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Carnaval
TURISMO

Quatro carnavais diferentes no mesmo país: as alternativas de viagem em fevereiro

De São Paulo a Recife, opções para pular Carnaval não faltam no país. Veja lista completa 19/01/2018 às 14:57 - Atualizado em 23/01/2018 às 10:39
Show carnaval olinda recife pacote
acritica.com Manaus

O senso comum brasileiro costuma repetir todos os janeiros que o país só começa a funcionar após o Carnaval. Durante janeiro, segundo o imaginário coletivo, as pessoas se dedicam a esperar pela festa, seja para pular nos blocos, para se retirar ou para viajar para outro lugar. Segundo as agências de turismo, é nessa época que aumentam as procuras por pacotes de viagens, cruzeiro e passagens aéreas.

No Carnaval de 2017, por exemplo, Salvador, na Bahia, registrou ocupação de 95% dos hóteis e a criação de 200 empregos temporários para a festa. Os destinos nordestinos procurados pelos foliões também tiveram incrementos nas redes hoteleiras e nas econômicas locais: o Ceará recebeu cerca de 112 mil turistas com o impacto de aproximadamente R$ 140 milhões de receita direta na economia estadual. Em Recife - onde há um dos carnavais mais procurados do mundo - foi despejado R$ 1,2 bilhão de reais nos cofres do Estado.

“Os números positivos demonstram como o Carnaval é um importante indutor do turismo nacional, gerando empregos e renda. Nossa expectativa é crescer ainda mais e para isso estamos investindo fortemente na qualificação profissional e infraestrutura turística”, afirmou o ministro do Turismo, Marx Beltrão, à época.

O Carnaval brasileiro, porém, tem distintas faces. Nos últimos anos, a festa organizada em São Paulo, que sempre foi desconsiderada pelos próprios paulistanos, se tornou um dos eventos mais esperados da cidade, com um aumento de 28% no número de blocos pelas ruas. No Rio de Janeiro, a festa levou 1,1 milhão de turistas à cidade no ano passado. Entre os estrangeiros que passaram pela festa carioca, 94% disseram que queriam voltar. Tudo isso sem falar nos tradicionais carnavais de Recife e Salvador.

Para quem está pensando em curtir o Carnaval em alguns desses destinos, A Crítica conta um pouco sobre cada a festa em cada um deles.

São Paulo

Até pouco tempo atrás, o feriado de Carnaval em São Paulo era esperado para viajar a praia, visitar familiares no interior do estado ou desfrutar das festas em cidades do roteiro nacional. A farmacêutica Rosângela Barros, por exemplo, nunca tinha ficado na metrópole durante os dias do Carnaval até o ano passado. “Eu sempre dava um jeito de ir para algum lugar: São Luiz do Paraitinga, Ubatuba, Peruíbe (cidades do interior e do litoral de SP), às vezes ia pro Rio”, conta.

Em 2017, porém, ela decidiu ficar para ver se o Carnaval da cidade estava mudando como os amigos haviam falado. No ano passado, um dos grandes destaques da festa paulistana foi o show que o pernambucano Alceu Valença fez em um dos principais blocos. Rosângela ficou encantada. “Eu não pretendo sair daqui nunca mais”, relata ela.

Uma pesquisa do Observatório de Turismo e Eventos da São Paulo Turismo (SPTuris) mostra que, em 2015, o número de turistas nacionais que vieram à capital paulista para assistir aos desfiles das escolas de samba aumentou 22% em relação a 2014. Para esse ano, a Secretaria Municipal de Cultura recebeu propostas de apresentação de 384 blocos de rua, 40% a mais que no ano passado - um indício que a o Carnaval paulistano deixou de ser apenas no Sambódromo, onde as escolas de samba se apresentam, e foi literalmente para as ruas.

Rio de Janeiro

Se o Carnaval de São Paulo está se destacando pelos blocos de rua, o do Rio de Janeiro alia as festas pelas ruas com os cartões-postais da cidae e a praia. Os brasileiros de outras regiões aproveitam o período de folga no trabalho para conhecer o principal destino turístico do país, como mostram os números.

A ocupação média em 2017 ficou em torno de 78%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. O aumento em relação a 2016 foi de 8,33% para o período, mesmo com incremento de 18 mil novos quartos nos últimos anos. A maioria dos turistas são nacionais. Os bairros de Copacabana e Leme, próximos ao mar, lideraram no número de quartos ocupados, ao lado de Ipanema e Leblon.

Salvador

A capital baiana tem outro Carnaval: se São Paulo se ampara nos blocos e o Rio nos seus cartões-postais, os soteropolitanos têm uma festa mais tradicional, com grupos africanos característicos da cidade, circuitos musicais, blocos performáticos e os esperados shows de artistas baianos, como Ivete Sangalo e Gilberto Gil.

O circuito mais famoso de Salvador é que começa na Praia da Barra e vai até o bairro de Ondina, beirando toda a orla da praia. Por ele passam os famosos trios elétricos dos principais artistas do Carnaval. Todos eles puxam foliões com abadás ou os que seguem os veículos fora das cordas que circundam os veículos - a chamada pipoca. “A cidade passa o ano inteiro esperando pelo Carnaval”, relata a estudante baiana Mariana Game.

O Carnaval de Salvador também guarda experiências culturais típicas da cidade, como as apresentações do grupo Olodum nas ladeiras do Pelourinho, os vários afoxés que se espalham pelas ruas do centro e o cantado bloco dos Filhos de Gandhi, que andam por todo o Carnaval distribuindo guias de orixás. “O Carnaval baiano é muito mais baseado na africanidade que a capital tem enraizada na sua história e no seu cotidiano”, finaliza Game.

Recife e Olinda

A capital pernambucana e a pequena cidade anexa, consideradas irmãs e distantes uma da outra cerca de 7km, oferecem manifestações culturais e festas de diversos estilos: dos tradicionais aos modernos.

O principal deles talvez seja o que é considerado o maior bloco de folia do mundo, o Galo da Madrugada, que já bateu o recorde de 2,5 milhões de participantes. O nome do bloco se refere ao horário em que ele sai do centro de Recife: às 9h. O ponto alto da festa é a chegada ao galo gigante que fica instalado na ponte Duarte Coelho.

Em Recife ainda há a Noite dos Tambores Silenciosos, espetáculo de valorização da cultura e da religiosidade negras que acontece na segunda-feira no Pátio do Terço. A cerimônia reúne grupos de maracatus pernambucanos e seus tambores para louvar os ancestrais da África. O nome do grupo se refere ao fato de que os antigos escravos não podiam manifestar suas crenças e, assim, realizavam seus cortejos calados.

Em Olinda, o que atrai os turistas são os blocos que descem as ladeiras históricas com bonecos gigantes ou aqueles que são famosos pela tradição, casos como Eu Acho é Pouco, o Homem da Meia Noite e o Pitombeira dos Quatro Cantos.