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Esportes
BAREZÃO FEMININO

Goleira do São Raimundo divide a vida entre os campos e a profissão de vigilante

Mesmo depois de levar 29 gols em apenas um jogo, a goleira Beth nem pensa em desistir da carreira no futebol 18/10/2017 às 13:20 - Atualizado em 18/10/2017 às 14:04
Show ko
São Raimundo poderia ter sofrido goleadas ainda maiores não fosse a sua goleira, que joga totalmente por amor (Foto: Márcio Silva)
Denir Simplício Manaus (AM)

Já dizia a frase: “O goleiro é um guerreiro solitário”, e como Elizabeth Castro Procópio, 34, a goleira Beth, tem sido guerreira. Defendendo as traves do São Raimundo no Campeonato Amazonense de Futebol Feminino, a arqueira já tomou nada mais nada menos que 38 gols em apenas três jogos na competição. Mesmo tendo de buscar a bola tantas vezes no fundo de suas redes, a jogadora do Tufão não perde o sorriso no rosto.

“É o que eu gosto de fazer, e me desestressa”, comenta a goleira que divide a vida de atleta com a de vigilante em um órgão público na capital.

“Eu era goleira de handebol e só decidi jogar futebol aos 24 anos, depois que um vizinho insistiu muito”, relembra Beth.

Do alto de seu 1,70m de altura, a goleira não fugiu de suas obrigações no gol do São Raimundo, na última rodada do Barezão feminino, mesmo sabendo que sua equipe entraria em campo com apenas sete atletas na linha.

“Iria pro jogo mesmo que fosse sozinha. Infelizmente estamos pagando pela irresponsabilidade de algumas pessoas. Mas não fico triste, isso é do futebol”, enfatizou a arqueira, que tomou 29 gols somente contra o 3B, e poderia ter sido bem mais, se não fosse pelas grandes intervenções durante a partida.

Beth pegou muito contra o 3B, mas com apenas seis em campo é difícil (Foto: Denir Simplício)

Fã do filme Tropa de Elite, a goleira Beth não desanima. Mesmo sem tempo pra treinar como gostaria com ela missão dada é missão cumprida. “É complicado. Treinos só à noite e quando dá. É difícil, não temos apoio. Não recebemos nada pra jogar. Jogamos por amor mesmo”, revela a goleira enaltecendo avaliando as diferenças entre as atletas de 3B e Iranduba, por exemplo. “Elas (jogadoras do 3B e Iranduba) ganham pra isso... é a profissão delas. E a gente, não! Não temos patrocínio, nada!”, desabafou Beth.

Além de se virar no gol do São Raimundo, Beth também divide as atenções na equipe de futsal do Castelo, que inclusive decidiu um título no fim de semana contra o próprio São Raimundo, e no time das Guerreiras do Mauazinho, que vai bem na disputa do Peladão Feminino 2017.

“No Peladão estamos bem, ganhamos de 2 a 0 na última rodada, mas na próxima não vou poder jogar porque vou estar de serviço”, disse a vigilante Beth que no serviço anda acompanhada de revólver calibre 38.

“Trabalho na parte da portaria, na entrada de veículos e pedestres. Vejo pra onde vai, em qual setor. Mas graças a Deus nunca precisei usar a arma”, brinca a goleira que tentará levar o Tufão à final do Barezão Feminino.