Publicidade
Especiais
Especiais

“Ouro negro” desperta sonhos em Carauari (AM)

Chegada da Petrobrás ao Município, pela segunda vez, despertou ansiedade na população 20/03/2012 às 11:38
Show 1
Chegada da Petrobras ao Município, pela segunda vez, despertou ansiedade na população
Leandro Prazeres Carauari (AM)

Francisca Varela Marques, 56, trata os clientes de seu restaurante como filhos. Chama a todos de “meu amor”, “coração”, “meu bem” e por mais que pareça estranho, quando ela o faz, não soa falso. O entra-e-sai frenético do restaurante de Dona Chiquinha - como é conhecida - é o melhor termômetro do atual momento econômico vivido em Carauari: o novo “boom” do petróleo na Amazônia. A chegada da HRT O&G ao município reacendeu as esperanças de que, desta vez, a promessa de riqueza dos anos 70 e 80, finalmente possa se concretizar. 

A Carauari em que Dona Chiquinha é uma das cozinheiras mais famosas é uma pequena cidade localizada a 788 quilômetros de Manaus com pouco mais de 25 mil habitantes. No final do século XIX e até meados dos anos 40, o município era um entreposto para os seringueiros que atuavam no vale do Juruá, mas com a decadência da cultura da borracha, agravada nos anos 70, passou a sobreviver da agricultura de subsistência e do funcionalismo público. 

Em 1978, porém, a história do município sofreu uma virada. Depois de quase uma década sem pesquisas de petróleo na Amazônia, a Petrobras voltou a atuar na região, onde encontrou reservas de gás natural e petróleo. Centenas de pessoas passaram a trabalhar na abertura de picadas e na perfuração de poços. Carauari ficou conhecida como a “capital do gás”, mas em 1986, quando a Petrobras descobriu os campos na região do rio Urucu, em Coari (a 414 quilômetros de distância), os investimentos em Carauari cessaram e o sonho da riqueza advinda do ouro negro foi interrompido. 

Em 2011, a cidade passou a viver o sonho do petróleo novamente. A HRT O&G chegou ao município para iniciar uma campanha exploratória em alguns dos 21 blocos que a companhia detém na Bacia Sedimentar do Solimões. Era o retorno, trinta e três anos depois, da pesquisa em áreas abandonadas pela Petrobras na década de 70 e 80. O alvoroço causado pela chegada da HRT e das suas empresas contratadas movimentou o pacato comércio de Carauari. Dona Chiquinha, por exemplo, se viu obrigada a ampliar o antigo restaurante para acomodar os funcionários da companhia. “Eu tive que dobrar a minha capacidade para dar conta. A chegada dessas empresas deu um novo ânimo pra gente”, afirma Chiquinha, que contratou três cozinheiras para lhe ajudar. A demanda é tão grande que, muitas vezes, faltam ingredientes no mercado. 

Carauari (AM)

População: 25.774 

Área: 25.767,709 Km²

Distância: a 788 quilômetros de Manaus em linha reta ou a 1.411 quilômetros por via fluvial 

PIB: R$ 120,9 milhões

IDH-M: 0, 575

Confiantes no futuro

A primeira fase das pesquisas da HRT em Carauari consistiu na abertura de picadas na mata para ter acesso aos locais onde os especialistas acreditam haver petróleo e gás. Essa foi a fase em que mais houve contratação de moradores da região. O “boom”, aparentemente, veio em boa hora. De acordo com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, em Carauari, a cada quatro famílias, três são consideradas pobres. Com uma atividade econômica extremamente limitada, a dependência dos recursos públicos é enorme. Um sexto do Produto Interno Bruto (PIB) de Carauari é oriundo de repasses do Governo Federal.

Um dos segmentos mais aquecidos é o da construção civil. Tonys Magno Menezes da Rocha tem uma das maiores lojas de material de construção e diz que a vinda da petrolífera encheu a população de esperanças. “A gente vinha de um momento de estagnação econômica muito grande. Eu, por exemplo, estou vendendo muito material para as contratadas da empresa. Antes, só quem comprava aqui era a prefeitura ou alguma obra particular. O movimento aumentou bastante”, afirma Tonys Magno.

Eliseu Cláudio de Souza, 59, viveu o primeiro “boom” do petróleo em Carauari e torce para que agora, a indústria do petróleo chegue para valer. “Se isso acontecer, vai ser uma benção para o povo daqui. Toda a cidade está esperando por esse petróleo”, disse.