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Bolt se mostra dono das pistas e gênio olímpico em Londres

Jamaicano supera dúvidas, conquista o bicampeonato dos 100 metros e se consolida como fenômeno 06/08/2012 às 09:11
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Londres 2012: Bolt (E) falou à imprensa junto com Asafa Powell (D), ex-campeão e recordista mundial dos 100m
Leandro Prazeres Londres

O jamaicano Usain Bolt calou os críticos e surpreendeu o mundo novamente ao conseguir o bicampeonato olímpico dos 100 metros rasos e quebrar o recorde olímpico da prova. Ele fez os 100 metros em 9s63 na prova realizada na noite de ontem no Estádio Olímpico de Londres. O segundo colocado foi o também jamaicano Yohan Blake, e o terceiro o norte-americano Justin Gatlin. Ao sair da prova, bem ao seu estilo, Bolt mandou seu recado: “Ainda sou o melhor. Ainda sou o número 1”.

A prova marca o retorno de Bolt à boa forma que o tornou conhecido no mundo inteiro e o transforma no primeiro a conseguir o bicampeonato da prova mais rápida do atletismo na história dos Jogos Olímpicos Modernos. O norte-americano Carl Lewis foi bicampeão olímpico, em Seul, mas depois da desclassificação do canadense Ben Jonhson, pego no antidoping.

Ele chegou a Londres dizendo que estava com apenas 95% de sua forma ideal, aumentando os rumores sobre seu condicionamento físico. Meses antes, na Jamaica, ele havia sido vencido nas eliminatórias do país por seu pupilo Yohan Blake, que havia conquistado o título mundial da prova no ano anterior.

O silêncio que antecedeu a largada dava a dimensão da expectativa diante da prova. O Estádio Olímpico estava lotado para ver o duelo de Bolt e Blake. Nos segundos antes do tiro, o silêncio de quase 80 mil expectadores era assustador. Mas foi só a largada ser dada para que o estádio se transformou em um verdadeiro caldeirão. Nove segundos e sessenta e sete centésimos depois, a multidão explodiu em aplausos, gritos e disparos de máquina fotográfica diante do bicampeonato olímpico de Bolt.

Ao contrário de 2008, quando o jamaicano venceu com larga vantagem ante seus adversários, a prova de ontem foi mais disputada. Bolt não fez uma boa largada e teve de tirar a desvantagem nos 50 metros finais.

Calando críticos

 A vitória de Usain Bolt deve por fim a uma série de questionamentos feitos sobre seu desempenho nos últimos anos.

O atleta jamaicano não vinha de resultados expressivos até a final olímpica de ontem disputada em Londres. Seu melhor tempo em 2012, por exemplo, foi 9s76, no Mundial de Atletismo em Roma. Durante estas Olimpíadas, ele não vinha impressionando. Nas eliminatórias, ele marcou 10s09, apenas o nono melhor tempo entre os semifinalistas.

Nas semifinais, ele melhorou seu tempo e marcou 9s87, o terceiro melhor das três séries. Bolt disse que sua atuação na semifinal o deixou mais confiante. “Eu fiquei bem mais confiante depois da semifinal. Senti minhas pernas muito bem e isso me deixou bem à vontade para ir para a final”, revelou.

Mas, apesar do bom desempenho na semifinal olímpica, muitos apostavam que Yohan Blake poderia tirar-lhe a “coroa olímpica”. Em junho, durante as eliminatórias jamaicanas, Yohan Blake venceu Usain Bolt nas provas de 100 e nos 200 metros rasos. No ano anterior, Blake havia se sagrado o campeão mundial dos 100 metros após Usain Bolt ser desclassificado ao queimar a largada.

Mesmo quebrando o recorde olímpico, o tempo de Bolt, ontem, ainda está nove centésimos acima do recorde mundial, considerado por muitos, o limite humano da prova. Nada que o tenha deixado desapontado. “Ainda é a segunda melhor marca do mundo na prova. É histórico”, pontuou Bolt.

De volta ao topo

 Durante a entrevista coletiva no Estádio Olímpico, Bolt estava falante, brincalhão e risonho como sempre. Perguntado sobre se as críticas que recebeu nos últimos meses o encorajaram em Londres, ele foi taxativo. “Havia muita gente que dizia que eu não iria vencer, que eu não estava na minha melhor forma. Isso aumentou minha vontade de vencer e agora eu posso dizer que eu ainda sou o número um. Que eu ainda sou o melhor”, disse o jamaicano bicampeão olímpico.

Usain Bolt disse que o peso da torcida o apoiando fui muito importante e que ele espera estar fazendo pela Jamaica o mesmo que Michael Phelps fez pelos Estados Unidos.

“A torcida foi incrível. Quando me anunciaram...uau...a torcida é uma parte muito importante da prova para mim...Vejo o que Michael Phelps fez por si mesmo e pelo seu país e eu acho que estou indo pelo mesmo caminho”, disse.

Nos últimos dias, Bolt disse que sua meta em Londres era se tornar uma lenda. A CRÍTICA perguntou ao campeão jamaicano se o bicampeonato olímpico na prova mais nobre do atletismo internacional era suficiente ou se o público o veria correndo de novo em 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

“Eu espero estar lá. Eu adoraria, mas não sei como vai ser até lá. Blake estará com 26 anos lá. Isso seria bem interessante”, declarou ele, carismático. E vencedor nas pistas.