Publicidade
Esportes
A REVANCHE

Lutador concede revanche ao rival após 23 anos de confronto histórico no vale-tudo

Alessandro Guimarães levou a melhor na primeira luta contra Rildo Pereira. O combate está marcado para acontecer no dia 3 de março em evento de MMA na cidade de Manacapuru 25/02/2018 às 08:00 - Atualizado em 25/02/2018 às 10:48
Show whatsapp image 2018 02 21 at 13.36.22  1
Primeira luta entre Alessandro e Rildo aconteceu no 1º Torneio de Vale-Tudo de Manacapuru, há 23 anos. Agora, a luta será reeditada. (Fotos: Divulgação e Winnetou Almeida/A crítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

O Amazonas vai assistir a uma luta digna de filmes hollywoodianos, ao estilo de Rocky Balboa. É que o lutador Rildo Pereira pediu a revanche de uma luta que aconteceu 23 anos atrás, e seu adversário, Alessandro Guimarães, aceitou o pedido, e conta que não teve como recusar. O aguardado combate será a luta principal do evento de MMA, Mr. Cage 33, no dia 3 de março, na cidade de Manacapuru, onde também aconteceu o primeiro combate entre os dois, no 1º Torneio de Vale-tudo da cidade.

“Eu sonhava alto e cresci no jiu-jítsu, fui campeão amazonense, brasileiro e mundial. Por isso, nunca pensei em repetir essa luta. Mas ele foi às redes sociais, a uma rádio, pediu a revanche, e, por isso, não tive como dizer não”, explica Alessandro, que lembra bem do dia da luta com Rildo. “Fizemos três lutas no evento, vencemos, e fomos disputar a final um contra o outro. Foi uma luta boa, e ele nunca digeriu a derrota pra mim, sempre quis um novo confronto”, disse o manauara.

Rildo, que é de Manacapuru, explica que ele não aceitou a derrota porque na época ninguém na sua cidade conhecia o jiu-jítsu, então, não dava para competir com Alessandro, que havia acabado de trazer a modalidade de Manaus. “O Alessandro trouxe o jiu-jítsu, e o Geraldo d’Ângelo trouxe o evento de vale-tudo. Eu lutava karatê e boxe, e ele levou a melhor porque eu não sabia me defender no chão, mas hoje sou faixa roxa de jiu-jítsu. Então nunca engoli essa luta porque ele já era professor de jiu-jítsu na época, não foi uma luta justa e, desta vez, vai ser diferente”, garante.

Apesar de resistir a concordar com o combate, agora Alessandro está animado. “Ele foi meio desaforado nas redes sociais, disse que esses 20 e poucos anos foram a favor dele, que trabalhou o jiu-jítsu, e que vai lutar bem melhor, então vamos ver. A nossa luta está sendo considerada histórica, e isso assusta um pouco, mas será uma honra fazer esse confronto”, afirma.

Rildo também está animado. Ele disse que as pessoas estão ansiosas para o combate. “Aqui todos querem ver eu voltar a lutar. Essa revanche está repercutindo muito, porque me consideram a lenda do vale-tudo de Manacapuru. Mas agora o vale-tudo tem regras, e hoje sei lutar jiu-jítsu. No ringue, sou faixa roxa, ele, preta, mas isso não faz muita diferença”, conclui o desafiante.

Estratégias

Alexandre pratica jiu-jítsu desde os quatro anos de idade e, para ele, a arte suave lhe basta para alcançar novamente a vitória contra Rildo. “O MMA está cheio de regras, mas não mudo nada do jiu-jítsu para lutar, pois é uma luta completa. Com ela, posso vencer meus adversários sem machucá-los. A arte marcial jiu-jítsu é minha filosofia de vida”. Assim, a base da preparação de Alexandre para o Mr. Cage foi a natação, a ginástica natural e o jiu-jítsu.

Rildo também tem a sua estratégia para vencer. “A luta dele vai ser levar pro chão, mas vou cansar ele em cima, e levar pro segundo round a luta. Queria definir no primeiro, mas melhor assim, estamos mais velhos, eu 45, ele 44, estou gordinho, ele também, então vou segurar e finalizar no chão”, destacou o lutador, que treina no CTAzul, de Manacapuru, com os mestres Azul e Caio.

Rixa antiga, mas, também, amizade

A rivalidade entre Alessandro e Rildo dura décadas. Alessandro conta que na época em que ele foi à Manacapuru ensinar jiu-jítsu, Rildo o chamou para brigar na rua, mas o confronto acabou não acontecendo desse jeito. “Ainda bem”, relembra o manauara. Mas a luta aconteceu sem luvas, sem divisões por peso, sem tempo determinado de combate, “valia tudo mesmo, tinha aquele brilho”, relembra.

Rildo explica que “as pessoas falavam muito em Manacapuru”, e que foi daí que surgiu a rixa na época. “Eu fiquei sabendo que ele havia trazido o jiu-jítsu para a cidade, e falei pro pessoal que eu não perderia pra ele, que brigaria com ele em qualquer canto, mas a luta só aconteceu no torneio mesmo”, disse Rildo.

Apesar de parecer que os dois são "inimigos mortais" desde jovens, não é assim. “Somos amigos, passou aquela luta, mantivemos contato, e ele vem pra cá, fica na minha casa, somos amigos mesmo, abraço, beijo ele, mas dentro do octógono vai ser bem diferente, e terminou a luta, volta a amizade”, afirma Rildo.

Épocas diferentes

Alessandro ainda lutou vale-tudo por um período, mas sofreu um atentado, levou cinco tiros, após derrotar um lutador de Porto velho. Ele se recuperou, mas fez sua história no jiu-jítsu. Hoje tem 44 anos, mas, na época da luta com Rildo, era um rapaz de 21. “Esse tempo que passou foi um divisor de águas para mim. Naquela época, eu era faixa roxa e, hoje, faz 20 anos que sou faixa preta. Acho que não mudei tanto a minha técnica, mas ganhei muita experiência, mudou a respiração, a minha forma de enxergar a luta, porque naquela época, eu lutava por amor, hoje, é um espetáculo”, disse. Agora, resta a ansiedade para a nova luta. "Há mais de 20 anos, ele me chama pra porrada, e o povo estava pedindo essa luta. Sou invicto e quero manter a minha invencibilidade", destacou Alessandro.

Rildo, 45, também participou de lutas de vale-tudo por cerca de três anos após o confronto dos dois, e parou de lutar por nove anos. “Parei todo esse tempo, e voltei. Foi quando tive a oportunidade de aprender o jiu-jítsu, e me tornar faixa roxa, com o professor Andrade. Da outra vez, levei a pior porque só ele conhecia o jiu-jítsu, mas, agora, vai ser diferente, vou entrar para vencer.”, relembra.

Publicidade
Publicidade