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Profissionais da Luta

Amazonenses que fizeram do jiu-jitsu uma profissão e ganharam o mundo

Conheça a história de lutadores de jiu-jitsu amazonenses que acabaram ganhando o mundo praticando o Jiu-jitsu 01/09/2012 às 17:21
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Ao lado da esposa, Alessandra, Carioca ensina a arte suave para o filho Vítor, 10
Leanderson Lima Manaus

Que tal ter um emprego no qual você pode viajar para vários países do mundo? Ganhar entre R$ 2.500 a R$ 10 mil por dia (valor que pode ser ainda maior dependendo do know how) e ainda fixar residência nos Estados Unidos ou Europa? É mas para entrar nesse mercado você precisa ser faixa-preta de jiu-jitsu. A arte marcial nascida no Japão e que foi aprimorada e difundida pela família Gracie já foi vista com preconceito nos anos 80 e 90, mas com a explosão do Ultimate Fighting Championship (UFC), nos anos 2000, a arte suave ganhou o mundo.

Hoje o jiu-jitsu é praticado nos quatro cantos do planeta e existem mais academias nos Estados Unidos do que no Brasil. E com toda essa expansão do mercado, logo os professores do chamado Brazilian Jiu-jitsu passaram a ser os mais requisitados do planeta.

Cristiano Carioca, 34, jamais sonhou que um dia o jiu-jitsu fosse lhe levar tão longe. Ele descobriu a modalidade quando era adolescente. “No início o meu pai não gostava e minha mãe não suportava... Foi muito difícil”, lembra. Tão difícil que Carioca saia de casa dizendo que ia jogar futsal... “Mas na verdade eu ia treinar jiu-jitsu”, lembra entre risos.  

O pai que era empresário da construção civil e só começou a apoiá-lo depois da conquista do primeiro título de campeão brasileiro. “Foi aí que ele se inteirou do que eu estava fazendo e começou a me ajudar. Ele disse: - Se é isso que você quer, então seja o melhor”, conta.

Cristiano investiu na abertura de uma academia em Manaus e formou vários campeões e descobriu talentos como Adriano Martins - recém contratado pela organização de MMA Strikeforce. O retorno financeiro, não foi imediato, mas, aos poucos, Cristiano foi pavimentando sua estrada no mundo do MMA, até se tornar técnico de chão de ninguém menos que Maurício Shogun Rua - ex-campeão do Pride e UFC.


Atualmente, Carioca trabalha como técnico do japonês Kid Yamamoto, e, com seus seminários, já viajou para dez países apenas este ano. “Conheço a China, Irlanda, Tailândia, Canadá... Já posso pagar uma escola particular para o meu filho. Dá pra viver muito bem”, afirma, sem revelar quando ganha. “Eu nunca desisti. Agradeço a Deus por tudo, mas às vezes sinto que a ficha ainda não caiu”, diz.]

De Manaus para a Dinamarca

Iran Mascarenhas, 34, é outro exemplo de amazonense que vive do jiu-jitsu, só que na distante e fria Dinamarca. Desde a segunda metade dos anos 90, Iran já treinava com o mestre Dedé Pederneiras - técnico de José Aldo - até que recebeu um convite de um amigo sueco para ensinar a modalidade na Dinamarca, em 2004.


 “No início tudo era novidade então foi bem legal até mesmo por estar em outro país, com uma cultura e idioma totalmente diferente”, lembra. E como foi a adaptação? “Minha maior dificuldade não foi nem com o idioma, mas sim com o frio. Aqui, no inverno faz -15 -23 graus”, revela. Para esquentar o coração deste amazonense só mesmo um grande amor. E ele começou a namorar a dinamarquesa Mônica, que treinava na mesma academia em que ele dava aulas. Dois anos depois de namoro eles se casaram e hoje têm dois filhos, Izabella, de 5 anos, e Lian, de 1 ano.


Além dos filhos nascidos na Dinamarca, Iran espera em breve levar para a Europa sua filha mais velha, Izen Mascarenhas, 12, - de outro relacionamento - que ainda mora no Brasil. Iran dá aulas de segunda a quinta - duas vezes por dia. Não trabalha na sexta e volta ao batente no sábado para uma única aula.

Além das aulas ele também ministra seminários por toda a Europa. O passaporte nem tem mais espaço para tantos carimbos. “Posso dizer que já conheci os cinco continentes”. Como professor Iran ganha aproximadamente R$ 3.500 por mês. “O mais importante para mim não é quanto eu ganho, mas se eu estou feliz com a vida que escolhi e eu estou feliz”, garante.