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O valor da floresta preservada

Pioneirismo > Ações de Virgílio Viana mudam paradigma ambiental no Estado 22/03/2012 às 11:53
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Virgílio Viana mostra que é possível recompensar as populações que contribuem para a manutenção da floresta
Jornal A Crítica Manaus (AM)

Não há como falar da política de desenvolvimento sustentável do Amazonas sem mencionar o nome de Virgílio Viana. O engenheiro florestal, que é PhD em Biologia da Evolução pela Universidade de Harvard, foi o primeiro secretário do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado. No período em que esteve à frente da pasta, de 2003 a 2008, coordenou o programa Zona Franca Verde (ZFV), trabalhou para a aprovação da primeira Lei Estadual de Mudanças Climáticas do País e atingiu indicadores relevantes, como a redução de 67% do desmatamento.

Com a certeza de que “a floresta vale mais em pé do que deitada”, Viana priorizou a valorização dos produtos florestais, como a castanha, a andiroba, a borracha e o pirarucu. Além disso, inovou ao instituir o “paradigma de pagamento por serviços ambientais” para populações indígenas e tradicionais. Essa compensação financeira se tornou possível com a criação do Programa Bolsa Floresta, em 2007.

“Em 2002, a produção de borracha no Amazonas vivia o prenúncio de uma crise terminal. Hoje o momento é radicalmente diferente. Temos uma grande indústria no Polo Industrial, a Neotec, que consome 4 mil toneladas de borracha por ano. Há dez anos, o preço do quilo borracha era algo em torno de R$ 1 no Amazonas e agora está em R$ 5. Um seringueiro pode ter uma renda muito expressiva”, destaca Virgílio, que atualmente é superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), instituição criada em dezembro de 2007.

Os resultados alcançados pelo ZFV ganharam reconhecimento internacional, a partir de uma avaliação da CEPAL, no ano de 2005. Aliado ao avanço do Polo Industrial de Manaus (PIM), o programa Zona Franca Verde proporcionou um acelerado crescimento econômico no Estado, acompanhado pela redução do desmatamento.

Bolsa Floresta

Um dos temas que marcará a participação de Virgílio Viana na 3ª edição do Fórum Mundial de Sustentabilidade será “A economia verde e os povos da floresta”, painel agendado para este sábado (24) e que será conduzido por ele e Almir Suruí, chefe da etnia Paiter Suruí.

Na trajetória de Viana, um dos feitos que o habilita a debater o tema é a implementação do Programa Bolsa Floresta (PBF), que é o maior programa de pagamento por serviços ambientais do mundo, em extensão. Desde 2008, o PBF é gerido pela FAS e atualmente já alcança 15 Unidades de Conservação (UCs) do Amazonas.

O programa é formado por quatro componentes: Bolsa Floresta Familiar, que remunera com R$ 600 ao ano as mães residentes nas UCs e que assumem um compromisso de conservação ambiental; Bolsa Floresta Renda e Bolsa Floresta Social, cujo objetivo é financiar ações para as comunidades; e Bolsa Floresta Associação, focado na concessão de recursos para associações de moradores.

Os quatro “braços” do programa totalizaram investimentos de R$ 40,7 milhões nas comunidades, entre abril de 2008 e dezembro de 2011, e já beneficiaram mais de 32 mil pessoas.