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Amazonense que nasceu em Balbina vai disputar medalha em sua segunda Olimpíada

Conheça a história de Daynara de Paula, a nadadora amzonense que nasceu em Balbina e vai para sua segunda Olimpíada, disputando os 100 metros borboleta 13/05/2012 às 13:57
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Daynara de Paula em ação: dentro da piscina
Adan Garantizado ---

Uma amazonense nascida na “Terra das Cachoeiras” virou um fenômeno das piscinas brasileiras. Tanto que aos 22 anos, ela se prepara para sua segunda participação em Jogos Olímpicos. Pouco conhecida do público local, Daynara Lopes Ferreira de Paula trocou a Vila de Balbina, em Presidente Figueiredo (107 quilômetros de Manaus) pela cidade de Jacareí-SP, aos dois meses de idade. E foi lá, nas piscinas do interior paulista que Daynara desenvolveu todo seu potencial, e chegou ao nível de atleta olímpico.

Especialista no estilo borboleta, a amazonense que atualmente mora e treina no Rio de Janeiro (ela é atleta do Flamengo desde o começo do ano), conversou com o CRAQUE na tarde da última quinta-feira. Apesar de possuir poucas lembranças da terra natal, Daynara não renega as origens. “Meu pai trabalhava como soldador em uma grande empresa. Então nós mudávamos muito de cidade. Ele e minha mãe passaram dois anos em Manaus. Quando eu tinha dois meses, ele foi transferido para Jacareí. E aí, infelizmente, não pude conhecer muita coisa. Como não tenho família aí, nunca mais voltei”, relatou.

Daynara deu as primeiras braçadas aos 7 anos. Mas só começou a competir aos 11, defendendo o Trianon Clube. Aos 15, quando nenhum clube de Jacareí podia mais dar o suporte que precisava, a nadadora migrou para São Caetano. Logo, os resultados começaram a aparecer. Daynara quebrou o recorde Sul-Americano dos 50 m borboleta em piscina olímpica no ano de 2006. Aos 18 anos, a nadadora teve o gosto de disputar, pela primeira vez, uma competição internacional. Predestinada, a amazonense estreou em piscinas estrangeiras, logo nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Ela fez o 34ª tempo nos 100 metros borboleta e não passou da fase eliminatória.

Mas, a experiência Olímpica foi de grande proveito para Daynara. “Estava muito nervosa. Tudo era novidade. Mas deu tudo certo. O sonho de todo atleta é disputar uma Olimpíada. Aprendi muito na China”, garante a atleta.

Passaporte carimbado

Com vaga garantida em Londres, novamente nos 100 metros borboleta, a amazonense espera uma performance melhor nas Olimpíadas deste ano. “Estou com um planejamento muito forte. Fui finalista nesta prova no Mundial de Esportes Aquáticos em Roma, 2009. Vou representar bem o Brasil e dar o meu melhor. Espero chegar em uma final e quem sabe, até trazer uma medalha”, promete Daynara.

Vitória

Em Guadalajara, Dayanara conquistou três medalhas. Prata na prova em que é especialista, os 100m borboleta, prata nos 4x100m livres, além de levar o bronze no revezamento 4x100 medley. Foi um campanha arrasadora da nadadora amazonense.

O pior momento

Em 2010, quando era atleta do Minas Tênis Clube, e morava em Belo Horizonte, Daynara de Paula enfrentou o momento mais difícil da carreira. Ela foi flagrada no exame antidoping durante os Jogos Sul-Americanos de Medellín, pelo uso de furosemida (mesma substância com que a ginasta Daiane dos Santos foi flagrada). Na época, a atleta alegou que não quis se beneficiar da substância, que estava em um suplemento alimentar. Daynara foi punida pela Federação Internacional de Natação (Fina) por seis meses.

 Apesar de não gostar de tocar no assunto, a nadadora afirma ter aprendido muito com o episódio. A “redenção” de Daynara aconteceu no ano passado, durante o Pan-Americano de Gualalajara. Ela conquistou três medalhas. Duas pratas (100 borboleta e 4x100 livre) e um bronze (4x100 medley).

“Eu fiquei de fora do Pan do Rio (2007) por causa de 12 centésimos de segundo. Então meus resultados em Guadalajara foram uma grande vitória pessoal. O Pan é uma Olimpíada em menor proporção. Sem contar que competir com os EUA sempre é uma ótima experiência”, enumerou a amazonense.

Três perguntas

Já tentou vir ao Amazonas conhecer sua terra natal?

Faz muito tempo que eu tento ir pra Manaus. O problema é que praticamente não tenho férias. Treino muito e quando nos dão folga, é de uma semana no máximo. Aí tenho que aproveitar com a família (risos). Prometo que assim que conseguir um tempinho vou conhecer
Manaus.  

E que lembranças você tem da sua experiência olímpica em Pequim?

Foi algo maravilhoso. Olimpíada realmente é um outro mundo. Só os melhores estão ali. Sem contar que você esbarra com vários ídolos seus. Estava no refeitório e o Bernardinho com a seleção de vôlei sentavam ao meu lado. Andei mais um pouco e encontrei o Michael Phelps. Esse ambiente é muito bom.

 Muitos atletas jovens que vão a Londres já estão mirando as Olimpíadas do Rio, em 2016. Este é o seu caso também ?

Sim. Ir para uma Olimpíada não é fácil. São quatro, seis anos de preparação. O fato dos Jogos serem na nossa casa vai fazer com que muitos atletas se preparem em alto nível. Espero conseguir fazer isso também. Há também o fato de nenhuma nadadora brasileira ter conquistado uma medalha olímpica. Se eu, ou qualquer uma das meninas conseguir isso, será um feito grande, que vai motivar o surgimento de novas nadadoras. Uma nova geração.