12%”, frisa Oreni.

Expansão
Segundo a ABIH-AM e especialistas do setor, há dez hotéis em processo de instalação em Manaus. Entre eles, estão:

Hotel One
Será construído ao lado do Caesar Business, na av. Darcy Vargas. Será administrado pela rede Posadas, a mesma que administra o Caesar.

InterCity
Está em construção na rua Boulevard Álvaro Maia, Praça 14. A InterCity Hotéis é uma rede nacional com sede no Sul do País.

Mercure
O 2° hotel da bandeira deve ficar próximo ao aeroporto. Será administrado pela rede Accor.

Novotel

A Accor ampliará sua presença com um Novotel na av. Umberto Calderaro (antiga Paraíba), um Fórmula 1 e um Ibis na Djalma Batista.

Express Vieiralves

O hotel, do grupo Unipar, está nos primeiros meses de operação.

Três perguntas para Antônio Maglione, gerente geral do Tropical Hotel

Como ficou a taxa de ocupação do hotel no primeiro quadrimestre de 2012?

A taxa do quadrimestre ficou em 60%, o que consideramos muito bom. No mesmo período do ano passado, fechamos com 49% de ocupação. Comparando os dois períodos, tivemos quase 20% de aumento. Isso se deve basicamente à revitalização de algumas áreas do hotel e a uma política de investimento mais pesado em parcerias e captação de grandes eventos.

A chegada de novos hotéis está impactando a taxa de ocupação ou esse fator é irrelevante? Esse fator é muito relevante mesmo. Tanto é que estamos procurando ser mais criativos e mais agressivos na área comercial. Nos últimos anos, mais de dez novos hotéis surgiram na cidade, dividindo a demanda e exigindo mais dos administradores. Acho que estamos indo bem, pois não tivemos queda de demanda mesmo com a concorrência mais acirrada.

O turismo de negócios em Manaus oferece uma demanda suficiente para ocupar todos os hotéis existentes? E os que serão inaugurados?

Não oferece. Atualmente temos mais leitos disponíveis na cidade que demanda em termos de turismo de negócios. Nossa vantagem é que temos um mix de opções a oferecer. Atuamos com negócios, turismo e eventos. E agora estamos investindo um pouco mais na área de eventos e no turismo internacional. Devido a essa nossa característica, acredito que sofreremos um pouco menos que os demais nesse setor.