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'Zona Franca de Manaus precisa se preparar para o que vem depois', diz Thomaz Nogueira

Essas são palavras do titular da Suframa, segundo o qual grande missão da autarquia é manter a capacidade operacional, ao mesmo tempo em que se busca a reestruturação estratégica 28/02/2013 às 10:05
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O titular da Suframa, Thomaz Nogueira, também destaca a estruturação de cadeias produtivas, a discussão de uma política econômica para o Distrito Agropecuário e para as Áreas de Livre Comércio
acritica.com ---

“A Zona Franca de Manaus completa nesta quinta-feira (28), 46 anos como exemplo mundial de um projeto de desenvolvimento econômico que deu certo. Mas não podemos sentar sobre os louros da vitória. Devemos, sim, manter toda a experiência conquistada ao longo destas quase cinco décadas, lutando para manter o pujante polo industrial aqui montado, case em manufatura dos maiores players mundiais do setor, mas também precisamos, paralelo a isso, traçar novas alternativas, reforçando setores como a agricultura e lutando por melhorias no capital intelectual e nas pesquisas aplicadas”

Essas são palavras do titular da Suframa, Thomaz Nogueira, segundo o qual grande missão da autarquia é manter a capacidade operacional, ao mesmo tempo em que se busca a reestruturação estratégica. “Nosso plano de trabalho anual trabalha sob a premissa de que 2013 já acabou, no sentido de que, a despeito do cenário mundial de crise, o ambiente de curto prazo é de otimismo, mesmo que cauteloso, com perspectivas de retomada do polo de duas rodas e novos recordes no polo de eletroeletrônicos, dois grandes segmentos do Polo Industrial de Manaus”, fazendo a seguinte ressalva: “A menos que ocorra algum grave acidente de percurso, a nau seguirá seu rumo mantendo e ampliando a velocidade de cruzeiro. O que precisamos é nos preparar para o depois. O que o futuro nos reserva? O que virá em 2014? Como adequar o projeto Zona Franca para o que se desenha?

“No início deste ano tive a oportunidade de participar da maior feira de eletroeletrônicos do mundo, em Las Vegas, e presenciei evoluções que afetam diretamente nossa realidade, como é o caso das novas TVs, tablets e smartphones com telas flexíveis. Tais equipamentos têm novos modelos de bateria, novos insumos nos displays e levam muito menos cabos e plásticos na sua composição”, diz Nogueira, para quem isso aponta para um futuro com demandas menores para nossos componentistas e a necessidade de se criar condições para que não percamos o parque instalado. “Precisamos, assim, não só nos preparar para acolher e produzir em nosso PIM as novas evoluções tecnológicas, como também identificar que novos produtos podem aproveitar a linha de insumos que já temos”, arrematou.

Estrada

Para pavimentar a estrada para o futuro, ele disse que um primeiro passo é concluir o processo de reorganização da própria Suframa, o que inclui um amplo programa que passa pela reestruturação de cargos e salários, criação de novas vagas, controle de gastos, otimização de convênios, maior interação com órgão de controle - para agilizar os processos burocráticos para as empresas do PIM – revisão organizacional, programas de capacitação e uma série de outras medidas para manter a excelência da autarquia.

Em sua opinião, a Suframa precisa estar preparada para metas ousadas como o reforço na inserção internacional, com ênfase na Pan Amazônia. “Nossos vizinhos, como Venezuela, Peru, Equador e Colômbia, compram motos de outros países quando aqui, em Manaus, temos as maiores indústrias de motos do planeta. Os países da América do Sul (fora o Brasil) consomem dois milhões de motocicletas que não são fabricadas no PIM. Temos que buscar esse mercado.

Antes as empresas não precisavam olhar para o mercado externo, por termos um mercado interno muito forte, mas esse é o momento de sair da zona de conforto e buscar novos desafios”, diz Nogueira.

Entre outros desafios, ele destaca ainda a estruturação de cadeias produtivas, a discussão de uma política econômica para o Distrito Agropecuário e para nossas Áreas de Livre Comércio. Precisamos discutir a logística da região e acompanhar de perto medidas já encaminhadas que devem otimizar nossas ações, como a reestruturação das vias do Distrito Industrial, a construção dos anéis viários, a licitação do novo porto, a conclusão da reforma do aeroporto, a chegada do linhão de Tucuruí e outras com previsão de conclusão para este ano, que devem tornar nosso projeto ainda mais atrativo. “É preciso definir uma política de excelência para o PIM, afinal somos referência em motos, TVs, celulares, ar-condicionados, relógios... e não podemos parar por aí. Mas devemos ter foco na atração de investimentos. Não podemos abraçar o mundo com as pernas, então temos que definir muito claramente o que queremos e marcar posição quanto a isso”, afirmou.

Por fim, mas não menos importante, segundo ele, precisamos dominar o ciclo de produção, portanto, ciência, tecnologia e inovação devem estar na massa do sangue de todos os envolvidos com a Zona Franca. “É hora de dar o novo passo, o passo da criação, de mostrar ao mundo que, além de sermos ótimos em manufatura, superando praticamente todos os parques fabris do planeta, somos criativos e podemos, com os técnicos, as ferramentas e os insumos que dispomos, lançar tendências, melhorar processos e efetivamente criar produtos em Manaus”, comentou Nogueira, acrescentando que “toda essa criatividade também precisa estar à disposição para gerar alternativas para o PIM, com redução da dependência que temos deste projeto e ampliação das fronteiras, com destaque para a agrícola, a naval e a matriz petróleo/gás”.