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Estilistas e designers de moda do AM falam sobre suas criações em meio à correria para o desfile

Artistas que dão forma a fantasias e outros adereços são os responsáveis por materializar o sonho dos foliões e deixar o período ainda mais colorido 22/01/2016 às 12:17
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Só na moda, Kaleb Aguiar tem 10 anos de criação
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Artistas do Carnaval como os estilistas, costureiros e designers, que dão forma a fantasias, vestidos ou outros adereços, são figuras mais do que importantes na complexa engenharia que torna esta época tão mágica e fascinante.

Empenhados em materializar o sonho dos foliões, eles tornam o período ainda mais colorido e elegante. A CRÍTICA falou com três desses personagens referenciais em Manaus para saber deles a impressão, o dia a dia e o corre-corre frenético para dar vida ao puro e simples desejo de um amante da folia: brincar e se divertir.

De mestre-sala a mestre estilista

No atelier do designer de moda e carnavalesco da Vitória Régia, Kaleb Aguiar, 36, é assim: costura aqui, ajeita acolá, olha pra um detalhe que possa passar despercebido, etc.

Ao final, sai um trabalho que é reconhecido como de primeira no mundo do samba. Quando o entrevistamos, ele dividia a atenção entre a reportagem de A CRÍTICA e a confecção do vestido da 3ª porta-bandeira da verde e rosa, Yasmin Campelo.

Só na moda Kaleb tem 10 anos de criação, tendo confeccionado trajes refinados para as belas mulheres nos concursos do Miss Amazonas e Rainha do Peladão, passando pelas cirandas e bois-bumbás entre outros eventos.

No Carnaval, das suas mãos e genialidade saíram fantasias e vestidos não só para a Vitória Régia, mas para todas as escolas de samba do grupo Especial de Manaus. 

Seu refinamento vem do amor que ele tem pelo mundo do Carnaval, onde foi durante muitos anos mestre-sala da Balaku Blaku - onde começou como ítem mirim - depois na A Grande Família.

Na Vitória Régia ele assumiu o posto de carnavalesco no ano passado.O ritmo de trabalho intenso de Kaleb e sua equipe reflete em mais horas de trabalho diariamente.

E menos horas de sono. “Estamos trabalhando um total de 14 horas e dormindo cerca de 2 horas por dia”, garante o artista, que tem como maiores inspiradores o carnavalesco e artista de boi Chico Cardoso e o carnavalesco da Beija-Flor de Nilópolis, Laila.

Coerente e sem fazer “carão” (termo utilizado no mundo da moda para aquelas pessoas que fazem um gênero antipático empinando o nariz e olhando para o horizonte), o atencioso artista diz que, independente da escola de samba, que vença a melhor neste ano. “O que todos nós que estamos no Carnaval queremos é que dê tudo certo no desfile e que vença a melhor escola de samba sempre”, comentou ele.


Inspiração divina

O conceituado artista Werner Botelho admite que sua inspiração é divina e vem das conversas diárias que ele tem com Deus. “Nesses mais de 30 e poucos anos eu consigo entrar em sintonia com as pessoas com a minha criação e ela consegue absorver a ideia quando eu dou para ela. A inspiração é divina. Geralmente, eu durmo, converso com Deus e no outro dia eu tenho tudo ali. Até as cores, é incrível como elas vêm. Considero que é um dom”, garante o artista, que começou a criar para Carnaval em 1982.

Com passagens por várias escolas de samba da cidade e de outros Estados como a Leandro de Itaquera, de São Paulo, e para este Carnaval, Werner conta que fez criações para a ala show da Reino Unido e a comissão de frente do Alvorada, entre outras surpresas. Pra saber, só na avenida, dia 6, disse ele.


50 anos de carreira

Aos 66 anos de idade, o estilista Bosco Fonseca tem uma carreira consolidada de 50 anos seja confeccionando ou incorporando fantasias, vestidos de luxo, produzindo para escolas de samba da cidade ou atuando como comunicador na mídia local.

Mas, diferente dos anos anteriores, ele está, nesse período de Carnaval, se dedicando ao serviço de um importante casamento na cidade e deixar, até segunda ordem, a produção momesca um pouco de lado.Os serviços contratados para um importante casamento da cidade consomem tanto o talento do conhecido artista que ele ficou impossibilitado de trabalhar em confecção de fantasias ou qualquer outra coisa relacionada ao Carnaval deste ano.

“Atuo direto no Carnaval desde 1967, e trabalhei para a extinta escola de samba Unidos da Selva. Disputei e venci todos os concursos de fantasias da cidade, e confeccionei para todas as agremiações carnavalescas de Manaus. Mas, neste ano, tenho esse serviço de casamento e não farei Carnaval”, destaca o profissional, que foi responsável por confeccionar o tradicional Estandarte do Povo de A CRÍTICA.