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30 anos sem Elis Regina

Cantores locais revelam o motivo de admirar a “Pimentinha” que revolucionou a música brasileira 19/01/2012 às 16:06
Show 1
Elis Regina
Rafael Seixas ---

A voz única, a personalidade marcante e as interpretações atemporais de Elis Regina continuam servindo de inspiração para artistas e até pessoas com profissões convencionais. Após 30 anos de sua morte, a se completarem amanhã, a “Pimentinha” – como era chamada por Vinicius de Moraes – ainda é referência ao se tratar de música e de vida.

Para a cantora Márcia Siqueira, o fato de Elis ser lembrada todos os anos mostra a importância de seu trabalho, não só como artista, mas como figura pública. “Ela trabalhou em prol da classe artística e foi uma das fundadoras da Associação de Intérpretes e Músicos (Assim). A Elis tinha uma posição política muito forte e foi quem trouxe, para o cenário brasileiro, todos os grandes compositores, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Gonzaguinha, Paulo César Pinheiro, Belchior”, disse Márcia, que em 2011 apresentou o show “Viva Elis!”, com canções celebrizadas pela artista.

Favorita


Outro que já prestou uma homenagem – em 2002 – a Elis foi Serginho Queiroz. A canção da Pimentinha que mais emociona o cantor e compositor é “Redescobrir”, de autoria de Gonzaguinha. “A letra fala da gente ser e se redescobrir todo dia como cantor, pessoa, ser humano... A Elis sabia dizer como deveria ser interpretado em cada estilo musical”. Durante toda sua carreira, Elis explorou sua capacidade vocal em diversos gêneros, entre eles MPB, Bossa Nova, samba, rock e jazz.

“Nossa função (de cantores) é bacana, porque nos inspiramos em alguém para fazer nosso próprio estilo. Com certeza, um dos mestres em que me inspirei foi na Elis Regina”, completou.

Fã desde criança

Nem é preciso ter sido contemporâneo para apreciar a arte de Elis. Karine Aguiar, vencedora da última edição do Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani), nem tinha nascido quando a cantora faleceu. Mesmo assim, se deixou influenciar por usa obra. “A Elis sempre esteve presente na minha vida em forma de música. Os meus pais são fãs dela. Antes de virar cantora já amava o seu jeito, a forma e a versatilidade como intérprete”.

De acordo com Karine, a carga artística e emocional de Elis era tudo que ela gostaria de ter. “Não é que eu queira imitá-la, porque ela é inimitável. Tudo que tinha na sua interpretação, eu queria trazer também. Além de artista, a Elis era uma figura política e, caso estivesse viva, teria um papel importante dentro do contexto político atual do País. A Elis Regina continua viva e, para mim, ela é imortal.

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Ygor Olinto, Historiador

 A coisa mais impressionante do canto da Elis é que ela diminuía todas as minhas angústias. Foi por meio do canto dela, que eu aprendi a ser uma pessoa melhor. Sua obra, em síntese, traz mensagens de respeito ao ser humano, de justiça social, solidariedade e de profunda esperança. Sempre me admirou sua inteligência aguçada. A Elis era comprometida com o seu tempo.

Comentário

Ana Célia Ossame, Jornalista de A Crítica

Depois de 1982, o mês de janeiro nunca mais foi o mesmo. As chuvas, comuns desse período, encharcam a melancolia que paira sobre as canções que não podem mais ter a voz e a emoção de Elis Regina de Carvalho Costa. Se Elis nasceu para pássaro, não tenho como afirmar.

Mas não é exagero dizer que não houve cantora com a capacidade dela de garimpar, no universo de compositores, tantos talentos formidáveis como Gilberto Gil, Milton Nascimento, João Bosco, Aldir Blanc e Belchior. Neste janeiro de 2012, três décadas depois de sua partida inusitada num acidente fatal com a ilusão do ópio, é interessante afirmar que na Música Popular Brasileira (MPB), o título de melhor cantora e intérprete ainda é dela. Que arrancava lágrimas dos olhos ao cantar “Atrás da porta” e nos levava ao palco de suas mais profundas emoções assim, no plural, como o seu nome e talento, Elis.