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Almanaque Olímpico: Olimpíada sai do berço europeu rumo à internacionalização

Em princípio, a Olimpíada de 1904 aconteceria na cidade norte-americana de Chicago, mas os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), por 14 votos a dois, optaram pela cidade de Saint Louis, no Missouri, conhecida nos Estados Unidos como o “Portal do Oeste” 24/04/2012 às 12:31
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O canadense Étienne Desmarteau, brilhou na prova de arremesso
André Viana Manaus

A Lei de Murphy só foi criada pelo norte-americano Edward Murphy, em 1949. Mas, para desespero do Barão de Coubertin (pai dos Jogos da era moderna), ela explica com exatidão o que foi a Olimpíada de Saint Louis, em 1904. Por incrível que possa parecer, um fracasso superior aos dos Jogos de Paris, quatro anos antes.

Em princípio, a Olimpíada de 1904 aconteceria na cidade norte-americana de Chicago, mas os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), por 14 votos a dois, optaram pela cidade de Saint Louis, no Missouri, conhecida nos Estados Unidos como o “Portal do Oeste”.

Da mesma forma como aconteceu na capital francesa, Saint Louis realizava uma Feira Mundial no mesmo período dos Jogos. O COI preferiu Saint Louis no lugar de Chicago por dois motivos: naquela época a Olimpíada não tinha o apelo esportivo e comercial de hoje, portanto, ter a garantia de que ela aconteceria num local de grande circulação de pessoas era vital; e Saint Louis foi colonizada pelos franceses, cuja cultura, arquitetura e costumes sofrem forte influência da pátria de Napoleão.

Nem estes dois fatores, porém, foram capazes de impedir o fiasco. O número de países participantes caiu pela metade. Apenas 12 aceitaram ir até Saint Louis. Nem o Barão de Coubertin quis atravessar o Oceano Atlântico. Desta forma, três quartos dos 651 atletas participantes (645 homens e seis mulheres) defendiam as cores dos Estados Unidos. Fato - que assim como aconteceu em Paris - refletiu no quadro de medalhas (ver ilustração).

Se Paris reservou um clube sem estrutura para as competições de atletismo e o rio Sena, sem bloqueio de tráfego naval, para as competições de natação, a cidade norte-americana fez pior. O atletismo foi “passear” nos bosques pantanosos da região e a natação foi disputada em tanques de águas turvas, onde os nadadores tinham que lutar por espaços com peixes.

Mas nem tudo foi ruim em Saint Louis. Foi na simpática cidade norte-americana que o sistema de entrega de medalhas aos terceiros melhores atletas em cada prova foi adotado - e é respeitado até hoje. Foi lá também que começaram a aparecer os primeiros superatletas, como o ginasta norte-americano George Eyser, vencedor de seis medalhas de ouro. Um feito e tanto para uma pessoa que, por não ter a perna esquerda, competia - e vencia com facilidade - os adversários se utilizando de uma perna de pau.

Outros superatletas que encantaram o pequeno público que acompanhou os jogos foram os velocistas Archie Hahn, apelidado de o “Meteoro de Milwaukee” (ganhador dos 60, 100 e 200m rasos), e George Poage, o primeiro negro a ganhar uma medalha Olímpica, nos 400 metros com barreiras.

Se anos depois dos Jogos, o Mississipi arderia em chamas por causa da luta contra o racismo, inspirada nos ideais de Martin Luther King, o sucesso da Olimpíada continuava sendo um sonho grande e complexo como o segundo maior rio norte-americano.