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Atletas de jiu-Jitsu do AM vivem drama com iminente demolição de academia

Decisão judicial expedida pelo juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Frank Torres Stone, no último dia 12 de novembro, ordena a desapropriação do imóvel sob alegação de área de utilidade pública e interesse social em prol do Prosamim 04/12/2012 às 11:00
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Alunos e filhos do professor de Jiu-Jitsu, Barbosa, tentarão impedir a demolição
Jornal A Crítica Manaus

A casa vai literalmente cair para 117 atletas do projeto social “Construindo Cidadania”, que funciona na Associação Barbosa de Lutas Esportivas, na Cachoeirinha, Zona Sul.

Decisão judicial expedida pelo juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Frank Torres Stone, no último dia 12 de novembro, ordena a desapropriação do imóvel sob alegação de área de utilidade pública e interesse social em prol do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

Requerente da ação, a Superintendência de Habitação (Suhab) do Governo do Estado, oferece ao proprietário Antônio Barbosa, sensei idealizador do projeto social, R$ 178,7 mil a título de indenização pela desapropriação. O dinheiro já foi depositado na conta do requerido.

A qualquer momento o prédio será demolido. Porém, Antônio não aceita o valor oferecido pela Suhab. O dono do prédio - que possui uma área de 207 metros quadrados divididos em três andares - diz que o local vale bem mais que os R$ 178,7 mil que o Estado pagou por ele.

“É uma injustiça demolir o prédio. Aqui funciona há 13 anos nosso projeto social, que já revelou vários campeões amazonenses, brasileiros, mundiais. O mais justo seria o Estado comprar um imóvel com as mesmas dimensões numa área próxima”, argumenta Antônio. “Eu fiz uma pesquisa aqui por perto e um prédio de 160 metros quadrados custaria R$ 250 mil. E isso é porque é de um conhecido”, declarou ele.

DRAMA Quando as máquinas chegarem para derrubar o prédio de Antônio, seus atletas prometem deitar no chão para impedir a demolição. Será a última forma de tentar sensibilizar o Estado a desistir da desapropriação, oferecer um local equivalente ou pagar mais pelos. Ontem à noite aconteceu um treino de protesto. Após o trabalho técnico, o sensei reuniu seus alunos de judô e jiu-jitsu atendidos pelo projeto para organizar a forma de resistência. “Vamos deitar de mãos dadas para que ninguém derrube nossa academia. Aqui é nossa vida. Muitos jovens e crianças têm, na prática de lutas, um sentido para a vida”, diz o faixa-preta Saul Abtibol, que comanda uma filial do projeto no bairro São Francisco.

No entanto, será difícil o Estado mudar de ideia, A ordem de desapropriação já está definida e a demolição judicialmente autorizada. A decisão judicial se baseia justamente no argumento de que o Prosamim é um interesse maior que o programa social de Antônio. Além disso, segundo o Prosamim, a terra onde o prédio está localizado é de propriedade do Governo do Estado.

Inclusão social é a tônica
A Associação Barbosa de Lutas Esportivas foi fundada há 13 anos pelo faixa-preta de judô, Antônio Barbosa, hoje formado em Direito. Como na região muitas crianças e jovens pobres tinham intenção de praticar lutas, mas sem dinheiro para pagar, Antônio resolveu então fundar o projeto “Construindo Cidadania”, onde os beneficiários teriam acesso gratuito a judô e jiu-jitsu, mas com a contrapartida de treinar, estudar, orar e trabalhar, os quatro mandamentos da disciplina Barbosa.

“Essa filosofia salva muitos jovens do risco das drogas. Mas infelizmente estamos perdendo essa guerra, porque cada vez mais crianças e jovens se envolvem com drogas. Esse projeto é um foco de resistência. Mas, ainda assim, o Estado quer acabar com tudo. Nunca recebemos sequer um quimono para um atleta”, explica o idealizador, pai de Raifan, Rafael e Rafaela Barbosa, três referências jovens do judô e do jiu-jitsu no Estado.

Frank Lima - Coordenador-geraldo Prosamim

1 Há como reverter a decisão em favor da Suhab?
Creio que não. Mas ela (decisão judicial) é necessária em nome de um projeto maior, que é o Prosamim. Aquelas terras são do Governo, não são de ninguém. Alé é uma área de risco que vai ser beneficiada. A justiça já deu ganho.

2 O dono do prédio considera R$ 178,7 mil pouco...
É a Suhab que faz a avaliação e define um valor para o bem do expropriado. O Prosamim tem de continuar. Ninguém está tirando ninguém e deixando na rua. Todos são devidamente indenizados, com base em argumento jurídico.

3 Mas o Estado oferece opção aos desapropriados?
A opção é o valor da indenização, conforme o valor de mercado. . Entendo que o projeto social tem sua importância. Mas há um projeto maior para um local de risco que vai beneficiar várias famílias.