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Presença da indústria japonesa é cada vez mais forte em Manaus

Investimentos de origem nipônica definiram a cara da Zona Franca de Manaus, cujo modelo busca nova leva de aportes para ter mais competitividade 10/06/2012 às 17:22
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Cônsul geral do Japão em Manaus, Hajime Naganuma, avalia parceria como favorável
Joubert Lima Manaus

Há mais de 80 anos, Amazonas e Japão mantém uma relação de parceria, com a chegada dos primeiros migrantes em 1930. Décadas depois, os japoneses desempenharam um papel fundamental na consolidação da Zona Franca de Manaus. Quando o projeto começava a sair do papel, as grandes empresas japonesas foram as primeiras a acreditar no novo modelo. Hoje, os japoneses continuam como os maiores investidores do Polo Industrial de Manaus (PIM), com US$ 2,917 bilhões, mais que o dobro da segunda colocação, ocupada pelos norte-americanos.

E essa parceria tende a se estreitar com o interesse crescente por parte de diversas empresas de capital japonês em fazer investimentos no Amazonas, conforme afirma o cônsul geral do Japão em Manaus, Hajime Naganuma.

“A indústria japonesa não pode ficar estancada, está sempre buscando novas possibilidades, e o Brasil se apresenta como uma grande opção”, diz.

O consultor empresarial Teruaki Yamagishi lembra que, em Manaus, o capital japonês está distribuído em vários segmentos, e não apenas no eletroeletrônico – com gigantes como Sanyo, Sony, Panasonic e Pioneer –, e duas rodas, setor liderado por Honda e Yamaha. Pouca gente sabe que o emplastro Salonpas, do laboratório japonês Hisamitsu, é produzido em Manaus.

A Noritsu opera em soluções para impressão; a Orient mantém-se firme na fabricação de relógios, só para citar alguns exemplos. Ao todo, são 35 empresas japonesas em plena atividade, responsáveis por 25% do faturamento do PIM e por 20% dos empregos de todo o polo. A primeira grande empresa de eletroeletrônicos a aportar na Zona Franca foi a Sharp, em 1970, fabricando calculadoras.

“Naquela época, não tinha Distrito Industrial, a Zona Franca ainda estava praticamente no papel”, lembra o consultor. Os bons resultados da Sharp foram fundamentais para a atração de Sanyo e Toshiba, esta em associação com a brasileira Semp. Estava pronta a base para o polo eletroeletrônico. Empresas brasileiras como CCE e Gradiente vieram no lastro.

O segundo grande polo da Zona Franca, duas rodas, também começou com uma iniciativa nipônica, com a chegada da Moto Honda, em 1975.

 “A essa altura, o PIM era, basicamente, brasileiro e japonês, com poucas exceções como a holandesa Philips.

Para Yamagishi, a migração japonesa na década de 30 – com novos fluxos nos anos 50 e 60 do século passado – acabou tendo um reflexo determinante na atração de investidores daquele país para a Zona Franca. Para o consultor, a presença dessas comunidades torna o Amazonas um destino simpático aos orientais.

Essa influência estendeu-se ao comércio e até à mesa do amazonense, com a disseminação do consumo de hortaliças, por exemplo. “Sempre foi uma relação muito positiva”, diz.

Competitividade
O cônsul geral do Japão em Manaus, Hajime Naganuma, atesta o interesse de seu país em alargar a parceria com o Brasil e vê esse movimento como uma alternativa para elevar a competitividade da indústria nacional. O diplomata ressalta que a tendência mundial é de que as economias sejam mais abertas. Proteções nacionais por meio de sobretaxas como as utilizadas pelo Governo Brasileiro tendem a desaparecer no prazo de 20 anos. Até lá, o País precisa tornar sua indústria a mais competitiva possível.

“Uma forma de conseguir isso é por meio da introdução de alta tecnologia. E o Japão tem interesse em investir na transferência tecnológica”, diz. Segundo ele, novos ramos industriais têm crescido no Japão e buscam caminhos para expandir.

É o caso de empresas de informática e do setor de serviços, por exemplo. Foi em busca desses potenciais investidores que uma comitiva da Suframa esteve no Japão no final de maio.

O superintendente Thomaz Nogueira detalhou as vantagens que o Amazonas oferece durante o seminário “Invest in Brazil”.

A expectativa do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Mdic) é que o seminário resulte em investimentos e cooperação entre os dois países. Naganuma ressalta que o Brasil concorre com outros países pelos investidores nipônicos, mas leva boa vantagem.

“O Japão já ocupa importante espaço na indústria e na identidade brasileira. Essa base é muito importante”, afirma.