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Amazonenses conquistam ouro no Brasileiro de Remo em SP

Atletas superam dificuldades estruturais e vencem categoria double skiff júnior do Brasileiro 18/09/2012 às 14:10
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Elineuto Vieira e Diego Maia no pódio mais alto do Brasileiro de Remo
Nathália Silveira Manaus

A medalha carregada no peito por  Elineuto Vieira e Diego Maia não significa apenas o lugar mais alto do pódio no Campeonato Brasileiro de Remo Junior, realizado em São Paulo, na raia olímpica da USP, no último final de semana. É bem mais que isso. Representa a superação de dois jovens que não desistiram diante de vários obstáculos. Vencedores na categoria double skiff junior, esses atletas tiveram que superar a falta de estrutura da Escola Amazonense de Remo e as atividades paralisadas desde 2010, devido a reforma da Ponta Negra, e se destacaram ao competir com duplas que fazem parte de outros clubes de regatas.

“A gente continua na mesma aqui: sem energia, água, vários materiais depredados e a falta de treinos. Entretanto, mesmo com tantos empecilhos e nenhum tipo de apoio, conseguimos ir à competição e trazer um resultado incrível”, considerou o técnico e vice-presidente da Federação Amazonense de Remo (FAR), Daniel Herszon. Segundo ele, tanto Elineuto quanto Diego chegavam a Ponta Negra todos os dias às 5h30 e treinavam até às 7h. Com o tempo limitado, os atletas conseguiam apenas fazer a parte técnica, enquanto a física ficava comprometida.

“Como a gente só podia treinar pela manhã, num horário em que é mais iluminado, e não tem tanta gente na Ponta Negra, fazíamos apenas a parte técnica. A física que deveria ser a tarde, ficava impossibilitada de acontecer e foi uma das minhas maiores preocupações. Mas, a força de vontade deles foi a saída para tudo isso. Imagina ir treinar e na escolinha não ter nem água para oferecer aos atletas?” disparou Daniel.

Além do cenário precário da escolinha de remo, técnico e atletas ainda tiveram que enfrentar o alto custo das passagens, hospedagens e alimentação na “terra  da garoa”. No total, foi gasto uma média de R$ 9 mil. “Foi o Daniel quem deu as nossas passagens. Se não fosse ele, não teríamos conseguido chegar lá. Além disso, faz um favor ao treinar a gente, pois não recebe para isso”, disse Elineuto.

“Com 12 provas em disputa no evento nacional, o Amazonas participou de apenas uma disputa. O primeiro lugar foi uma surpresa em tanto. Agora imagina se a gente tivesse alguma ajuda e pudesse ir a mais provas?”, ressalta Daniel Herszon, ao alertar que daqui a menos de um ano, talvez essa dupla de ouro já não faça mais parte da “casa”. Afinal, com um desempenho desses, logo receberão um convite para atuar fora, assim como aconteceu com Marcos Ibiapina em 2010, quando passou a representar o Vasco.

“Vão ser mais talentos perdidos para outros Estados. Mas, como é que ‘segura’ atletas de alto nível numa cidade em que mal tem escola de remo? Eles já estão fazendo muito em usar as ‘armas’ oferecidas aqui!”, afirmou Daniel Herszon.

Elineuto Vieira - Atleta

1  Em quase um ano de treino para o Brasileiro, o que mais prejudicou em relação a infraestrutura da escola?
Tudo é muito ruim. Mas, ter que descer no escuro da madrugada até a garagem é a pior parte. Não tem luz e ali na Ponta Negra. Está ficando muito perigoso, a gente se arrisca bastante. Fora isso, o que prejudica muito é  a falta d´água. Chegamos muito cedo, então quando terminar o treino estamos cansados e queremos comer algo, beber. Mas lá não tem água nem para tomar banho, imagina para beber.

2  Você é vendedor e ganha R$ 310 por mês. Com esse dinheiro, fica difícil se manter no esporte?
Com toda certeza. Já pensei até desistir. Mas, com o esforço do Daniel a gente fica até com pena de parar e deixar esse homem lutar pelo esporte sozinho. O remo já está tão prejudicado, que prefiro tentar continuar e reerguê-lo com meus amigos. Estou aqui por amor, pois se fosse por dinheiro não tinha nem começado.

3  Se receber um convite para defender outro Estado, deixaria Manaus?
É bem difícil responder isso, pois sei que em outro lugar vou receber apoio. Em compensação, como já disse, quero lutar pelo esporte. Iria pensar muito.