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Esportes
Além do pódio

Atletas e treinadores alertam sobre os problemas da Vila Olímpica de Manaus

Na segunda reportagem da série que retrata a realidade do esporte olímpico amazonense, o CRAQUE mostra que a Vila Olímpica de Manaus está precisando de cuidados 07/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 07/05/2017 às 10:40
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Atletismo precisa de mais atenção e o complexo necessita oferecer melhor segurança a seus frequentadores, que relatam roubos. (Fotos: Evandro Seixas/A crítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Na continuação da série “Além do pódio”, que mostra a realidade do esporte olímpico amazonense, vamos tratar da estrutura da Vila Olímpica de Manaus, na zona centro-oeste. Desde a sua inauguração, em 1990, a Vila Olímpica tem sido vital para talentos de várias modalidades olímpicas treinarem e competirem, mas atletas e treinadores notam que a estrutura da Vila apresenta problemas, enquanto as obras no local não iniciam ou não são concluídas. Da pista às quadras, a equipe do CRAQUE foi verificar como está a Vila Olímpica, atualmente sob responsabilidade da Secretaria do Estado de Juventude, Esporte e Lazer - Sejel.

Atletismo pede atenção
A pista de atletismo da Vila foi inaugurada há dois anos, mas ter uma pista de qualidade não tem sido suficiente para que os atletas possam ter sucesso nos treinamentos. Falta de iluminação e manutenção são alguns dos problemas citados. 
Pedro Nunes, atleta de dardo, cita o que está bom e o que precisar melhorar na Vila, em sua opinião. “A falta de iluminação e de manutenção no campo dificulta nossos treinos”, disse Pedro, atleta do Centro de treinamento para atletas de alto rendimento - Ctara. Pedro afirma que a sala de musculação está boa e que a alimentação dos atletas da Vila melhorou, mas diz também que o hotel dos atletas precisa de reforma. “O principal problema é a infiltração de água nas paredes”, ressalta.

Espaço ao redor da pista é usado pelos atletas para correr por possuir grama, apesar do terreno irregular. Sejel afirma que o espaço nunca serviu para este fim.  (Foto: Evandro Seixas/A crítica)

O técnico de atletismo, Luiz de Oliveira, concorda com Pedro, e também pede melhorias no espaço de treino. “A gente precisa de melhorias no espaço para rodagem (corridas longas e menos intensas) dos atletas, eles precisam correr na grama, mas se machucam nessa aqui (ao redor da 
pista).  
Marleide Nunes, presidente da Federação de atletismo, avalia as condições dos materiais da modalidade. “Nosso material é da inauguração da pista, mas não temos mais colchão para os saltos, nossos blocos estão quebrados, e ainda temos o sonho da cronometragem eletrônica, pois nossa largada é com a matraca, mas os implementos de competição são caros”. Além disso, ela relaciona  mais problemas. “Aqui começou uma obra na arquibancada, mas parou antes de chegar aos banheiros”.  

O colchão usado para saltos precisa ser substituído. A Sejel comunicou que fez o pedido para um novo colchão, que será entregue com outros materiais da Rio 2016, até o final do ano, segundo a Secretaria.

Além de tudo, atletas também citam a falta de segurança como outra preocupação na Vila. “Sem segurança no kartódromo, sofremos com roubos e vandalismo. Quem caminha por lá à noite corre o risco de ser assaltado”, disse Cícero Barbosa, diretor de provas da Associação dos Kartistas do Amazonas (AKA). “Os roubos sempre acontecem lá próximo às quadras”, também alerta a corredora Márcia Magalhães.

Para compartilhar
Se diversas partes da Vila pedem atenção urgente, as quadras estão em bom estado de conservação, para os atletas. Lutadores dizem que gostariam apenas de ter mais espaço, pois a quadra com tatame atende ao judô, jiu-jítsu, taekwondo e luta olímpica, o que reduz o tempo de treinamento para cada modalidade. “Nosso horário inicia às 9h30 e eu não consigo aproveitar o treino até o final, pois necessito ir para a escola à tarde. Se tivesse um espaço apenas para a luta olímpica, ajudaria no maior desempenho e intensificação nos treinamentos”, afirma o lutador Felipe Santana. 
Esta também é a opinião de Karpovio Santos, do taekwondo. “O espaço é bom, mas o ideal seria um tatame para cada modalidade. Um atleta de alto rendimento tem que treinar pelo menos três horas, e lá, só treinamos por uma hora”.

Sejel fala sobre os problemas da Vila

A assessoria da Sejel enviou respostas aos problemas apresentados por atletas e técnicos.  Sobre a falta de iluminação relatada, a Sejel afirma que apenas alguns refletores são ligados, visando a redução do consumo de energia, e que os refletores ligados são considerados por eles suficientes para os treinos.
Quanto ao colchão do atletismo, a Sejel afirma que solicitou um novo, e o pedido foi aceito pela Confederação de Atletismo e Ministério do Esporte, que enviará outros materiais das Olimpíadas 2016, que devem chegar até o fim do ano.
Quanto ao espaço para rodagem, a Sejel afirma que a área ao redor da pista nunca foi voltada para isso, e que para este fim há áreas em toda a Vila. Quanto aos banheiros, a Secretaria afirma que está estruturando a reforma. E que na tarde de quinta, 4, foi entregue à Caixa Econômica a solicitação de replanilhamento do contrato de repasse, cujo objeto é a modernização e ampliação das instalações da Vila Olímpica, incluindo a construção do Centro de luta olímpica e a reforma do Parque aquático. A entrega está prevista para o final do segundo semestre. Ainda está sendo elaborado o projeto para reforma do hotel, refeitório, academia, auditório e para a construção de um Centro de Fisioterapia.
Sobre os casos de roubos relatados, a Sejel afirma que a Vila conta com a ronda da Polícia Militar de manhã, tarde, noite e madrugada. Além disso, o complexo esportivo tem segurança privada em todos os turnos.