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Um guerreiro na luta em defesa da Floresta Amazônica

Almir Suruí é líder de seu povo e enfrenta ameaças em Rondônia 22/03/2012 às 09:26
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Almir é cidadão de Rondônia e do mundo por suas incursões no exterior em busca de apoio à sua luta em defesa da floresta em pé na Região Amazônica
jornal a crítica ---

Reconhecido internacionalmente como um dos principais líderes indígenas do Brasil, Almir Suruí sabe bem os riscos que é defender a floresta amazônica. No entanto também já começa a usufruir os resultados de sua luta na proteção de seu território por defender a integridade física dos índios isolados de Rondônia e por alertar sobre riscos causados pela construção de hidrelétricas no rio Madeira.

Em 2011, ele denunciou na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República uma série de ameaças de morte – que aumentaram nos últimos anos devido à intensificação na proteção. Hoje, “as coisas estão calmas”, diz Almir, em entrevista dada ao jornal A CRÍTICA.

No final de 2011, ele também foi considerado uma das cem pessoas mais criativas nos negócios pela revista “Fast Company” no mundo como reconhecimento de sua parceria com o Google, firmada em 2007. Outro reconhecimento foi o prêmio “The Bianca Jagger Human Rights Foundation”, na categoria Liderança, em reconhecimento à sua luta corajosa em defesa das terras ancestrais na Amazônia.

Antes de 2011, Almir era conhecido apenas no movimento indígena e entre os ativistas dos movimentos sociais e ambientais. Seu nome era mencionado mais no exterior (visitou 31 países) do que no Brasil, sobretudo quando recebeu o prêmio da Sociedade Internacional de Direitos Humanos, em Genebra (Suíça), em 2008.

Depois que ganhouu destaque como “empreendedor”, ele passou a ser assediado pela mídia local. O motivo para a deferência: a parceria com o Google, que consiste na divulgação por meio da tecnologia da Terra Indígena Sete Setembro, no Estado de Rondônia e uma parte do Mato Grosso. Esta ferramenta, contudo, não representa apenas a divulgação da rotina dos suruí, mas o mapeamento de suas terras identificação de desmatamentos ilegais.

Carbono
A projeção de Almir Suruí cresceu mais ainda com outra iniciativa desenvolvida por seu povo, o Projeto Carbono Suruí, considerada a primeira iniciati  va indígena brasileira de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, o famoso REDD.

Entender este projeto não é tão fácil e há gente que confunde a iniciativa, achando que os índios estão “vendendo suas terras”.

Ne verdade, trata-se de uma espécie de troca. Os suruí, sabendo que o assunto ainda é recente e não tem regulamentação no Brasil, estão cercados de consultorias de entidades reconhecidas e com acompanhamento da Fundação Nacional do Índio (Funai).

“O nosso projeto é feito com parceiros que ajudam a financiar e a pesquisar. Mas é tudo coordenado pelo povo Suruí. Estamos também em diálogo com a Funai. As coisas são transparentes”, comentou.

A Terra Indígena Sete Setembro fica localizada no Centro-Sul de Rondônia.

Localização
A Terra Indígena Sete Setembro fica localizada no Centro-Sul de Rondônia e pega o Noroeste do Estado do Mato Grosso. O contato do “branco” com o povo Suruí Paiter aconteceu em 1969.

No ano passado, ele denunciou na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República uma série de ameaças de morte aos indígenas.

1.305 índios constituem a população da comunidade suruí. Almir tem 37 anos, é casado e três cinco filhos (dois homens e três mulheres).  Conta que, por conta das inúmeras viagens, tem ficado pouco com a família, mas que vai diminuir mais essa rotina.