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Carnaval
EXÉRCITO INVISÍVEL

Conheça as costureiras que dão vida às fantasias do Carnaval de Manaus

Elas são trabalhadoras incansáveis responsáveis por materializar os sonhos dos carnavalescos e de uma legião de brincantes das agremiações. 15/02/2017 às 05:00 - Atualizado em 15/02/2017 às 10:43
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Soraia Almeida: 75 anos e dedicação pela Reino Unido, onde foi baiana. Foto: Winnetou Almeida
Paulo André Nunes Manaus

Todo o colorido que você vê nas fantasias durante o desfile das escolas de samba parte delas. Sem essas hábeis guerreiras do corte e costura não seria possível vestir os componentes de alas. Elas são as costureiras, trabalhadoras incansáveis responsáveis por materializar os sonhos dos carnavalescos e de uma legião de brincantes das agremiações.

Em Manaus as escolas trabalham com costureiras contratadas em sua grande parte por serviço terceirizado para confeccionar as fantasias. O trabalho é minucioso, detalhista, delicado mesmo, pois além do corte e costura há o refinamento de uma fantasia que busca gerar impacto e, claro, ganhar a atenção de jurados e das milhares de pessoas que prestigiam a apresentação no Sambódromo.

Há mais de 20 anos no mundo das escolas de samba, a costureira Soraia Almeida está há cerca de 4 anos como responsável por coordenador o ateliê de confecção de fantasias da Andanças de Ciganos. Ela lidera até oito pessoas no ateliê localizado em sua casa, em Petrópolis, bairro vizinho à Cachoeirinha, onde fica localizada a quadra da tradicional agremiação.

“Eu faço a escola inteira com a ajuda de outras pessoas. Pras agremiações é mais cômodo fazer tudo em um só lugar, pois produzimos e entregamos no dia sempre de forma tranquila. Trabalhamos muito, mas eu gosto do que faço, me entrego e me dedico. Geralmente começamos o trabalho aqui por volta de 7h e só terminamos às 17h”, explica a costureira, que por 20 anos fez fantasias para a Reino Unido.

Ela destaca que, por conta da falta de recursos da escola, o trabalho de confecção das fantasias começou na semana passada. “A partir da próxima semana provavelmente vamos ampliar esse horário de trabalho dependendo de não termos material. No Carnaval não tem essa de não tem tempo e deixa pra depois: no dia do desfile tem que estar tudo pronto e a escola tem que descer”, comenta a experiente líder das costureiras que, além de ser responsável por todas as alas de brincantes, ainda está designada para fazer a fantasia da bateria e de parte da ala das baianas.

“É muito gratificante e emocionante trabalhar como costureira. Não apenas pelo dinheiro, mas é muita emoção ver que você produziu tudo aquilo que estava no projeto de papel”. Uma costureira recebe a partir de 1 salário mínimo e meio (R$ 937 + R$ 468,50 = 1.405,00) por mês trabalhado no período.

No Reino Unido, a coordenação de um dos ateliês de costuras da escola, no próprio Morro da Liberdade, Zona Sul, sede da agremiação, está por conta de Fernanda Loureiro, que está na função de costureira e aderecista há 25 anos e que nasceu na rua da escola de samba, a São Pedro. “Começamos o trabalho aqui há menos de 15 dias aqui. Estamos um pouco atrasados, mas vamos conseguir completar todas as fantasias com certeza. Nossas costureiras e aderecistas são rápidas e a comunidade ajuda, se envolve”, conta ela, que coordena a confecção de 400 fantasias de 5 alas da escola do Morro.

Em média, uma fantasia do Reino consome 1 dia de trabalho. Para nada sair errado, o trabalho começa 8h e sem hora para terminar. “Às vezes varamos a madrugada e acabamos às 2h, 3h, amanhecemos o dia. O dia mais intenso é o sábado do desfile, quando as pessoas fazem até fila para receber as suas fantasias”, disse ela, que também vai desfilar: “Serei uma borboleta muito linda. A fantasia já tá pronta”.

Não há como não se emocionar com personagens como dona Aurora Xavier da Encarnação. Aos 75 anos, essa ex-baiana está firme e forte como costureira da Reino. “É um prazer trabalhar aqui pela minha escola. É muita emoção, ainda mais fazendo uma coisa que, quando a gente chega no Sambódromo, vê o resultado”, garante a dedicada costureira, que é conhecida como a “Baiana de Ouro da Reino Unido da Liberdade”.

Começo todo é com elas
Membro da  direção de Carnaval da Andanças de Ciganos, o artista plástico e decorador Ney Silva destaca a importância das costureiras para a beleza que se vê todos os anos no desfile.

“Elas são importantes porque tudo começa por elas. A costura toda em si, a escola toda tem que ser montada por elas pra depois chegar na gente. Da minha parte, a minha equipe é responsável por montar desde a parte do protótipo até a massa das fantasias no geral. Nós fabricamos de zero até 2 mil fantasias com uma equipe de 10 pessoas nestes cinco anos que estamos na Andanças de Ciganos”, disse o artista. “As costureiras são artesãs e guerreiras fazendo de tudo um pouco no Carnaval”, destaca ele.