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Almanaque Olímpico: Saiba como nasceu a era do esporte

Graças a um pobre político francês, o hábito secular da competição esportiva é resgatado para nunca mais parar 10/04/2012 às 08:21
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Estádio Olímpico de Atenas
André Viana Manaus

Aos que ainda acham que o esporte tem uma relevância que não merecia, e que os que o admiram ao ponto de marcar suas férias, cancelar compromissos e dedicar parte de sua vida a ele, não passam de desocupados ou pessoas cuja existência é vazia, um alerta: poucas invenções do ser humano resistiram há tantos séculos, quando a busca do homem por uma atividade que o impulsione a superar seus limites físicos por meios de uma competição sadia. Os Jogos Olímpicos são o maior exemplo disso.

De acordo com registros antigos, a primeira vez em que cidadãos de diferente nacionalidade - se é que na época esse termo existia - aconteceu no ano de 776 a.C. às margens do rio Alfeu, localizado na Grécia. Lá competidores de diversos estados do mundo helênico se reuniam para saber quem era o mais forte, o mais rápido, o versátil, enfim, o mais completo naquilo que se propunha a competir. O ritual, considerado pagão, resistiu por séculos, mas foi extinto no ano de 393, pelo imperador bizantino Teodósio I, o Grande.

A pequenez do homem que tentou proibir a prática esportiva competitiva durou mais tempo do que o período em que foi posto em prática pela primeira vez. Mas, no final do século 19, um nobre francês decidiu reacender a centelha. A intenção do Barão de Coubertin, considerado o “Pai” dos Jogos Olímpicos da era moderna, era recuperar o tempo perdido. Determinado e já eleito secretário-geral do recém-fundado Comitê Olímpico Internacional (COI), no Congresso de Paris, decidiu realizar a primeira edição dos Jogos em 1900, mas o desejo do francês - para gosto dele - foi antecipado em quatro anos, graças a intervenção do milionário grego Demetrius Vikelas, presidente do comitê, que bancou a realização dos Jogos em 1896. Coube ao rei Jorge declarar aberta a primeira Olimpíada da era moderna, com a frase: “Vida longa à nação. Vida longa à Grécia!”, no dia 5 de abril de 1896.

Com apenas 14 países (o Brasil não participou, o que só viria a acontecer 24 anos depois na Antuérpia), a Grécia recebeu apenas 241 atletas (todos homens) disputando nove modalidades. Muitos símbolos dos Jogos sequer existiam, como a Tocha Olímpica, a Pira Olímpica, os Anéis Olímpicos, o Hino, etc.. O mais importante, porém, estava presente: O Espírito Olímpico. Esse nunca mais se apagará.

Em comum com os personagens que vemos hoje em dia no Comitê Olímpico Internacional (COI) ou na Federação Internacional de Futebol Associados (Fifa), ou em qualquer outra organização esportiva existente, o francês Pierre de Frédy, mais conhecido como Barão de Coubertin só tem o jeito de cartola. Nada mais.

Um dos personagens mais admirados do esporte, jamais foi um esportista. De família nobre, era um político francês. Nascido no primeiro dia do ano de 1863, tinha a idade que Cristo morreu quando viu o sonho de retomar os Jogos Olímpicos se tornar realidade.

Seu esforço fez com que um pouco antes do início dos Jogos de Atenas, assumisse a presidência do COI, onde permaneceu até 1925. Sua trajetória à frente do cargo foi marcada pela luta contra a profissionalização do esporte. Essa batalha, ele perdeu. Mas não há dinheiro no mundo que compre seu legado. Morto em 2 de setembro de 1937, pobre, teve seu coração transportado para Olímpia, na Grécia, onde é mantido até hoje em um mausoléu.