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A história do amazonense que foi voluntário na Copa do Mundo de 2002

Jonas Gomes da Silva conta sua trajetória como voluntário durante o evento mais importante do futebol mundial, e de como conseguiu assistir a final entre Brasil e Alemanha 18/08/2012 às 17:04
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O amazonense ainda guarda os livros que ganhou e a roupa que usou durante a Copa do Mundo de 2002
Nathália Silveira Manaus (AM)

Quem não gostaria de ver a história sendo escrita diante dos seus olhos?! Ou melhor, qual a pessoa que não tem vontade de participar diretamente dos fatos, tendo a chance de reunir lembranças e contá-las um dia a seus filhos, netos?

O amazonense Jonas Gomes da Silva se orgulha em narrar a melhor experiência de sua vida e a mais emocionante: ter sido voluntário da Copa do Mundo da Coreia e Japão em 2002, e ter em sua biografia a participação no primeiro Mundial realizado no continente asiático, onde o Brasil sagrou-se pentacampeão.

“A Copa vem rápido, vai rápido e e fica para sempre”, enfatiza Jonas, que pretende se alistar para o Programa de Voluntários Fifa para 2014, que abre inscrições na próxima terça-feira. Quando o morador do Petrópolis e tecnólogo em Manutenção Mecânica mudou-se em 1997 para o Japão para fazer mestrado em engenharia de produção, ele jamais poderia imaginar que participaria da primeira Copa do século 21.

Mas, ao receber proposta de continuar na terra do sol nascente para realizar um doutorado, ele percebeu que o calendário do curso coincidiria com o Mundial. Assim, ele não perdeu tempo e fez uma proposta a seu orientador. “Disse pra ele que ficava no Japão, se na época da Copa ele me liberasse um mês para eu assistir aos jogos. Assim, em janeiro de 2002, quando abriram as inscrições para o voluntariado e para a compra de ingressos, eu parti para as duas coisas, pois sabia que de alguma forma poderia me garantir no evento”, conta o sortudo Jonas, que acabou conquistando a vaga de voluntário e os ingressos mais baratos para as partidas.

De acordo com ele, a organização impecável do Japão e da Coreia fez com que o processo do voluntariado fosse prático e fácil, recrutando 1.500 pessoas. “Não precisei fazer entrevistas, apenas fiz minha inscrição pelo site da Fifa e lá disponibilizei todas as informações sobre mim. Como sabia que teriam muitos pedidos de voluntários do próprio Japão, identifiquei minha moradia com endereço de Manaus e entrei na cota dos estrangeiros”.

Trajetória

Durante o processo de inscrição Jonas Gomes apontou que gostaria de trabalhar no estádio de Yokohama. Após a convocação, Jonas teve que participar de três encontros para de treinamento Fifa, que aconteciam uma vez ao mês durante três meses (abril/ maio / junho de 2002), no final de semana com carga horária de pelo menos quatro horas.

Na época, o “jovem” de 31 anos, morava em Kiryu que ficava três horas de metrô de Yokohama. Jonas trabalhou em três partidas, pois na quarta e última apostou com sua líder que se o Brasil fosse à final, ela teria que o liberar para assistir ao jogo. E o Brasil chegou lá. Jonas assistiu ao jogo entre Brasil e Alemanha atrás do gol do goleiro alemão, Oliver Kahn.

“Ninguém acreditava que o meu País fosse à final. E eu num acordo sigiloso, tive a oportunidade de ver a conquista. Quando terminou o jogo eu só tinha uma opção: ir pro bar, e comemorar”, recorda.

O que é ser um voluntário

Aulas e intercâmbio Jonas Gomes da Silva, que atualmente é professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e trabalha na ONG Alternativo de Petropolis, ainda conta ao CRAQUE, que os treinamentos da Fifa eram compostos basicamente de palestras, onde se tratava sobre temas relevantes, como: O que é ser um voluntário? A importância do Mundial para a projeção do País e o intercâmbio que poderia ser gerado com o evento, principalmente entre Japão e Coreia, que colecionam entraves.

E ainda disponibilizaram uma aula sobre futebol: regras, jogos, quais seriam as partidas do Mundial e histórico. “Com tantos ensinamentos, eles faziam questão de ser enfáticos sobre a presença do voluntário, que é auxiliar as pessoas. Não estávamos lá para torcer, mas para ajudar. Esse trabalho é emocionante e gratificante. Não dá tempo nem de ficar cansado”, disse o professor.