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Verdadeira Zona Franca Verde

Empresas do Amazonas e de outros Estados concorrem pela exclusividade de utilizar comercialmente 17 produtos e soluções tecnológicas desenvolvidas no Inpa. 16/06/2012 às 17:59
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Qualidades nutricionais da pupunha são objeto de estudo no Inpa. Produtos à base de farinha de pupunha já estão a caminho do mercado
Joubert Lima ---

Há décadas fala-se na necessidade de desenvolver produtos exclusivos da Amazônia como alternativa mais viável para o desenvolvimento da região, mais viável até que a própria Zona Franca, que tem prazo para o fim dos incentivos fiscais. Os primeiros passos concretos nesse sentido já começaram a ser dados. Três empresas estão pleiteando exclusividade na exploração comercial de 17 produtos e tecnologias desenvolvidas no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A análise dos pedidos está sendo feita pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), ao qual o Inpa é vinculado. Quando a empresa vencedora for anunciada, o que deve ocorrer nos próximos meses, será assinado o primeiro contrato no âmbito do ministério para uso exclusivo de um pacote de soluções tecnológicas desenvolvidas no Inpa.

 A Coordenadora de Extensão, Tecnologia e Inovação (Ceti/Inpa), Rosangela Bentes, explica que será um contrato diferente dos que já foram assinados com as empresas Néctar Frutos da Amazônia e Biozer, para produção de farinha de pupunha e extrato de gengibre amargo, respectivamente. Esses contratos, assinados no final do ano passado, não preveem exclusividade.

“São duas empresas de outros Estados e uma de Manaus. Como o processo corre em sigilo, as empresas não sabem quem são suas concorrentes”, comenta a coordenadora. As soluções tecnológicas em questão serão base para produção de alimentos, fitoterápicos e cosméticos em escala industrial.

Contratos

Os primeiros contratos de transferência tecnológica firmados entre Inpa e empresas do setor privado foram assinados em novembro de 2011. O empresário Márcio Navegantes, da Néctar Frutos da Amazônia, já concluiu os testes de mercado para a farinha de pupunha e obteve ótimos resultados. A empresa está adaptando suas instalações para iniciar a produção e comercialização do produto, o que deve ocorrer até o final deste ano ou início do próximo.

Já a Biozer da Amazônia planeja colocar no mercado um medicamento natural que atua no combate e prevenção do câncer. A zerumbona, como é chamada a substância extraída do gengibre amargo, será produzida em escala industrial no prazo de dois anos.

 Atualmente, o Inpa tem 52 pedidos de patente tramitando junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). O problema é a demora na liberação: em média, mais de cinco anos.