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Construção de novos portos melhoraria o escoamento da produção no Amazonas

A solução para melhorar o entrave econômico seria aproveitar o potencial hidroviário que possui 40 mil quilômetros de extensão navegáveis 28/02/2013 às 10:57
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Porto da Bertolini, em Santarém, será reestruturado para servir de alternativa à ligação de Manaus com o Pará, via fluvial, e daí em diante, pela Rodovia 163
acritica.com ---

“Amazonas moreno, tuas águas sagradas são lindas estradas, são contos de fadas, ó meu doce rio”. O trecho da canção do grupo Raízes Caboclas reflete o contexto da realidade Amazônica. A complexa geografia da região e seus rios impõem limites à construção de rodovias, configurando um entrave econômico histórico para o transporte de cargas.

A solução, dizem os economistas, é aproveitar o potencial hidroviário que possui 40 mil quilômetros de extensão navegáveis. Diante desses fatores, a iniciativa pública e a privada vêm planejando a construção de novos portos que possibilitem melhorar o escoamento da produção industrial, receber matéria-prima e exportar produtos.

Um dessas saídas estudadas é o porto da empresa Transportes Bertolini, na cidade de Santarém, que deverá ser reestruturado quando estiver concluída a pavimentação da rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá). Isso reduziria em pelo menos dois dias a viagem entre o Norte ao Sudeste. O porto significará uma nova alternativa de rota rodo-fluvial, que hoje é feito via Rio Amazonas até a cidade de Belém durante em cinco dias de navegação, seguindo por estrada até o Sudeste em mais três dias.

“Com a abertura da BR 163, teremos uma redução nos custos da navegação, uma vez que o tempo de viagem entre Manaus e Santarém é de aproximadamente 36 horas em contrapartida às 56 horas de viagem entre Manaus e Belém. Outro fator importante é a diminuição do tempo total de viagem, por exemplo, de Manaus até São Paulo irá reduzir em até 2 dias”, disse o assessor da diretoria de Navegação da Bertolini, Emerson Noronha.

O Porto da Bertolini, uma empresa privada que atua na região Norte, possui capacidade para operar com apenas uma balsa de 35 vagas por operação de embarque e desembarque, com projetos para ampliação do terminal. Com uma rota fluvial mais curta e a possibilidade de uma incursão rodoviária mais rápida, a questão posta pela Bertolini é reduzir custos operacionais tanto para a transportadora quanto para seus clientes comerciais e industriais.

Segundo o Noronha, a equipe da transportadora viaja periodicamente pela rodovia BR-163 para acompanhamento das obras em curso. Até dezembro passado, ele afirma ter visto pouca coisa avançar nessas obras, o que não frustra os planos da companhia. No entanto, ele aponta as dificuldades logísticas que a empresa enfrenta com as longas distâncias e custo de transporte dentro do território amazônico.

“O problema são condições das rodovias a pouca segurança para as pessoas e mercadorias em trânsito e a falta de incentivos fiscais para a construção de equipamentos necessários para o transporte fluvial tão necessário para a Amazônia”, avalia Emerson Noronha.

Quatro perguntas para Thomaz Nogueira, titular da Suframa

1º A Suframa conhece essa alternativa do porto Bertolini e como encara essa proposta?

Conhece e encara com bons olhos qualquer iniciativa que vise redução de custos logísticos para a região, otimizando a estrutura da Zona Franca de Manaus.

2º No que compete à autarquia, quais portos estão sob sua alçada? O que ela pretende  mobilizar para esta ano?

A questão dos portos é da alçada da Secretaria de Portos (SEP) da Presidência da República. A Superintendência da Zona Franca de Manaus acompanha o assunto de perto e com grande interesse, mas, apesar da interação, não tem gerência sobre ele. A mobilização é para auxiliar sempre, no que for possível, para agilizar a criação de alternativas de entrada de saída de insumos e mercadorias na ZFM.

3º Como está a questão do porto da Siderama? Em que fase ela se encontra? Ele um dia vai sair do papel, já que está sendo prometido há décadas?

Estamos interagindo com a Secretaria de Portos e, até o final do ano, deveremos saber quem estará operando o porto da Siderama.

4º Como a Suframa avalia as iniciativas de melhoria do modal hidroviário, como os portos da Siderama, porto de Manaus, Bertolini, Porto das Lajes, porto do Madeira (a partir da BR-319)?

A Suframa apoia todas as iniciativas que tenham por objetivo contribuir para o desenvolvimento da região e, com certeza, alternativas na área logística estão entre estas iniciativas.