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‘A situação do Vasco é coisa de euriquista’, afirma Juninho Pernambucano em entrevista

Jogador de futebol e craque que deixou o Vasco da Gama, desabafa que momento do clube é propício para aproveitadores 20/12/2012 às 11:25
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O Reizinho revelou detalhes que tanto o incomodavam no dia a dia da Colina
acritica.com ---

Defender o Red Bulls, dos EUA, não foi apenas uma decisão familiar. Obviamente, como Juninho faz questão de deixar claro, o ambiente que o Vasco vive atualmente influenciou, e muito, na escolha de não renovar seu vínculo com o clube. Em sua primeira entrevista após ter definido seu futuro profissional, o Reizinho revelou detalhes que tanto o incomodavam no dia a dia da Colina e garantiu que, se a situação fosse diferente, sequer teria ouvido outras propostas.

“Há muita coisa errada. O ambiente no dia a dia é duro, é sujo, e não posso ser escudo para isso tudo. Tenho somente que jogar futebol, é desta forma que eu poderia ajudar. E, dentro do campo, eu me garanto. Nada mais do que isso. A situação que o Vasco vive é propícia para oportunistas, como ex-dirigentes, conselheiros e até jornalistas. É coisa de euriquista, imagino que seja”, desabafou Juninho.

O que pesou em sua escolha?

Para responder isso preciso é voltar na minha reapresentação no clube. Eu falava que não estava voltando por voltar. Não estava voltando por não ter mais clube lá fora. Eu tinha uma proposta excelente para continuar no Qatar, de mais dois anos. Quando aceitei voltar para o Vasco, meu presidente lá falou que era a opção errada. Mas voltei, com contrato de seis meses e ganhando salário mínimo com premiações, mesmo com o Vasco oferecendo um contrato de R$ 500 mil. Apesar de certo receio, saiu tudo bem e, depois de seis meses, renovei. E também não tinha noção que a situação do clube seria tão difícil como é. Depois de um ano e meio, me dei ao direito de analisar outra situação profissional, pois sou jogador, não tenho que fazer outra coisa. Fiz o que podia fazer durante esse tempo. E vale lembrar que não teve quebra de contrato.

O Vasco ofereceu R$ 500 mil para você retornar?

A diretoria estava há três anos atrás de mim. O que eu pedisse naquele momento, se fosse para ser o salário mais alto do futebol carioca, o clube tentaria conseguir. Mas não voltei pela parte financeira, assim como não estou saindo agora pela parte financeira. Eu tinha uma dívida com a torcida.

E quanto a situação financeira do clube influenciou?

A proposta do Red Bulls está longe de ser das mais favoráveis. A melhor seria do Atlético. O que me ofereceram foi realmente tentador, além da possibilidade de conquistas, com um grande time. O Kalil e o Cuca conversaram comigo. Mas por tudo o que tenho com o Vasco, seria complicado sair para outro clube do Brasil.

Qual é a parcela de culpa do Roberto Dinamite?

Ele tem a sua parcela, mas tem muita coisa que é de antes da gestão dele. Não tem a parcela maior de culpa. O clube fez parcerias que foram prejudiciais e perdeu jogadores como Allan, Diego Souza... Talvez fosse preciso na ocasião fazer essas parcerias, mas o clube tinha que estar mais forte. Acho também que, após a Copa do Brasil, houve um relaxamento. Mas o Vasco tem que lutar sempre. Se sabia que a situação poderia ficar assim, tinha que já ter subido garotos da base há mais tempo, diminuir o elenco.

Você então vai encerrar a carreira no fim de 2013? E, depois, fará alguma especialização por lá?

Penso nisso, sim. Mas o primeiro desafio é jogar bem. E jogar ao lado de um Henry pesou. Depois desse um ano vou pensar em fazer outras funções, me especializar.

Você se preocupa com a reação da torcida do Vasco?

Um defeito que não tenho é esse: vaidade. Tenho a consciência tranquila. Nunca tive dois discursos, sempre tive um discurso só. Se fosse um ambiente limpo, poderia ficar. Mas o ambiente é sujo, informação é vazada. Tem torcedor, que é influenciado, que tenta denegrir a imagem. Sei que o verdadeiro vascaíno entende porque gosta de mim. Não tem interesses, está na arquibancada, paga ingresso, apenas por gostar do Vasco. Desse torcedor tenho pena, pela situação atual do clube, e respeito muito. As pessoas ficam incomodadas com as minhas atitudes.