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Pesquisa aponta quadro de Manaus e anseios da população

Cerca de 600 pessoas participaram. Segurança, água e saúde são os principais problemas 19/04/2012 às 09:57
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Pesquisa com 600 pessoas aponta quadro de Manaus e anseios da população
Jornal A Crítica Manaus

Segurança pública, água e saúde. Estes são os três principais problemas da cidade de Manaus de acordo com pesquisa encomendada pela Rede Calderaro de Comunicação (RCC) à Action Pesquisas de Mercado. A enquete foi feita entre os dias 13 e 14 deste mês com 600 pessoas nas seis zonas da cidade. De acordo com o diretor da Action, Afrânio Soares, a pesquisa permite verificar como os problemas são sentidos pela população em cada zona da cidade.

Segundo a pesquisa, segurança pública é o principal problema para 23,7% da população manauara. Água (ou a falta dela) é o maior problema da cidade para 14,2%, enquanto saúde ficou com 13,6%. Abaixo do trio ficaram saneamento (13,1%), infraestrutura (11,7%), transporte (11%), desemprego (5,6%), trânsito (3,8%), lazer e esporte (1,1%) e educação (1%).

Mas a percepção da população sobre seus principais problemas muda de acordo com a zona da cidade. O exemplo mais claro é o quesito segurança pública. Apesar de, no geral, estar no topo da insatisfação, no recorte por zona esse quadro muda. Na Zona Norte, por exemplo, a maior da cidade, apenas 15,5% da população avalia a segurança pública como o principal problema da cidade. Enquanto isso, na Zona Centro-Oeste, 35,2% da população avaliam a segurança como a maior carência de Manaus.  O mesmo acontece com o quesito transporte. Na Zona Sul, apenas para 5,8% dos entrevistados disseram que o transporte era o principal problema da cidade. Por outro lado, na Zona Centro-Sul, esse índice quase triplica, chegando a 15,2%.

O diretor da Action, Afrânio Soares, explica as variações. “Na minha opinião, no que se refere à segurança, a baixa percepção de que este é um tema preocupante na Zona Norte já é reflexo da atuação do programa Ronda nos Bairros naquela região. Quanto ao transporte, é na Zona Centro-Sul que se concentra a maior parte da população com maior poder aquisitivo da cidade, com mais acesso a carros particulares e é onde há os maiores problemas de congestionamento e falta de estacionamento. Isso ajuda a explicar essa diferença na forma como as pessoas em diferentes zonas da cidade sentem os problemas de uma capital tão complexa e grande como Manaus”, diz Afrânio.

Pontos - Particularidades das zonas da cidade
Segurança pública é o principal problema de Manaus para 23,7% da população. As pessoas mais insatisfeitas com este quesito moram nas Zonas Centro-Oeste (35,2%) e Sul (32%).

Água é o segundo maior problema de Manaus para 14,2% da população. Nas Zonas Leste e Norte, onde estão o maior contingente da população que não é abastecida regularmente com água é que estão os maiores índices de insatisfação.

Saúde, com 13,6% das indicações, está em terceiro lugar como o maior problema de Manaus. É na Zona Oeste, com 17,7 %, que está o maior índice de reprovação do serviço oferecido na cidade.

Mesmo tendo um dos piores índices educacionais entre as capitais brasileiras, para a população de Manaus, Educação não é um problema significativo. Apenas 1% dos entrevistados disse ser este o principal problema da cidade. Nas Zonas Sul e e Centro-Sul, nenhum entrevistado citou Educação.


Entrevista > Afrânio Soares
Diretor da Action Pesquisas de Mercado, responsável pela   enquete encomendada pela RCC,  falou dos principais pontos da pesquisa realizada junto aos leitores de A CRÍTICA sobre os problemas da cidade

“Zonas Norte e Leste têm mais insatisfeitos”
Acostumado a realizar pesquisas voltadas para políticos e empresas, Afrânio Soares, diretor da Action Pesquisas de Mercado, foi o responsável pela enquete encomendada pela Rede Calderaro de Comunicação (RCC) para medir quais são os principais problemas da cidade na opinião dos seus próprios moradores. Nesta entrevista, Afrânio diz que os resultados da pesquisa permitem uma melhor noção sobre o que é importante para o povo de Manaus. 

