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Utilização de materiais regionais durante o Festival de Parintins gera economia de até 40%

As alegorias e fantasias usadas por Caprichoso e Garantido são cobertas por folhas de coqueiros, sementes, cipós, serragem, folhas, cuias, sementes, juta entre outros materiais da natureza amazônica  19/06/2012 às 20:06
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A artesã de Parintins trabalha com atenção nos detalhes de cada fantasia
Mariana Lima Parintins (AM)

A ilha de Parintins (localizada a 396 quilômetros de Manaus) inicia o clima de festas com seus tradicionais ensaios nos currais, conhecidos pelas coreografias copiadas por horas pelos brincantes apaixonados pelos bumbas, para fazer bonito durante as três noites. Em outros cantos da cidade, no entanto, há pessoas igualmente apaixonadas preparando os últimos detalhes para as fantasias e alegorias do festival. As grandes esculturas e as fantasias majestosas são ricas em detalhes regionais, características das alegorias de Parintins.

O artista plástico do boi vermelho, Junior Feijó trabalha há 15 anos no Garantido e há três é responsável pelas alegorias da Escola de Samba Vila Maria, em São Paulo. Junior é conhecido entre os artistas por usar poucos materiais de fora do Estado, o que além de aparentar uma característica mais rústica as alegorias trazem uma economia de até 40% de custo.

“Os artistas de fora nos questionavam porque aqui nós mostrávamos mais o luxo visto no Carnaval do sudeste do que os trabalhos regionais, feitos pelos caboclos. Tenho vindo com essa idéia há alguns anos e adequando o uso dos meus materiais. Este ano eu tive acesso à ideia do Garantido para as alegorias mais cedo e pude fazer o meu trabalho usando esses materiais. Para as pessoas do Rio de Janeiro e São Paulo o luxo não interessa e sim as idéias mais regionais mesmo”, conta o artista parintinense que atualmente mora em São Paulo.


As alegorias de Junior são cobertas por folhas de coqueiros, sementes, cipós, serragem, folhas, juta entre outros materiais da natureza. “Usamos ótimos materiais e duráveis sem prejudicar a natureza e é essa a nossa ideia”, afirma.

Galpão Azul

A artesã Gisele Costa estreia no trabalho do galpão do boi azul. A aluna do mestre do Caprichoso, irmão Miguel, afirma que passou muitos anos estudando desenho na escolinha do boi para levar os melhores detalhes ao festival. A ex-professora conta que nem percebe as horas passando quando está no galpão preparando os detalhes das fantasias:

“Estou trabalhando no boi que eu gosto e trabalho com muito amor. Não tenho noção de quantas horas eu passo aqui dentro, mas fazemos isso por amor. Faço questão de acordar cedo e chegar aqui às 8h toda vestida de azul e preparar este trabalho. É muito carinho, muita dedicação”, relata emocionada.

Gisele afirma que o desenho dos detalhes já vem encaminhado do Conselho de Artes do boi, mas os artesões acabam acrescentando mais detalhes nas roupas. As cuias, palhas, sementes da região como as de seringa e abil são os materiais mais usados, além de penas e outros acessórios confeccionados pelos artesões do próprio boi.