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As histórias de casais que se conheceram na época do Carnaval e estão juntos até hoje

Na festa onde muitos acham que ninguém é de ninguém, é curioso você se deparar com relacionamentos que começaram justamente na “Folia de Momo” 22/01/2016 às 19:31
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O casal Francilene e Moisés está junto desde 1984 e tem 2 filhos
Paulo André Nunes Manaus,AM

É comum nessa época de Carnaval você, caro leitor, ouvir casos de pessoas que, em meio à folia, não querem nada sério ou um relacionamento fixo. Na festa onde muitos acham que “ninguém é de ninguém”, quando marchinhas clássicas como “Máscara Negra” (“Vou beijar-te agora /Não me leve a mal /Hoje é Carnaval”) são um convite à diversão descompromissada, é curioso você se deparar com relacionamentos que começaram justamente na “Folia de Momo” e que duram até hoje.

E os casos não são poucos. Foi amor à primeira vista... ou ao primeiro samba! 

Passarela do coração

O enredo romântico, por exemplo, foi em cheio na passarela do coração do casal Francilene Oliveira e Moisés de Oliveira, quando seus olhos se cruzaram nos tempos em que frequentavam o então bloco Reino Unido, em 1984, nos fundos da escola estadual Adalberto Vale, no Morro da Liberdade. Num dos ensaios de domingo, próximo ao Carnaval, ambos se encontraram e não deu outra: ele era passista e ela, torcedora, se apaixonou de primeira. Nota 10 em harmonia até hoje.

“No dia em que nos conhecemos ele estava acompanhado, mas foi deixar a companhia dele em casa e voltou para me ver. E estamos juntos até hoje. Sempre estamos juntos”, disse Francilene. Da união, nasceu Irlane Oliveira e Marlon Oliveira, que é universitário e toca cavaquinho na Mocidade de Aparecida, agremiação do qual ambos fazem parte atualmente (eles também são fundadores da escola de samba A Grande Família). “Quando não estamos juntos, ela faz falta. E as pessoas perguntam...”, conta Moisés, que é um dos intérpretes de apoio da Aparecida.

No ritmo do coração

O samba foi tão bom na vida do mestre de bateria, conselheiro e ex-presidente da Vitória Régia, Didi Redman, que lhe deu até a mulher da sua vida, a esposa e braço direito Cláudia Redman. Eles se viram pela primeira vez há 28 anos, mais precisamente no dia 6 de janeiro, no Clube do Samba quando ela tinha 16 anos e ele se apresentava com a bateria da verde e rosa. “Ele ia se apresentar naquele dia e passou na minha frente e ficamos nos olhando. Falou que queria falar comigo, eu fiquei esperando e até hoje estamos juntos”, conta Cláudia, que era Rainha de Bateria da Acadêmicos de Petrópolis e que, a partir daquele dia, mudou a sua vida para sempre. 


“O samba tem muito significado na minha vida. Ele está presente em tudo pois há envolvimento em todas as partes. Só me deu alegria e vai continuar me dando. Se um dia eu cantar para louvor vai ser em ritmo de samba”, fala ele, dizendo que “tira o chapéu para Cláudia” pelos afazeres que tem pelo mundo do samba.

“Eu saio e não tenho horário para voltar. Quando eu visto a camisa para uma coisa eu vou ter que cumprir. Isso é costume, regimento de família, de criação. Quer me encontrar é só ir lá na escola. Eu vivo mais lá do que aqui. E ela segura a bronca e a criação das meninas. Mas estão todos aí, criados”, diz ele, pai de 1 filho e 6 filhas (sendo duas com Cláudia - Suelen e Dayane Redman). Ambos tem dois netos.

Mas o corre-corre não faz “atravessar o samba” entre Cláudia e Didi. “Ele sempre está presente”, diz ela. 

Filha de Lindoca

Ambos com raízes no Quilombo Urbano Barranco de São Benedito, na Praça 14 de Janeiro, o casal Marilúcia Oliveira Fonseca, 53, e Maurílio Figueiredo, 52, se conheceu numa das rodas de samba realizadas aos sábados na antiga quadra da Vitória Régia, na rua Jonathas Pedrosa, onde a mãe dela, a saudosa Raimunda Dolores Gonçalves, a famosa Tia Lindoca, era uma das fundadoras. “Eu conheci o Maurílio através de um amigo dele, que se chamava Júlio”, disse ela.


“Conversa vai, conversa vai, ficamos sozinhos e já estamos há 31 anos juntos”, completa Maurílio. Eles tem o casal Yasmin, 23, e Maurino, 29. Ao que parece, o destino de ambos já estava “meio que traçado”: o pai de Maurílio, o conhecido Mestre Carlos, foi padrinho de Tia Lindoca!