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Esportes
PIONEIRO E DEMOLIDOR

Aos 70 anos, Edgar Monteiro de Paula conta história de pioneirismo e amor ao esporte

Edgar foi um grande atleta de vôlei, trouxe o handebol para o Amazonas, foi o famoso ‘Demolidor’, do Tele-ringue e, junto com seus irmãos, realizou muito mais no esporte 21/01/2018 às 08:45 - Atualizado em 21/01/2018 às 08:57
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Edgar conquistou campeonatos em várias modalidades diferentes, inclusive nas disputas de luta livre do famoso Tele-ring. (Fotos: Antônio Lima)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Edgar Monteiro de Paula Filho, que completou 70 anos nesta semana, pode ser definido como um dos grandes pioneiros do esporte no Amazonas. Ele e sua família fizeram parte da história de várias modalidades esportivas no Estado, e Edgar é lembrado até hoje como o grande atleta que foi e, principalmente, por ter dado vida ao personagem Demolidor, querido no Tele ringue – antigo programa de luta livre amazonense.

A história da família Monteiro de Paula é de pura ação. Edgar conta que seus pais sempre incentivaram ele e seus irmãos a praticarem esporte e, aos 11 anos, ele iniciou no voleibol do Olímpico Clube, de Manaus. “Comecei no voleibol, na quadra do Olímpico, que era descoberta, e logo depois fui para o basquete, porque já tinha boa impulsão. Fui crescendo dessa forma, até que aos 15 anos comecei a jogar no time titular de vôlei do clube, enquanto também colaborava com o basquete”, conta Edgar.

 Depois, aos 17, o jovem atleta deixou o seu amado clube do Olímpico, dando um novo impulso, desta vez, para o conceituado Clube Pinheiros, de São Paulo. “Eles me viram jogar no Campeonato brasileiro e, graças a isso, passei um ano no Pinheiros”, conta ele, que depois retornou a Manaus, onde cursou a faculdade de engenharia.

A história de Edgar no vôlei foi marcante e, na última quarta-feira, ele ainda teve uma grata surpresa, que ficou sabendo através da personalidade amazonense, Roberto Gesta. É que em 1972, a CBDU indicou os 12 melhores atletas de voleibol do Brasil, e o seu nome e o de dois irmãos seus, Eduardo (Dudu) e Evandro, estão na relação. “Para nós, termos sido considerados os melhores daquele ano é uma surpresa muito interessante e uma honra”, afirmou ele.

Quando retornou de São Paulo para Manaus, em 1966, Edgar trouxe na bagagem um novo esporte para os amazonenses: o handebol. “No Pinheiros, havia uma quadra desconhecida pra mim, a do handebol. Eu ia assistir, brincava e, quando vim de volta pra cá, houve a oportunidade de lançar este esporte e estimulamos a prática, primeiro entre meus irmãos e, depois, todos se animaram”, relembra ele.

Edgar (quarto jogador da esquerda para a direita, de pé) trouxe o handebol para o Amazonas. Foto: Antônio Lima.

O primeiro jogo oficial no Amazonas aconteceu na Semana Rionegrina de 1971. Depois, o time do Amazonas, formado por jogadores de vôlei e basquete, foi disputar os Jogos universitários e o Campeonato Brasileiro de handebol. “Todos ainda jogavam as outras modalidades, numa noite, volei, na outra, basquete, na outra, handebol (risos)”, relembra Edgar. “Depois, o professor João Oliveira deu orientações mais técnicas sobre a modalidade para aos atletas. O Amazonas evoluiu, o feminino cresceu bastante”, afirma ele.

Durante sua vida universitária, Edgar e seus irmãos representavam a indústria da família, a Modiesel, nos Jogos Universitários. “Não havia muitas opções do que fazer na cidade, então, os Jogos universitários, os campeonatos amazonenses e Jogos estudantis eram as grandes atrações que atraiam a comunidade”, afirma.

Mas Edgar não participava apenas de jogos coletivos, e, sim, “se metia em tudo”, como disse ele: No atletismo também, sempre corri, fiz salto em altura, salto em distância, lançamento de peso, disco, dardo. Não posso dizer que eu era o atleta, mas que eu era eclético, disputava todos os esportes, menos os aquáticos”.

Após a universidade, Edgar chegou a ir morar nos Estados Unidos, onde jogou vôlei na YMCA, em Ilinois. “Eu tinha que pensar na minha profissão, se eu iria seguir a carreira de atleta, porque o esporte era um hobbie”, disse ele.

Parece muito, mas nem o vôlei, basquete, handebol e atletismo foram suficientes para os irmãos Monteiro de Paula, que também conheceram bem a arte marcial do karatê. “Treinamos karatê com um sensei argentino, numa época em que o esporte era feito para o combate, para a briga, sem regras tão bem definidas, e crescemos, conquistando o 1º Dan (faixa preta)”, conta Edgar, que também vivenciou o início dos campeonatos de karatê em Manaus. “Sempre tivemos uma conexão grande com o esporte”, ressalta ele.

Edgar retornou ao seu primeiro clube, o Olímpico, para a reportagem do CRAQUE, e ficou muito feliz em rever o local e alguns de seus troféus.

A história do demolidor

Faixa preta no karatê e com noções de jiu-jítsu, Edgar foi convidado pelo jornalista Arnaldo Santos para participar de seu novo projeto: o Tele-ringue, um programa de TV que transmitiria a luta livre, no Amazonas. Eram lutas previamente ensaiadas entre personagens criados para fazer parte do grupo dos bonzinhos e dos malvados. Edgar sempre lutava fantasiado de Demolidor, e ninguém, além de seus irmãos, sabia a identidade do lutador, que se tornou um dos mais admirados do programa. Mostrando a roupa que usava, Edgar explica a dificuldade de usá-la. “Era uma roupa toda coberta, muito interessante por guardar o mistério sobre quem a usava, mas limitava a respiração quando a luta estava muito intensa (risos)”, conta ele.

 Mostrando o cinturão conquistado após sua vitória contra o Aquiles Matador, de Arnaldo Santos, Edgar explica como a luta foi importante. “Talvez tenha sido a grande decepção do Arnaldo porque ele dizia que ganhava do Demolidor e, por isso, ofereceu o próprio cinto”.

Edgar afirma que participou do tele-ringue por diversão, pelo esporte, e se surpreende ainda hoje com a repercussão que proporcionou. “Percebemos que marcou, e nunca passou pela minha cabeça que isso aconteceria, que o Demolidor chamaria tanta atenção. Mas as pessoas ficavam muito atentas, ainda que não fôssemos profissionais e, sim, praticamente amadores. Outra coisa é que o Demolidor era honesto, não trapaceava, e os jovens se identificavam com isso”, disse.

Assim, após infância, adolescência e vida adulta no esporte, Edgar afirma que nunca parou. “Sigo correndo com frequência, sempre em atividade”, resume.

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