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Batucada é o que mais emociona os torcedores do Garantido

Composta por um total de 350 ritmistas, a Batucada emocionou o público que esteve presente na gravação do “Red-Ray” do bumbá vermelho e branco 18/03/2013 às 16:42
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O peara Clemilton Pinto (à dir.) comanda a Batucada, minutos antes da gravação do “Red-Ray” do Boi Garantido
Mellanie Hasimoto Manaus (AM)

Ritmo, cadência, dedicação. Essas três palavras são poucas para expressar a emoção que a Batucada do boi Garantido representa para seus torcedores. Composta por um total de 350 ritmistas, a Batucada, afinadíssima, emocionou o público que esteve presente na gravação do “Red-Ray” do bumbá vermelho e branco, na noite do último sábado, 16.

A noite começou com a parte da Batucada que vive e ensaia em Manaus. Os 120 batuqueiros (dos quais 60 vão se juntar a Batucada parintinense durante o festival) já entraram “com tudo”, andando entre o público até chegar ao palco, arrepiando todos que estavam por perto.

Imbatível

Com 110 surdos, 90 caixinhas, 50 repiques, 50 rocás e 50 palminhas, a Batucada manauense é comandada pelo peara Clemilton Pinto, o “maestro” que está há 15 anos no cargo. Nesse período, o peara contabiliza 12 vitórias e dois empates. Reverenciado por todos que trabalham no Garantido, o peara relembrou sua história pouco antes de levantar os braços e sinalizar para que os músicos começassem a emitir os primeiros sons.

“Recebi o convite do poeta Emerson Maia para dirigir a Batucada em 1997. Naquela época, a Batucada estava com uma certa dificuldade em dar o tom certo para a toada ‘Parintins para o mundo ver’”, disse. Em uma conversa franca, ele acabou aceitando um desafio. “Eu fiz uma crítica sobre os procedimentos que estavam inadequados, e ele me perguntou se eu poderia resolver o problema. Aceitei o desafio e estou até hoje no comando da Batucada, junto com os pearas Alessandro Cabral, Marcelo Bilela e Jacinto Rebelo”, contou. Além deles, há ainda uma equipe de apoio composta por mais dez pessoas em Parintins, e outras seis em Manaus.

Paixão no sangue

O Boi Garantido é centenário, e pouco mais da metade dessa história tem a dedicação do aposentado Evandro Silva, 69. Ele é batuqueiro desde 1962, e este ano completa 51 anos participando da Batucada encarnada. “Meu pai já foi batuqueiro, então foi uma coisa que passou de pai para filho”, contou.

Seo Evandro toca caixinha como ninguém e, apesar de ser de poucas palavras, quando se fala no instrumento ele sempre está disposto a dar dicas para quem está ao seu redor. “Quem vem falar comigo, eu falo como eu faço. Às vezes dá certo para mim”, brincou.

Outro que carrega no sangue a paixão pelo Garantido é o estudante Lairton Rodrigues Costa. Aos 13 anos, ele é o ritmista mais novo, e é incentivado pelos pais, Nilza Lima e Lailson Rodrigues Costa. “Eu era o mascote da Batucada, porque comecei a tocar surdo com 5 anos”, disse o jovem, que aprendeu a tocar o instrumento com o pai.

“Ele queria tocar desde pequeno. Falei que ele tinha que completar 5 anos para começar. E agora meu outro filho, de 12 anos, também quer entrar na Batucada. Mas um é bom, dá para ‘reparar’, com dois já fica complicado”, disse Lailson. “Mas acho que o amor por esse boi vai ser maior que a preocupação do meu pai, e meu irmão também vai ser batuqueiro como eu”, adianta Lairton.