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Esportes
ESTRUTURA

'Arena Pererão' foi o Parque Olímpico dos jogos realizados na floresta amazônica

Com duas quadras de vôlei, dois campos de futebol, que se transformavam em campo de queimada, e pista de corrida, Vila Nova do Amanã se estruturou para receber os jogos 19/03/2017 às 15:25 - Atualizado em 20/03/2017 às 14:27
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Tudo foi pensado nos mínimos detalhes para as Olimpíadas na Floresta (Foto: Clóvis Miranda)
Camila Leonel Manaus (AM)

Não foi apenas na decoração e na festa de abertura que os moradores de Vila Nova do Amanã capricharam. Eles pensaram na estrutura olímpica. Um grande campo dividido em estruturas menores serviram de instalações para a competição. Para o futebol, havia dois campos: um medindo 90 de comprimento por 45 metros de largura destinado ao futebol na categoria de 13 a 17 anos. O campo recebeu o nome de Arena Pererão, em homenagem ao patriarca da comunidade.Os menores, da categoria de 7 a 12, jogavam em um campo medindo 40x25, a Arena Pererinha – assim batizado pelos narradores das Olimpíadas. As traves eram feitas de madeira e as redes ficavam presas engatadas em pregos.

 Um diferencial da Arena Pererinha era a iluminação, com postes de luz que funcionavam com energia solar e possibilitava os jogos à noite. “As luzes acendem às 6h da tarde e apagam às 3h da manhã e aí dá pra ter jogo à noite. A iluminação fica perfeita”, disse o analista pedagógico da FAS, Enoque Ventura.

 Para o vôlei também havia duas quadras, uma para o masculino e outra para o feminino. A altura da rede era diferente – 2m10 para o masculino e 1m90 para o feminino – assim como nas competições oficiais da modalidade. Aliás, para definir medidas, regras e duração das partidas, foi feito um regulamento pelos próprios moradores.

“A comunidade criou um comitê com representantes deles mesmo e da FAS e para todas as modalidades eles criaram um regulamento deles mesmos. Não copiaram de regulamento oficial nenhum. Eles mesmos foram dizendo o que podia e o que não podia na visão deles e esse regulamento  tá registrado tudo, até a dimensão de campo”, explicou.

 Outro ponto em destaque era a versatilidade. Na manhã de domingo, em vez de futebol, a Arena Pereirinha foi usada para a queimada e corrida de saco. No caso da queimada, pedaços de pano demarcavam as linhas de meio campo e a “área do morto”, já no caso da corrida, bandeirinhas na beira do campo determinavam a largada e chegada. Além dos campos, havia a pista de corrida de 100m. A única atividade que foi feita na parte coberta foi o dominó, que aconteceu no Centro de Convivência de Vila Nova do Amanã.

Arena Pererão

O nome Arena Pererão foi dado pelos moradores ao habitante mais antigo de Vila Nova do Amanã, o seu Sebastião Pereira, de 82 anos, que nasceu e se criou no local. Filho de um pescador de peixe-boi, o Pereira ainda tem na pesca o seu ofício. Ele conta que na véspera da abertura pescou seis tambaquis no rio. “O pessoal se admira que eu ainda pesco. Eu tô com essa idade toda, mas eu aguento estar no igapó, que é sombra. Eu não aguento é andar muito longe. Não quero tá parado não porque se você ficar parado, vai  ‘encravando’ tudo”, explicou.

Feliz com a realização das Olimpíadas, Pereira não escondia a alegria de ser homenageado pela comunidade. “Eles gostam de mim aqui e eu fico animado por isso porque quando falam ‘olha vamos lá na Arena Pererão fazer um jogo, eu me acho muito alegre e satisfeito por isso. Estava assistindo o jogo lá falei com os meninos que tô gostando sim, por isso que estou aqui acompanhando os jogos”, disse o pai de quatro filhos e vô de netos a perder as contas.

Alimentando a Tropa

Aproximadamente 500 pessoas compareceram às Olimpíadas na Floresta e para alimentar todo mundo, foi necessário uma equipe formada por nove pessoas: seis mulheres e três homens. Os trabalhos começavam cedo. Às 4h da madrugada as panelas já estavam no fogo para preparar o café, que era servido às 6h. A partir das 6h30 começavam os preparativos para o almoço.

De acordo com Lucimar Pereira, por dia foram usados 30 frangos, 20 pacotes de macarrão e arroz e mais sete quilos de feijão.  Os atletas faziam três refeições por dia: café, almoço e jantar. Apesar do trabalho puxado, Lucimar se dizia orgulhosa com a função que estava desempenhando. “Tô feliz com esse evento que tá aqui... ah, mas eu tô muito feliz de ver esses atletas, essas crianças aqui na comunidade”, declarou.