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Esportes
DIA DAS MÃES

Amor de mãe cura: Conheça história de Dona Lislei e a paratleta Laiana Rodrigues

Após dor e superação, Dona Lislei está próxima de ver a filha Laiana Rodrigues nas Paralimpíadas Rio 2016 08/05/2016 às 15:35 - Atualizado em 08/05/2016 às 16:02
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Laiana venceu a Síndrome de Guillain Barré com apoio da mãe. Foto: Antonio Lima
Denir Simplício Manaus-AM

Quão grande é o sofrimento de uma mãe com a dor de seu filho? Quantas vezes as mães desejaram padecer na escuridão ao invés de seus rebentos?A doméstica Lislei de Nazaré, 56, mãe da paratleta Laiana Rodrigues, perdeu a conta das vezes que se viu rezando pela filha, desejando estar no lugar dela quando, aos 18 anos, Laiana contraiu a temível Síndrome de Guillain Barré. Atleta de ponta do voleibol de quadra desde os 14 anos, Laiana teve uma das pernas atrofiada por conta da doença e foi obrigada a “enterrar”o sonho de jogar vôlei profissionalmente.

O drama de Dona Lislei e Laiana aconteceu no início dos anos2000. Atualmente, mãe e filha, curtem um momento mágico: a ex-atleta do Nacional está muito próxima de disputar os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro com a seleção brasileira de vôlei sentado. Modalidade que Laiana começou a praticar há pouco mais de um ano e já se tornou uma das peças fundamentais do time canarinho, que inclusive foi medalha de prata no Parapan de Toronto, no Canadá, e bronze no Mundial da Holanda. No entanto, a felicidade de hoje veio depois de muita luta e superação de mãe, filha e ajuda dos amigos.

“Ficamos muito tristes. Minha filha sempre foi alegre.Adorava jogar vôlei, sempre gostou de jogar bola e de repente... do nada a menina adoece. Foi um baque para toda a família”, lembra Dona Lislei, agradecendo a ajuda dos amigos e da “mãe postiça” de Laiana, a professora Lilian Valente, profissional de Educação Física e grande incentivadora da paratleta. “Passamos um sufoco nessa época, mas graças a Deus tinha a Lilian, que nos ajudou muito e os amigos também, que carregavam ela pra cima e pra baixo quando ela ficou sem andar”, disse.

AMOR DE MÃE CURA

Laiana passou cerca de um ano e meio sem conseguir andar e entrou em depressão por conta da deficiência. O apoio e o carinho das “mães” foi fundamental para que a paratleta, que chegou a desejar ter morrido com a doença, recuperasse a alegria e a vontade de vencer sempre.

“Tive Então foi bem dolorido esse período pra mim”, conta a ex-jogadora de vôlei convencional que também passou pelas equipes do La Salle e Rio Negro. Incentivada por Lilian Valente, Laiana prestou vestibular, ingressou na faculdade e hoje é professora de Educação Física no Colégio da Polícia Militar IV (CMPM IV) Áurea Pinheiro Braga,no bairro Grande Vitória.

Laiana ainda não é mãe, mas tem no sobrinho Marcos Lucas um filho que alegra a casa, além das dezenas de alunos que ela mesmo diz que já fazem parte de sua família. “Ele (Marcos Lucas) não me chama de mãe, mas eu sinto como filho e me sinto mãe verdadeira. Não só de coração, mas de corpo e alma. Ainda tenho meus alunos, que são meus filhos. Sou muito apaixonada e fico anciosa pra vir pra escola pra encontrá- los”, festeja. Neste domingo a casa de Laiana está em festa, não apenas pelo Dia das Mães, mas porque a paratleta da seleção brasileira de vôlei sentado completa 34 anos de vida. Perguntamos às personagens de nossa matéria qual o melhor presente neste dia tão especial para ambas. Dona Lislei olhou para a filha jogando vôlei com seus alunos na quadra e respondeu: “Da Laiana eu já tenho tudo. Não precisa ela me dar presente, basta o amor e o carinho dela”.

Laiana não titubeou e disse: “Seria trazer uma super alegria pra esse povo brasileiro, uma medalha de ouro no peito, vindo do Rio de Janeiro, numa Paralimpíada no nosso País. Esse seria o presente ideal porque esse é o sonho de todo atleta”, concluiu Laiana. Então vão aqui os nossos parabéns para a Laiana pelo seu aniversário e um Feliz Dia das Mães para Dona Lislei. 

Três perguntas para Laiana Rodrigues- Oposto da Seleção Brasileira de Vôlei Sentado

 Você já pensou em ser mãe?

Há um tempinho atrás eu tinha até planejado. Mas agora eu estou deixando a vida levar. Quem sabe um dia vai acontecer. Claro que a idade está avançando, mas eu tenho um sobrinho que eu abraço como meu filho e eu me sinto uma mãe verdadeira, não só como tia.

 O vôlei sentado foi um recomeço pra você?

Sim, mas na verdade já foi um recomeço fazer parte de um quadro funcional de professores de Educação Física... pra trabalhar com pessoas com deficiência .Ali foi que caiu a ficha. A minha deficiência na frente de tantas é mínima. Até perto das minhas colegas de seleção de vôlei sentado, que são amputadas. Então eu consegui superar muito bem depois que entrei na seleção, mas principalmente por ter convivido com pessoas com deficiência.

Você chegou a pensar em morrer por não poder mais praticar esporte e se formou em Educação Física, como foi isso?

Foi muito por incentivo da professora Lilian Valente. Fiz e me apaixonei. Achava que realmente eu não iria me adaptar, mas eu me apaixonei por isso aqui. Todos esses meninos que eu já pude fazer parte da vida deles e eles da minha... isso é sensacional. Aprendo muito com eles.