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Almanaque Olímpico: Segunda edição dos Jogos Olímpicos foi em Paris

Com mais de quatro meses de duração, a Olimpíada de Paris foi marcada pela desorganização  17/04/2012 às 09:04
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A Feira Mundial atraiu a atenção da população parisiense deixando pouco espaço para os Jogos Olímpicos
André Viana Manaus

O sucesso da primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna fez com que a Grécia pleiteasse ser a sede eterna das Olimpíadas. O rei George I alegava que o berço do esporte era Atenas e a capital do país deveria ser sua morada. Argumento que não seduziu o visionário Barão de Coubertin. Para o homem que resgatou a competição, era fundamental a alternância de sedes, e foi assim que aconteceu. Francês, Coubertin escolheu Paris para sediar a segunda edição dos Jogos e estabeleceu, na condição de presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o intervalo entre as edições de quatro anos.

A vitória política do Barão, no entanto, terminou logo na abertura dos Jogos de 1900. Marcados para o mesmo período em que a Cidade Luz recebia a Feira Mundial - atual Expo - a última Olimpíada do Século 19 foi um fracasso absoluto.

Os parisienses não deram a mínima importância aos Jogos, estavam mais entusiasmados com a Feira Mundial, que apresentava as inovações industriais e tecnológicas em marcha na entrada do século 20. O descaso com os Jogos era tanto que a Olimpíada de Paris não teve sequer cerimônia de abertura.

Em seu lugar, o então presidente francês, Emile Loubet, fez um discurso breve e improvisado antes das provas de ginásticas, as primeiras da segunda Olimpíada. Com os principais locais reservados para a Feira Mundial, Paris teve dificuldade para acolher as provas. Por conta disso, os Jogos Olímpicos duraram mais de cinco meses. Festa, nem para os vencedores Olímpicos.

A organização dos Jogos não confeccionou medalhas. No lugar delas, os campeões, segundos e terceiros colocados levaram para casa pratos, guarda-chuvas e carteiras. Isso quando essas lembranças estavam disponíveis, pois, não raro, não levavam nada como condecoração para seus feitos. Muitos tiveram que esperar 12 anos para receber as “bugigangas Olímpicas”, e alguns - pasmem - só as receberiam em 1965, pois a organização do evento tinha dificuldade em comprovar a veracidade dos pedidos de premiação dos atletas.

Martelos voadores
 A péssima organização se refletiu nas provas. Para o atletismo - "pai" de todos os esportes -, Paris reservou as pistas do Racing Club. De terra, desnivelado e acanhado, as pistas se transformaram em verdadeiros pântanos e os martelos arremessados pelos atletas teimavam a obedecer à lei da gravidade, pois ficavam presos nos galhos das árvores existentes nos arredores do parque.

Nem o pequeno público que se interessou em acompanhar os Jogos escapou da desorganização, na final da prova de lançamento do disco, três arremessos do húngaro Rudolf Bauer - campeão da modalidade nos Jogos - caíram onde as pessoas estavam acomodadas. Competir em locais inadequados não era um tormento apenas para o atletismo, os esportes de quadra foram deslocados para salões insalubres. Pior aconteceu com a natação e o remo. Disputados no rio Sena, sem qualquer iniciativa por parte da organização de interromper o intenso trânsito fluvial de Paris, os competidores corriam risco de morte.

Quando os Jogos Olímpicos terminaram, a sensação da maioria dos franceses era de que eles só seriam reeditados se retornassem para a Atenas. Mas, felizmente, para as gerações futuras, entre a minoria estava o Barão de Coubertin, e ele, determinado, não quis recuar. A ordem era expandi-lo.

A vez da mulher
 Foi em 1900 que os esportes coletivos estrearam nas Olimpíadas da Era Moderna, com o futebol, o polo aquático e o rúgbi. Mas a estreia mais importante dos Jogos de 1900 foi a das mulheres. Foram poucas, é verdade, mas as 22 representantes do "sexo frágil" começaram em Paris a escrever uma história que jamais será interrompida.

Como toda vitória feminina pela igualdade dos direitos com os homens, participar dos Jogos Olímpicos não foi fácil. As atletas eram apenas toleradas em alguns esportes, desprezadas pela opinião pública e pelos organizadores do evento. Coube as francesas Brohy e Ohnier a honra de serem as primeiras mulheres a competir em uma Olimpíada, jogando croquete.

O maior opositor da presença feminina nos Jogos Olímpicos era o Barão de Coubertin. A indignação do “Pai” dos Jogos da Era Moderna era tanta, que, nas Olimpíadas de Amsterdã, em 1928, ele pediu demissão do cargo de presidente de honra do COI, durante seu discurso na Cerimônia de abertura, alegando que a crescente participação feminina nas Olimpíadas era “uma traição, aos ideias Olímpicos”.

Curiosidades

Ramón Fonst
O cubano foi o primeiro atleta latino-americano campeão olímpico, aos 16 anos. Fonst foi criado na França. Quatro anos depois, em Saint Louis, repetiu a dose na espada, no florete e por equipe e virou ídolo do esporte.

Supremacia
 Metade dos 997 atletas que disputaram os Jogos Olímpicos de Paris era francês. Portanto, não é difícil explicar o primeiro lugar geral no quadro de “bugigangas” nas segunda Olimpíada da Era Moderna.