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Árbitro agredido no Amazonas: ‘Nunca imaginei passar por isso’

João Batista da Cunha fala sobre agressão sofrida em jogo em Iranduba na quinta rodada do Campeonato Amazonense 06/04/2012 às 13:41
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João Batista da Cunha mostra o resultado da fúria do jogador Dérlan
Nathália Silveira Manaus

 Após  ter sido aconselhado pela Comissão de Arbitragem do Amazonas a não falar sobre as ameaças e agressões que sofreu, na quarta-feira passada, o árbitro  João Batista da Cunha, que exerce a função há oito anos, recebeu em sua casa, em Rio Preto da Eva (a 87 quilômetros de Manaus)  a equipe do CRAQUE e falou sobre o episódio que envolveu o zagueiro Derlan, o Dedé,  no jogo entre Iranduba e São Raimundo, em Iranduba. Depois de ser expulso por xingamentos e atos que insinuavam arbitragem parcial, o jogador foi para cima do árbitro, que recebeu socos nas costas e chutes nas pernas. Batista afirma que sente dores onde levou os golpes, mas que sua perna esquerda foi a mais prejudicada.

“Não estou com nenhum hematoma graças a Deus. Quando o Derlan começou a me bater, eu abaixei e isso evitou que meu rosto recebesse os socos. Assim, ele apenas conseguiu atingir as costas. Mas onde estou com muita dor mesmo, é na perna”, contou o árbitro, ao afirmar que nada justifica o ato do zagueiro de Iranduba, e  que não terá medo de arbitrar outros jogos. A sua  próxima partida, aliás, será amanhã no clássico Pai-Filho, no Sesi. “Estou receoso, mas prefiro me concentrar e confiar que este fato jamais vai se repetir novamente. Até porque, nunca imaginei uma atitude dessa contra mim. Nunca tive medo,  expulsei e expulsaria ele (Derlan) novamente”, comentou.

Após a agressão, Dedé foi detido na Delegacia de Iranduba (a 22 quilômetros de Manaus) e João Batista registrou um Boletim de Ocorrência.

Arrependido
Um dia depois da agressão que ganhou as páginas dos principais jornais esportivos do Brasil,  Derlan, se disse arrependido. “Já parei para pensar muito no que fiz e confesso pra você que eu estou muito arrependido. Não sei explicar”, disse o jogador. “Conversei com minha mulher e minha mãe, que inclusive está passando por uma situação complicada. Minha reação foi mais porque o árbitro falou xingamentos para mim que atingiram minha família. Aí o sangue subiu”, justificou.

Derlan sustenta a tese de que não merecia levar os cartões. “Não fiz gesto nenhum, como dizem. No primeiro amarelo, levei uma cotovelada e mostrei para ele que minha boca tava sangrando. Perguntei se o jogador que tinha me machucado não teria que levar cartão. Aí ele respondeu: ‘Você quer cartão, então tá aí, seu filho da p...’. Isso mostra que o árbitro não está preparado para trabalhar”, revelou.

O jogador Derlan já recebeu uma suspensão preventiva  de pelo menos 30 dias.

 Federação convocará reunião
O diretor da Federação Amazonas de Futebol (FAF), Ivan Guimarães, disse que devido a confusão acontecida no jogo entre São Raimundo e Iranduba na última quarta-feira, irá convocar uma reunião para a próxima semana (sem data definida), com todos os presidentes dos clubes amazonense para tratar do comportamento de alguns dirigentes nos dias de jogo.

“A FAF tem feito um bom trabalho, mas na hora do campo as coisas fogem da gente. Por isso, vamos ter uma reunião pois queremos mostrar alguns fatos que não podem acontecer num futebol que chamamos de profissional e que deveria ser profissional. Depois ninguém sabe porque é difícil arranjar patrocínio”, comentou Guimarães.

Segundo Ivan, o caso repercute muito mal, num momento em que o Futebol Amazonense começa a colecionar torcedores dentro e fora dos estádios. O diretor da FAF ainda acusa os dirigentes do clube de anti-profissionais.

“A gente fica chateado com toda essa situação. Mas, os dirigentes são os primeiros a dar mau exemplo tentando invadir o campo. O próprio Derlan (jogador que surrou o árbitro) saiu aplaudido do jogo de quarta. Mas é isso que acontece quando o não há comando num time”, disse Ivan, afirmando que se os atletas não conseguem se comportar de acordo com as leis do futebol, deveriam tentar a sorte em eventos de luta.