Os resultados obtidos mostraram alguma surpresa?
Na realidade, não chegaram a apresentar uma surpresa, mas pelo caráter detalhado dela, agora podemos ter uma melhor ideia do que é mais importante em cada zona da cidade. A diferença de percepção da população sobre segurança pública é um exemplo disso. Acho que já podemos dizer que a segurança é um tema menos importante na Zona Norte por conta da atuação do Ronda nos Bairros, por exemplo. Ao mesmo tempo, em outras áreas, como na Zona Centro-Oeste, segurança ainda é um tema muito sensível para quem mora lá.

Na sua avaliação, a pesquisa revelou todas as carências sentidas pela população ou existe alguma que não chegou a ser percebida?
Nossos pesquisadores não fizeram sugestões aos entrevistados. Todas as perguntas foram abertas e cada entrevistado deu uma média de 2,5 respostas. A pergunta era: quais os principais problemas de Manaus? Acredito que este seja um retrato das principais carências da cidade e o fato de não termos feito sugestões, mostra a espontaneidade dos entrevistados.

Um dos itens que chamou atenção na pesquisa foi a percepção sobre água e saneamento, que estão entre os quatro principais problemas da cidade. Isso é uma mostra de que os governos não podem mais ignorar o problema?
Em Manaus, esses são problemas estruturais de muito tempo. O que fica claro é que as maiores insatisfações sobre isso estão nas zonas Norte e Leste, onde estão concentradas as maiores populações da cidade e onde estão os maiores problemas de água e saneamento. Se você analisar, estas são áreas em que os investimentos ou não estão sendo feitos ou foram feitos, mas ainda não surtiram efeito.

Que tipo de fatores influenciam pesquisas como essa?
São muitas as variáveis. Veja por exemplo a avaliação de saneamento. Nesse quesito, nós medimos a percepção das pessoas em relação ao esgoto, águas pluviais e odores. Atualmente, estamos vivendo a estação chuvosa, o que pode ter uma clara influência sobre como as pessoas sentem isso. Com mais chuva, tem mais terreno alagado, mais lama, mais odores. Talvez, se estivéssemos na estação seca, essas impressões seriam diferentes.

Um dos resultados que mais chamou atenção foi a percepção sobre desemprego. Por que ele é tão diferente de acordo com as regiões da cidade?
Esse é mais um exemplo de como a cidade é diferente mesmo sendo uma só. Veja que os índices de insatisfação com o desemprego é maior nas zonas Sul e Leste. A Zona Sul é interessantíssima, porque lá você tem um pouco de tudo. Temos a classe A, B, C e D. Acho que essa percepção do desemprego é mais alta lá porque quem respondeu nesse quesito foi a população de classe D. Na Zona Leste, o fenômeno é outro. Lá, a maioria da população pertence ao que chamamos hoje de Classe C, mas também tem bastante gente da Classe D. Naquela região, a renda não é necessariamente formal e é muito variável. Talvez por isso o desemprego seja um motivo de preocupação tão grande nessas duas zonas. Já na Zona Norte, por exemplo, que também tem bastante gente da Classe C e D, o índice é baixo: 1,9%. Isso se explica não porque o desemprego não seja um problema, mas porque a percepção das pessoas é de que existem outros problemas ainda mais urgentes que esse.

Você está acostumado a fazer pesquisas semelhantes para políticos. Como você acha que os candidatos às eleições deste ano deveriam interpretar os dados revelados pela pesquisa encomendada pela Rede Calderaro de Comunicação (RCC)?
Os candidatos deveriam olhar para o cruzamento dos dados zona por zona. Essas diferenças são muito grandes entre determinados temas e determinadas áreas. Não tem mais como abordar um problema de maneira única na cidade inteira.

Como você avalia a iniciativa da Rede Calderaro de Comunicação em promover essa pesquisa?
Acho fundamental porque ela traz ao leitor um verdadeiro raio-X do que é importante para a cidade.

Veja o debate completo na edição especial do Jornal A Crítica desta quarta-feira.