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Bibi, ex-craque do Nacional fala dos recordes do Leão da Vila Municipal em 1974

Bibi, ex-camisa 10 no Naça, fez parte do plantel que conseguiu bater recordes de vitórias no Campeonato Amazonense de 1974 e relembra a época que a "Maquinaça" aterrorizava os gramados barés 22/04/2015 às 23:39
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Bibi foi artilheiro do time campeão de 1974
Denir Simplício Manaus (AM)

Ao vencer o Rio-Nal da última segunda-feira (20), o time que tem no elenco  Rodrigo Ramos, Lídio, Leonardo, Wanderley, e que é comandado por Aderbal Lana chegou a décima vitória consecutiva no Estadual. Se igualando ao célebre esquadrão de Rolinha, Bibi, Luis Florêncio e Reis. No entanto, a marca vale apenas para uma edição do Barezão, já que o time de 1974, treinado pelo paraibano Edmilson Alves de Oliveira, continuou arrasador e atravessou o ano de 1975 chegando ao espantoso número de 18 vitórias seguidas no Amazonense.

A espetacular sequência de triunfos da “Maquinaça dos anos 70” começou fazendo  o América como vítima. Depois do “podre Diabo” de Amadeu Teixeira, sucumbiram aos gols do artilheiro Bibi as equipes do São Raimundo, Fast Clube, Sul América e Rio Negro. Os mesmo adversários voltaram a ser derrotados no returno do Estadual daquele ano, sendo que o Naça ergueu a taça com uma rodada de antecedência ao bater o Rolo Compressor por 2 a 1.

Na partida que marcou a entrega das faixas para o Leão da Vila Municipal, o Rio Negro foi impiedosamente goleado por 4 a 0. A equipe nacionalina só foi perder a invencibilidade no dia 8 de junho de 1975, quando acabou sendo derrotada pelo mesmo Galo da Praça da Saudade, pelo placar de 2 a 1, exatas 18 partidas depois do início da incrível sequência.

O CRAQUE foi atrás do artilheiro do Barezão de 1974 para saber histórias daquela equipe que marcou a história do clube da Vila Municipal. Adilson Pereira, ou Bibi, era o camisa 10 do time que por muitas vezes foi à campo com a seguinte formação:  Procópio; Antenor, Renato, Eurico Souza e Luis Florêncio; Angelo, Rolinha  e Ismael, Paulo Isidoro, Bibí e Reis.

O carioca de Campos dos Goytacazes, que foi campeão brasileiro com o elenco do Atlético-MG, em 1971, é filho do lendário Didi, o “Folha Seca” e chegou ao Nacional em 1974 para marcar o nome no clube azulino.

Qual a principal lembrança daquele time de 1974?

Já faz muito tempo, mas ainda lembro muito bem da rivalidade entre Nacional e Rio Negro. E não era só a rivalidade dentro campo, mas entre os dirigentes também. Os do Nacional traziam os jogadores mais jovens, no início de carreira. O pessoal do Rio Negro trazia os mais famosos, mais experientes. Era uma briga boa dentro e fora do campo.

Qual o jogo mais difícil daquela sequência de vitórias?

Bom. Claro que era o Rio Negro. Mas lembro que todos os jogos eram difíceis. Todas as equipes queriam ganhar do Nacional. Tinha o América, que dava trabalho. Mas as partidas contra o Fast Clube e o Rio Negro eram sem dúvida as mais difíceis.

Como a torcida tratava os jogadores? Havia a euforia de ser um time imbatível?

 Sempre fui muito bem tratado pela torcida do Nacional. Era bem visto entre os torcedores, mas não havia esse negócio de euforia pelas vitórias. Nós ganhávamos os jogos e sempre fomos respeitosos com nossos adversários. Quando vencemos o campeonato, claro que houve aquela festa e tudo. Mas ao meu ver era uma coisa normal.

 Como o treinador orientava a equipe para manter o foco nas vitórias?

Nosso técnico era o Edmílson (Edmilson Alves de Oliveira). Era um treinador calmo, que sabia ouvir o elenco. Ele dialogava com a gente, pois sabia que nosso time era muito bom. Perguntava pros jogadores como nós achávamos que deveríamos jogar. Chegava e sabia que os jogadores eram sérios e responsáveis. Tinha o respeito de todos e nós o respeitávamos muito. Tínhamos jogadores experientes que facilitavam as coisas dentro e fora de campo. Hoje você não pode mais fazer isso, pois não há o mesmo respeito por parte dos atletas. Hoje se você der a mão eles querem o pé e as coisas não dão certo.

 Quem era o cérebro daquela equipe?

Nosso time tinha um maestro, que era o Rolinha. Ele comandava nosso time. Muitos diziam que ele era lento, mas era pura maestria. Jogava muito. Dava gosto de ver ele em campo. Também tinha o Reis, o Florêncio. Mas o Rolinha era sem dúvida a referência da nossa equipe.

 O Bibi foi artilheiro daquele campeonato. Tem um gol que ficou marcado na memória?

Não fiz tantos gols. Foram apenas sete, mas fui artilheiro daquele campeonato. Lembro que tínhamos uma jogada ensaiada pra fazer um gol logo no início do jogo. O Rolinha lançava a bola para o Reis assim que batíamos o centro de campo. O Reis chegava na linha de fundo e cruzava pra mim. Às vezes eu enganava os zagueiros e fazia de conta que ia cabecear direto pro gol, mas dominava no peito e chutava. Não foram tantos gols, mas foram importantes para conseguirmos as vitórias.

  O Bibi está sabendo que o atual time do Nacional está prestes a quebrar o recorde do time de 1974?

Não, não sabia. Na verdade a última vez que tive notícias do Nacional foi do jogo com o Bahia. Estive em Manaus no jogo festivo do centenário, em 2013. Foi muito bom. Reencontrei com muitos amigos que não via fazia anos. Foi uma festa muito bonita a que a diretoria fez. Me senti honrado em participar daquele evento.

 O que o Bibi acha que fez com que aquela equipe funcionasse  tão bem?

Afinidade. Sem dúvida que foi a afinidade entre os atletas, a diretoria e a torcida. Tínhamos liberdade de falar com o presidente. De chegar com o treinador e falar de igual pra igual com respeito. Éramos uma família. Tanto que o presidente do Nacional na época se tornou padrinho do meu filho. Lembro que fui morar num bairro chamado Beco do Macedo. Nem sei se existe esse bairro ainda, mas depois mudamos para um condomínio mais próximo da sede do clube. Foi uma época muito boa.

Como foi sua saída do clube?

Cheguei ao Nacional aos 23 para os 24 anos e durante esse período recebi algumas propostas para sair. Mas o Maneca (Manuel do Carmo Chaves - dirigente) sempre cobria as ofertas e me fazia ficar. Fui procurado pelo Guarani de Campinas, pelo Remo e pelo Paysandu. Até que veio a proposta para ir pro Fortaleza. Aí eu cheguei pro Maneca e disse que queria tentar a sorte em outra equipe. Queria ir mais para o sudeste. Ele queria cobrir a oferta do Fortaleza, mas depois disse que era um prêmio pra mim e me deixou sair.