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EXCLUSIVA

Ana Marcela, única mulher tricampeã mundial em maratonas aquáticas, fala ao CRAQUE

A maratonista que acaba de conquistar Mundial e Copa do Mundo falou com o CRAQUE, e adiantou que a Travessia Almirante Tamandaré em Manaus fechará seu calendário 2017. 21/08/2017 às 19:34
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Ana Marcela teve um ano brilhante até agora. Em entrevista ao CRAQUE, ela fala sobre seus próximos desafios, sobre sua vinda a Manaus para a Travessia do Rio Negro, e muito mais. (Foto: divulgação)
Jéssica Santos Manaus - AM

Muito feliz com a bela fase na sua carreira, que inclui o tricampeonato na prova de 25 km do Mundial de Budapeste, e mais um ouro na Copa do mundo do Canadá, Ana Marcela Cunha, de 25 anos, falou com exclusividade ao CRAQUE sobre suas recentes vitórias, seu momento na carreira, rotina de treinos, natação brasileira, metas para o futuro e próximos desafios, incluindo a participação na  tradicional Travessia Almirante Tamandaré, no dia 3 de dezembro, em Manaus.


Maratonista aquática, Ana Marcela, nascida em Salvador, na Bahia, tem dominado as águas abertas em competições pelo mundo há anos, mas em 2017 “deu tudo certo”, como ela avalia. Entre suas conquistas mais recentes, a nadadora sagrou-se a única tricampeã Mundial, na ultramaratona de 25 km do Campeonato Mundial FINA, realizado em Budapeste (as duas outras vitórias foram em Xangai-2011 e Kazan-2015). No Mundial, ela conquistou ainda dois bronzes, nas provas de 5 e 10 km.  E, logo após os feitos, a nadadora foi ao Canadá para competir em mais duas etapas do Circuito Mundial 10km, e voltou do País dos grandes lagos com mais um ouro e uma prata. Mas quem pensa que Ana Marcela vai descansar um pouco agora, está enganado. Este ano, ela ainda terá várias competições importantes, e segue nadando em busca de mais vitórias.


Ana Marcela, você foi ao pódio em três provas diferentes no Mundial de Budapeste, 5, 10 e 25km. Como você consegue nadar provas de diferentes distâncias, e ainda ser uma das melhores do mundo nas três?
Eu estava voltando a treinar competitivamente há poucos meses, então aumentamos o volume de treinos focando mais a prova de 25km, assim consegui uma ótima base para disputar as três distâncias, e no final deu tudo certo.


Você conquistou o feito inédito de ser tricampeã na prova de 25 km do Mundial de natação. Isso, após ter passado por uma cirurgia no ano passado, e por um processo de recuperação. Por conta desses fatores, esse feito teve um gostinho especial? Qual foi a sensação quando você alcançou mais essa vitória?
Ser a primeira mulher na história dos Mundiais a chegar num tricampeonato de Maratonas Aquáticas é algo inimaginável, muito gratificante porque coroou todo o esforço e dedicação.


E, logo após essas conquistas tão importantes em Budapeste, você seguiu para o Canadá, e também foi campeã na prova dos 10km. Como você pode definir essa fase da sua carreira?
Após o Mundial nem deu para relaxar, seguimos pro Canadá para as etapas do Circuito Mundial 10 km FINA, consegui uma prata (Lac Saint Jean) e um ouro (Lac Megantic), esses resultados refletem a continuidade de nosso trabalho. 


Você nada desde bem pequena, e especializando-se em maratonas e ultramaratonas, precisa fazer treinos bem longos. Essa rotina de muitas horas nadando é difícil para você, ou você sempre mantém o entusiasmo durante sua preparação?
Faço tudo com muito foco, amo o que faço, então não vejo sacrifícios, apenas prazer, mesmo com tantas renúncias que uma atleta de ponta tem de fazer para alcançar seus objetivos. Sou feliz assim.


Com a mudança na gestão da Cbda e com os ótimos resultados da seleção brasileira de natação no Mundial, você está otimista para o futuro? O que gostaria que mudasse na natação brasileira para o esporte continuar evoluindo?
Procuro me dedicar ao máximo como atleta, acompanho de longe as questões “extra-água”, mas acredito que os dirigentes vão continuar melhorando as ações, e a política esportiva deve seguir se modernizando e apoiando os atletas desde a base.


Ano passado você esteve em Manaus na época da Travessia Almirante Tamandaré, mas não pôde nadar. Este ano está nos seus planos vir a Manaus para competir nessa prova, dez anos após sua última participação? 
Sim, adoro nadar a Travessia Almirante Tamandaré, Manaus é um lugar encantador e de povo acolhedor, sempre fui muito bem recebida lá, já incluí na minha agenda pessoal, se não me engano, será dia 3 de dezembro, e quero muito participar!


Quais serão seus próximos desafios até o fim do ano?
Viajo no próximo dia 21 para um Training Camp na África do Sul, e de lá vou para a Itália nadar a charmosa Travessia Capri - Napoli (36km), prova que sou recordista. Meu objetivo é brigar pelo bicampeonato. Depois, em outubro, tem as duas últimas etapas do Circuito Mundial da FINA, em Hong Kong e na China. A Travessia Almirante Tamandaré deve completar meu ano nas maratonas.


 Com o seu currículo impressionante, que/quais feito/feitos você sonha conquistar nos próximos anos? O que pode ser determinante para que você atinja ainda mais conquistas?
Já estou treinando dentro do novo ciclo visando os Jogos Olímpicos de 2020. O objetivo final é o pódio no Japão, é a conquista que todo atleta de alta performance almeja. Manter o foco em cada treino, cada momento de descanso e recuperação me parece fundamental para chegar lá. Depois começa tudo de novo, quero continuar trilhando esse caminho das maratonas aquáticas por muito tempo ainda.