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Extinta agremiação da Praça 14, Escola Mixta foi a precursora das escolas de samba de Manaus

O Carnaval de Manaus já foi considerado o segundo melhor do País, inclusive com transmissões de emissoras de TV como a extinta Manchete 16/01/2016 às 15:39
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Pavilhão e alguns troféus da histórica escola de samba Mixta da Praça 14 de Janeiro, a primeira de Manaus e que conquistou, em toda sua história, um total de 14 títulos
PAULO ANDRÉ NUNES ---

Nem o fim da época da borracha foi capaz de fazer com que os foliões amazonenses deixassem de brincar e extravasar os problemas do dia a dia com seus blocos de sujos, como vimos no último domingo em A CRÍTICA. Mas, nesta segunda e última parte sobre os primórdios do Carnaval local, entra em cena a história das primeiras escolas de samba de Manaus.

A precursora das agremiações carnavalescas da cidade foi a Escola Mixta de Samba da Praça 14 de Janeiro, fundada em 1946 e que existiu até o ano de 1962. “Seu primeiro presidente foi Fernando Medeiros, e o último Edmilson Costa. As cores do pavilhão da mais antiga escola de samba baré eram amarelo, preto e vermelho”, informa o historiador de Carnaval Daniel Sales. O nome é derivado da grande diversidade étnica, entre negros, caboclos e descendentes de portugueses da Praça 14 de Janeiro.

Tia Lurdinha, uma das mais famosas baianas, e quituteiras da Vitória Régia, desfilou por quase 30 anos pela Mixta. Ainda em vida ela sempre cantava um trecho de um samba de protesto da década de 1950 da antiga agremiação, de autoria de Zé Ruindade, onde “Não é direito /Não é legal / Mudar o nome de Praça 14 / Para Praça Portugal”.

Outra escola de samba contemporânea da Mixta foi a Voz da Liberdade, que trazia entre seus membros Zuíla Serra, a Dona Zuzu, hoje com 85 anos, uma das mais antigas baianas de Manaus e que desfila na Sem Compromisso. A Unidos da Cachoeirinha era outra agremiação famosa até então.


Jornalista e fundador da RCC, Umberto Calderaro foi homenageado pela Vitória Régia em 1995. Euzivaldo Queiroz

Na época da Mixta, quem também chamava atenção, mas não como escola de samba, era o Bloco Mocidade, que saía de uma serraria de Educandos com seus membros em cima de um caminhão e sempre aprontando surpresas para que os esperava na Eduardo Ribeiro (esse bloco desfilou de 1954 a 1978).

Com o fim da Escola Mixta, Manaus ficou sem desfiles de escolas de samba por quase uma década na Eduardo Ribeiro. Esse hiato acabou em 1971, quando surgiu a folclórica Unidos da Selva, das cores verde e branco, criada por militares do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), em sua maioria cariocas - e o retorno da Unidos da Cachoeirinha. Isso fez voltar a disputa entre as agremiações.  Em 1976 surgiu a Vitória Régia, a mais antiga escola de samba em atividade no Carnaval de Manaus.

Troca de Local

Por cerca de 75 anos a avenida Eduardo Ribeiro recebeu os desfiles de escolas de samba, blocos e batucadas. Em 1980, dois fatos bem interessantes ocorreram no Carnaval amazonense: a prática do topless e a transferência do desfile para a Avenida Djalma Batista, onde ficou até 1990. No local, as escolas passaram a receber um subsídio dos governos, no que é equivalente ao ocorrido em 1935 no Rio de Janeiro.

“O Sambódromo recebeu o primeiro desfile em 1992, mas ainda com arquibancadas provisórias. A inauguração completa aconteceu em 1994”, lembra Daniel Sales. Em 1991, representadas pela Liesme, as escolas não desfilaram por falta de apoio, e apenas o disco com sambas-enredos foi  gravado.


Escola de samba G.R.E.S Guerreiros do Vinho no Carnaval de Manaus. Arquivo

O Carnaval de Manaus já foi considerado o segundo melhor do País, inclusive com transmissões de emissoras de TV como a extinta Manchete.

Desde o início as avenidas Eduardo Ribeiro e Djalma Batista, junto com o Sambódromo, claro, receberam vários desfiles épicos e históricos de todas as escolas de samba de Manaus.

Todos os foliões tem um ou mais desfiles marcantes pelas suas agremiações Mas, em 1995, um Carnaval inesquecível foi o da Vitória Régia, que homenageou o jornal A CRÍTICA na pessoa de Umberto Calderaro, fundador da Rede Calderaro de Comunicação (RCC): folião nato, ele desfilou como destaque em um carro alegórico e recebeu o aplauso merecido do público.

Grandes eventos

Nas décadas de 1970 e 1980, Manaus vive uma era de grandes eventos carnavalescos organizados em clubes como Rio Negro, Nacional, Cassam, Fast Clube, etc.

Depois, entraram em cena bandas de rua, como a do Mandys Bar, em frente ao antigo Hotel Amazonas, seguida pela Banda da Bhaixa da Hégua, Bica, da Difusora, a megabanda Bloco das Piranhas (onde os homens se travestem de mulher) e de Educandos.