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Após anos, estádio da Colina será reconstruído em Manaus

Calculada inicialmente em R$ 21 milhões, a reconstrução inicia oficialmente nesta sexta-feira (22) de manhã, sob responsabilidade técnica da empresa Tecom 22/03/2013 às 12:02
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Além de outros problemas no estádio, parte do muro da Colina está destruido
Paulo Ricardo Oliveira ---

Fundado em 1961, o estádio Ismael Benigno, popularmente conhecido como Colina, pertencente ao São Raimundo, enfim será posto abaixo para ser reconstruído como Campo Oficial de Treinamento (COT), nos padrões da Fifa, para uso das seleções que jogarão a Copa do Mundo em Manaus no próximo ano.

Calculada inicialmente em R$ 21 milhões, a reconstrução inicia oficialmente nesta sexta-feira (22) de manhã, sob responsabilidade técnica da empresa Tecom (Tecnologia em Construções Ltda), vencedora da licitação.

De acordo com o coordenador-geral da UGP Copa do Mundo, Miguel Capobiango, a Tecon é uma construtora renomada, com obras prediais na área militar e que recentemente ganhou a licitação para a reforma do Hospital Universitário Getúlio Vargas. O COT Colina deverá ser entregue até dezembro, segundo Capobiango, para que seja testado em alguns jogos amistosos, antes de ser entregue à Fifa em abril de 2014.

A palavra reforma não cabe à Colina, porque a base de sustentação da arquibancada está totalmente comprometida, além das más condições de vestiários, da área de imprensa, dos banheiros e da área de acesso e circulação interna.

Há em vigência, inclusive, uma ação judicial de embargo da Colina pelo Ministério Público Estadual (MPE), cujo argumento tem base no risco de desabamento e na falta de segurança. “Não há a mínima segurança na Colina. Ela será praticamente toda posta abaixo. Até porque o padrão Fifa determina uma outra concepção de obra. Não dá nem para aproveitar as fundações, uma vez que hoje se utiliza estacas como sustentação”, detalha o gestor da UGP.

Palco de jogos memoráveis de Estaduais e competições nacionais, a Colina pertence ao Tufão, mas está hoje sob tutela do Estado após a assinatura do termo de comodato (contrato unilateral, gratuito, pelo qual alguém (comodante) entrega a outrem (comodatário) coisa infungível - bem móvel ou imóvel -, para ser usada temporariamente e depois restituída), desde 2009. O comodato da Colina para o Estado vai durar 20 anos, ficando, nesse tempo, a cargo do Executivo o custo de manutenção e a administração do estádio. Do valor inicial previsto para as obras. o governo federal vai arcar com R$ 20 milhões. O Executivo Estadual vai oferecer uma contrapartida de R$ 1 milhão. O padrão Fifa determina área ampla e segura de estacionamento, além de praça de alimentação, banheiros e lojas.

Perguntas: Coordenador-geral da UGP Copa, Miguel Capobiango

1º O que pode atrapalhar para que a Colina não seja entregue na data prevista?

Nossa ideia é que a Colina esteja pronta em dezembro para que possamos realizar eventos como testes e entregar a obra pronta nos padrões da Fifa em abril de 2014. Não há como dar errado, uma vez que há aporte de recursos do governo federal e a vencedora da licitação é uma empresa de fôlego. Vai tudo dar certo.

2º Como vai funcionar a administração do estádio?

Durante a vigência do termo de comodato, os custos de manutenção e a responsabilidade administrativa fica a cargo do Estado. Depois a bola será passada para o clube, com um belo patrimônio para ser usado para o bem do futebol amazonense. Aí é com o clube. O Estado não mais responde.

3º E os outros COTs da cidade, quando saem?

A prioridade é a Colina, mas deveremos correr com as obras do COT  do anexo da Minivila Olímpica do Coroado e da Zona Norte.

Delmo quer lugar para Projeto

A reconstrução da Colina nos padrões da Fifa sugere um legado para as gerações futuras, porém atrapalha a vida de cem garotos da escolinha de futebol  levada a cabo pela São Raimundo. O projeto social está sob responsabilidade técnica de Delmo Arcângelo, hoje com 39 anos e aposentado dos campos, o maior ídolo da história do clube. “Vejo essa obra como um excelente patrimônio para o clube, desde que as futuras administrações saibam zelar. É um legado para as futuras gerações do futebol”, disse o artilheiro.

No entanto, conforme Delmo, a reconstrução acaba, de imediato, com um trabalho que já vinha sendo feito na Colina com crianças adeptas do futebol, muitas de classe pobre. “Dessas cem crianças, 40% são bolsistas. Não tinham o que fazer além de ficar na rua. Estamos aguardando a liberação de um campo do Santo Antônio”.