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Abertura das Olímpiadas na Floresta mostra a diversidade da cultura amazônica

Teve de tudo, dança, apresentações sobre lendas, música, e até tocha Olímpica para abrir o evento na RDS 19/03/2017 às 07:29 - Atualizado em 19/03/2017 às 08:25
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A festa de abertura começou com 1h de atraso por conta da chuva que caía no local (Foto: Clóvis Miranda)
Camila Leonel Manaus (AM)

A cerimônia de abertura das Olimpíadas na Floresta,  na comunidade Vila Nova do Amanã, localizada a 638 quilômetros de Manaus. marcada para 19h30, começou com uma hora de atraso por conta da chuva. Coisas do clima amazônico. Chamava atenção a pira Olímpica, feita de madeira, e um arco com a inscrição “Olimpíadas na Floresta”, decorava o ambiente, complementado pelos anéis olímpicos, formado por quatro anéis – um a menos que os anéis olímpicos oficiais.

Como é típico do clima amazônico, o tempo mudou muito rápido. Nuvens carregadas trouxeram a chuva, que fez a cerimônia atrasar em 1h, mas a água não esfriou os ânimos dos presentes, que estavam arrumados e ansiosos. Com a trégua da chuva, a banda municipal de Maraã começou a tocar. Em seguida entrou Fabrício Feitosa, de 10 anos, carregando a tocha olímpica feita de bambu e vestido de pescador.

Participante do projeto Dicara, Fabrício é filho e neto de pescadores e apesar da pouca idade já aprendeu o ofício da família e ajuda em casa. Tímido, o menino resume o sentimento de carregar algo tão importante em uma Olimpíada.    “Me senti bem”, diz. E foi justamente por conta dessa característica que a mãe do menino, Ilma Pereira Silva, relutou em permitir que o filho levasse a tocha.

“Eu falei que não queria. Que tinha muitas crianças e aí disseram que tinha que ser ele mesmo e ai eu falei ‘meu Deus, ele vai passar vergonha ’, porque ele é muito tímido. Mas me disseram que ele não ia passar vergonha porque iam ensinar ele ainda bem que deu tudo certo”, disse a mãe, que no final ficou emocionada com Fabrício. “Me emocionou aquilo. Nunca tinha acontecido isso aqui eu fiquei muito feliz. Isso vai ficar registrado para sempre na minha vida e na vida dele”.

A família de Fabrício mora na Comunidade Santo Estevão, a dois minutos de Vila Nova, trabalha com manejo de pirarucu. O pai, Fábio Feitosa, não viu a apresentação de Fabrício e lamentou não estar na abertura, mas viu por fotos e declarou que sentiu “orgulho. Nunca pensei ver meu filho sair assim. Dá uma emoção tão grande na gente. Espero que daqui pra frente continue esse trabalho pra ele perder um pouco a timidez. O programa até ajuda nisso, faz as pessoas perderem as vergonhas”.

Após o acendimento da tocha, crianças vestidas de índios entraram com a bandeira do Brasil. Pequenos pescadores carregaram as bandeiras do Amazonas e de Maraã. Era o início da festa. Cada polo tinha uma atração para mostrar evidenciando a variedade dos povos amazônicos. Tinha de tudo: carimbo, quadrilhas juninas e danças indígenas.

Ao todo, 12 polos participaram das Olimpíadas, cada um reuniindo de três a seis comunidades. A comunidade mais próxima é Santo Estevão, que fica a dois minutos da sede olímpica. A mais distante é a comunidade de Porto Alegre, localizada no polo de mesmo nome. Para chegar, os atletas de Porto Alegre demoraram 13 horas, na volta, a previsão era de 20h de viagem.