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Especialistas dizem que Estado precisa livrar-se da dependência da Zona Franca

Um modelo com muitas deficiências estruturais na Zona Franca pode favorecer um declínio industrial em breve, conforme opinião de especialistas 28/02/2013 às 12:03
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O modelo da Zona Franca de Manaus é alvo de críticas de especialistas
acritica.com ---

A Zona Franca de Manuas trepida nas próprias pernas de suas deficiências estruturais. Especialistas advertem que o modelo não superá-las corre o risco de vir a entrar em declínio industrial brevemente.

O presidente da Associação Panamazônia, Belisário Arce, acha ruim a profunda dependência da economia amazonense da ZFM. “De algum modo, o modelo ZFM produziu uma apatia no ímpeto empreendedor local”, disse. A Panamazônia é uma associação civil de natureza privada, sem fins lucrativos ou político-partidários, dedicada a discutir os rumos da sociedade e da economia regional.

A crítica de Arce foi legitimada pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon), Marcus Evangelista. “Infelizmente a economia do Estado depende  exclusivamente do setor industrial. O Estado do Amazonas tem grande potencial econômico em outros segmentos como mineral e agro-industrial. Temos a segunda maior área demográfica do País, mas permanece economicamente inexplorada. Excluindo a capital, a maioria dos interiores são economicamente subdesenvolvidos, em sua maioria, dependem exclusivamente dos repasses do Estado e dos contracheques da Prefeitura para movimentar suas economias”, observa.

Ex-secretário de Planejamento do Estado, o economista Denis Minev, projeta uma visão obscura e fatalista sobre o modelo, que, em sua opinião, está entrando em um processo de decadência, como aconteceu com outras zonas industriais mundo afora. “No processo de desenvolvimento econômico, é comum que as cidades passem por esse processo, como Detroit, nos Estados Unidos; e Glasgow e Manchester, na Inglaterra. Todas elas passaram por um processo de industrialização, mas depois, quando enriqueceram, as indústrias migraram para outros locais, fazendo as cidades entrarem em grande declínio. Glasgow tinha 800 mil habitantes, aproximadamente, e caiu para 300 mil depois disso. Isso pode acontecer com Manaus, caso não leve em conta mais inovação tecnológica, com a nossa vocação economia que é a nossa floresta”, alerta.

Agir antes

Minev considera que o ideal é agirmos antes de acontecer um colapso. “É normal esperar que surja uma crise. Só se mexe em time que está perdendo. Se a indústria for simples, não dotada de inovação, acaba indo buscar mão de obra mais barata em outros lugares. E não é o que queremos. Queremos uma população com uma renda mais alta, e somente com recursos humanos de mais qualidade é que vamos conseguir”, observa.

Belisário Arce acredita que a Zona Franca deveria estar a serviço de todo o conjunto regional, de todos os estados amazônicos. “Isso, inclusive, redundaria em apoio político para o modelo de deputados e senadores dos demais estados da Amazônia. Hoje, não temos apoio de ninguém. Estamos sós e a caminho de um futuro incerto”, conclui.

Economista formado em Harvard e mestre em Administração pela Universidade de Wahrton (ambas nos EUA), Minev ressalta que enquanto o processo de automatização das indústrias vai reduzindo os empregos braçais, o Estado precisa desenvolver alternativas que tirem o foco da riqueza industrial. A exemplo de criar tecnologias na área de fármacos e de madeira, a partir da nossa potência florestal, ou desenvolver o ecoturismo.