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Assinados acordos para uso da tecnologia de linha de gol no Mundial de Clubes

Representantes dos dois fornecedores licenciados debateram o tema na Soccerex. Competição no Japão será teste para a decisão de qual sistema será usado na Copa das Confederações e no Mundial de 2014 27/11/2012 às 19:22
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Da esquerda para a direita: Vítor Baía, Thomas Pellkofer, Paul Hawkins, Christoph Schmidt, Alex Horne e Matt Lorenzo, mediador do debate
Carol Delmazo / Portal da Copa, com informações da FIFA Rio de Janeiro (RJ)

Foram assinados nesta terça (27.11) os acordos entre a FIFA e os dois fornecedores licenciados para uso da tecnologia da linha do gol na Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2012,  que será realizada de 6 a 16 de dezembro, no Japão. No estádio de Yokohama, será usado o sistema da GoalRef e, em Toyota,  a Hawk-Eye instalará seus equipamentos.

A polêmica do uso da tecnologia para atestar se a bola passou completamente a linha entre as traves ganhou força na Copa do Mundo da FIFA 2010, quando um gol de Frank Lampard foi anulado na partida entre Inglaterra e Alemanha, nas oitavas de final. A bola havia entrado. O lance foi relembrado no painel “Será que a tecnologia na linha do gol irá melhorar o futebol?” durante a Soccerex, convenção global do futebol que está sendo realizada no Rio de Janeiro até a próxima quarta (28.11).

O debate contou com a participação de representantes das duas tecnologias de linha de gol licenciadas pela FIFA. “São sete câmeras para cada gol, posicionadas em diferentes ângulos. Todas são capazes de seguir a bola no espaço. E todas as informações de cada câmera são combinadas para saber onde está a bola, usando 3D.  Se a bola passa a linha, um sinal é automaticamente mandado para o relógio do árbitro e para os assistentes. Não há necessidade de mudar a bola”, explicou Paul Hawkins, inventor do Hawk-Eye.

“Nossas antenas de recepção ficam nas traves e no travessão. São dez em cada gol. Um campo magnético é formado em volta do gol. Dentro da bola é colocado um dispositivo eletrônico e, quando ela passa a linha,  o campo magnético é perturbado. Analisando as mudanças no campo, é possível dizer a localização precisa da bola. Se for gol, um alerta imediato é enviado aos relógios dos árbitros e assistentes”, disse Thomas Pellkofer, representante de gerenciamento operacional do GoalRef .

Também participaram da discussão Christoph Schmidt, chefe de gabinete da Secretaria Geral da FIFA, Alex Horne, secretário geral da Federação Inglesa de Futebol e o português Vítor Baía, ex-goleiro do Porto (Portugal) e do Barcelona (Espanha).

”Não queremos que a tecnologia interfira  no fluxo do jogo. Mas o gol é a essência e há poucos gols. A definição se houve ou não deve ser o começo e o final do apoio da tecnologia ao árbitro”, disse Alex Horne, apoiado por Vítor Baía. “Sendo o gol a essência do futebol,  obrigatoriamente temos que acabar com alguma dúvida que possa existir. Com a tecnologia, economizaremos o tempo que perdemos em conflito, com a discussão. Só isso já vai melhorar muito”, disse o ex-goleiro.

Confiabilidade

Todos destacaram no debate a importância de se atestar a confiabilidade dos sistemas em uso. Outro assunto discutido foi o custo da tecnologia. Para Carlos Eugênio Simon, ex- árbitro de futebol, essa é uma das principais preocupações, mas ele é favorável ao uso. "Se uma bola passou da linha, tem que dar o gol. É humanamente impossível saber exatamente. E gol não é interpretação", disse.

Os dois representantes das tecnologias também comentaram o assunto. “Mesmo quando você vê replay após replay nas câmeras comuns, até com a câmera na linha do gol, essas filmagens podem não ser precisas. O processo tem sido caro, testamos frequentemente. No começo vai ser caro, mas não depende só do fornecedor da tecnologia”, disse Paul Hawkins, da Hawk-Eye.

Thomas Pellkofer, da GoalRef, acrescentou: “Estou contente que haja mais de uma tecnologia no mercado. Só uma empresa é complicado. E é como todas as outras tecnologias, igual relógio digital. Meu pai tinha relógio de cristal liquido e era uma fortuna, e agora compra-se no comércio popular. No futuro teremos melhorias para que se torne mais acessível".

Licenciamento

O representante da FIFA explicou que a entidade realizou testes com 11 empresas e que somente essas duas foram aprovadas por enquanto. “Tendo mais empresas, o preço vai cair. Com o passar tempo, a tecnologia vai atingir mais gente”, disse. Quanto às duas tecnologias já licenciadas que estarão em uso no Japão, ele explicou que, se ambas funcionarem e não apresentem problemas de qualidade e precisão, o custo será o diferencial.

 "Após o Mundial teremos discussões com provedores das duas tecnologias e ,se aparecer um terceiro fornecedor de tecnologia licenciado, vamos incluí-lo. Teremos uma decisão em fevereiro ou março sobre qual sistema será usado para a Copa das Confederações. Não necessariamente será a mesma tecnologia para a Copa do Mundo, ainda não decidimos”, explicou Christoph Schmidt.

 Mundial de Clubes

A próxima fase antes do início da competição são os testes de instalações, que vão ser conduzidos pelo instituto independente EMPA (Laboratório Federal Suíço para Materiais de Ciência e Tecnologia). O teste final de instalação busca confirmar que o sistema funciona de forma perfeita em um determinado estádio, como ocorreu durante o teste do sistema.

Apenas após passar por essa fase é que o respectivo sistema ganhará aval da FIFA para uso nos jogos da competição, que reúne os clubes campeões de cada uma das seis confederações continentais da FIFA e o campeão nacional do Japão, país-sede do torneio.

A última etapa é a verificação feita pela arbitragem antes da partida. Os árbitros conferem se o sistema está funcionando por meio de testes nas duas traves antes do apito inicial. E, mesmo com a ajuda da tecnologia, o árbitro continuará a ter autonomia para tomar qualquer decisão. O uso da tecnologia da linha do gol representará um auxílio adicional para a tomada de decisões.