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Carnaval
Paixão dos torcedores

Eles deixam tudo de lado em nome do amor pelo ‘Boi do Povão’

A paixão sem limites dos que amam de coração o boi da Baixa do São José 18/03/2013 às 16:35
Show 1
Júlio Ramos se apaixonou pelo " Boi do Povão" em meio à torcida do contrário
Adan Garantizado Manaus

Não é à toa que o Garantido tem como seu símbolo máximo um coração. Afinal, o boi foi construído à base da paixão de seus fundadores e torcedores ao longo de 100 anos. Histórias de pessoas que são capazes de fazer qualquer “loucura” pelo vermelho e branco da Baixa do São José são encontradas em qualquer manifestação onde a Batucada tocar e o “Boi do Povão” estiver presente, como no último sábado, durante a gravação do Red-Ray no sambódromo. Idade, condição física, emprego, distância... nada é capaz de impedir a festa dos apaixonados pelo boi do coração.

O pequeno Luiz Guilherme, 5 resolveu “encarnar” o tripa do mini-boi que carregava ao avistar a equipe de A Crítica e brincou no ritmo da toada. Mas apesar da pouca idade, Luiz já pode ser considerado um “veterano” no Festival de Parintins. Ele já foi três vezes à Ilha Tupinambarana. E não vai ficar de fora logo no ano do centenário. “O Luiz já é Garantido desde a barriga e sabe tudo sobre o boi. Apesar de parecer loucura, ele vai à Parintins desde os dois anos de idade. Na primeira vez um policial tentou barrar a entrada dele no Bumbódromo, mas conseguimos passar. Desde então ele não quer saber de outra coisa”, disse a universitária Luciane Fernandes, 26, mãe do pequeno torcedor veterano.


Já o encarregado de transportes Luiz Castro Souza, 50, não pensou duas vezes quando seu antigo chefe tentou vetar sua ida ao Festival de Parintins. “Meu patrão disse que se eu fosse para Parintins, seria demitido. Respondi pra ele ‘mano, estou indo’ (risos). Não deu outra. Na volta, minha conta já estava batida. Mas valeu e sempre vale a pena acompanhar o Garantido. Não me arrependo. Agora já estou em uma empresa onde sou liberado para ir todo ano (risos)”, garantiu.


Rogério Nascimento, 36, é uma “figura carimbada” em todos os ensaios do Garantido em Manaus e não perde um Festival de Parintins. E nem a paralisia que lhe tirou o movimento das pernas durante a infância é capaz de frear a empolgação pelo Boi do Povão. “Não existe coisa melhor do que ir à Parintins. Faço questão de ir de barco, vou todo ano, e ficar no meio do fervo. Eu amo o Garantido e não tem coisa melhor. Amo a cultura do Estado do Amazonas e não troco esta festa por outra nenhuma”, contou o cadeirante.

E a paixão pelo Garantido consegue romper fronteiras. O cirurgião dentista Cássio Roberto, 34, ainda morava em São Paulo quando ouviu um dos “hinos” do boi vermelho e branco. Ao mudar para Manaus, não pensou duas vezes em escolher o boi do coração.

“Meu amor pelo Garantido foi à primeira vista. Fui contagiado quando ‘Vermelho’ estourou no País e ao desembarcar em Manaus há 12 anos, não quis nem saber do contrário. Já realizei inclusive o sonho de participar da Batucada no festival de 2008. Meu amor pelo Garantido é pra sempre”, derreteu-se Cássio.